A Inglaterra deixou uma sensação agridoce em seu penúltimo amistoso antes da Copa do Mundo. O técnico Gareth Southgate usou aquela que tende a ser sua base titular no Mundial. Durante o primeiro tempo, ante uma Nigéria pouco operante, os Three Lions jogaram por música em Wembley. Contudo, caíram de ritmo na segunda etapa e permitiram que as Super Águias descontassem, bem como ensaiassem o empate. Ao final, a vitória por 2 a 1 serve para referendar o trabalho da seleção inglesa, assim como as escolhas promovidas pelo técnico. O segundo tempo tira as possíveis empolgações e deixa claro que é um trabalho em formação, com detalhes a se ajustar.

A escalação de Southgate

Há alguns pontos de discussão sobre a escalação da seleção inglesa, e Gareth Southgate apresentou suas escolhas. Jordan Pickford começou como titular no gol. Kyle Walker, John Stones e Gary Cahill compuseram o trio de zaga, com Kieran Trippier e Ashley Young nas alas. Eric Dier apareceu na cabeça de área, com Dele Alli e Jesse Lingard na ligação. Já a dupla de ataque foi composta por Raheem Sterling e Harry Kane. Do outro lado, a grande ausência na Nigéria era a do volante Wilfred Ndidi.

A fluidez do jogo

Dá para dizer que as apostas de Southgate funcionaram bem durante o primeiro tempo contra a Nigéria. A Inglaterra atacou com fluidez e não teve dificuldades para criar chances de gol. Trippier exigiu uma defesaça do goleiro Francis Uzoho em cobrança de falta e, logo depois, deu a assistência para o primeiro tento. A cobrança de escanteio seguiu certeira à cabeça de Gary Cahill, que não perdoou, aos sete minutos. A liberdade de Sterling era fundamental aos ataques dos Three Lions, ajudando demais a desmontar a defesa nigeriana e forçando Uzoho a boas defesas. Além disso, Alli e Lingard garantiam mais energia ao ataque, em suas subidas no apoio.

O artilheiro guarda o seu

A Nigéria, em compensação, fazia uma atuação fraca. Tinha dificuldades em sair ao ataque e errava demais. Pickford mal apareceu. Assim, o segundo gol até demorou a vir. Aconteceu aos 39 minutos, a partir de uma roubada de bola e de um belíssimo lançamento de Dier. Harry Kane tabelou com Sterling e arriscou o chute de fora da área, contando com a colaboração do goleiro Uzoho. A escolha do titular na meta das Super Águias, aliás, é uma questão séria, depois que o time perdeu o titular Carl Ikeme – que atualmente trata uma leucemia.

Vaias a Dele Alli

Há uma grande comunidade de nigerianos na Inglaterra, e muitos deles marcaram presença nas arquibancadas em Wembley. Parte dos “visitantes”, no entanto, vaiaram Dele Alli. O meio-campista é filho de um nigeriano, que se mudou para os Estados Unidos uma semana após o nascimento do garoto. Sua juventude ainda é marcada pelo alcoolismo da mãe biológica, que o levou a ser adotado pela família de um companheiro no MK Dons. Não à toa, o prodígio optou por não usar o sobrenome às costas de sua camisa. Convidado a se juntar à seleção nigeriana em 2015, disse não e logo ganhou as primeiras chances com a Inglaterra. Ouviu ainda mais vaias quando saiu de campo.

Um novo time na volta do intervalo

A Nigéria retornou ao segundo tempo com quatro alterações e muito mais atitude. Bastaram dois minutos para que as Super Águias já fizessem muito mais do que na primeira etapa, se recolocando na partida. Odion Ighalo carimbou a trave e, no rebote, Alex Iwobi balançou as redes. Os africanos demonstravam mais intensidade, acelerando no ataque e assustando em outros momentos. Com mais liberdade para avançar, John Obi Mikel servia de motor aos alviverdes, em meio a esta pressão. Por outro lado, os ingleses não imprimiam o mesmo ritmo.

Jogo desacelera

A Inglaterra logo faria as suas primeiras mudanças, promovendo as entradas de Ruben Loftus-Cheek, Danny Rose, Marcus Rashford e Danny Welbeck. Tinha mais dificuldades na ligação, ameaçando nos ataques em velocidade e nas bolas longas, que a defesa nigeriana conseguia controlar. Já a Nigéria ganhou mobilidade com as incursões de Ahmed Musa e, depois, de Kelechi Iheanacho, mas parou na zaga adversária. Entre as raras emoções nos minutos finais, Rashford apareceu um pouco mais.

Próximos compromissos

A Inglaterra faz seu último amistoso antes da Copa em 7 de junho, contra a Costa Rica, em Leeds. Já a Nigéria volta a campo um dia antes, na Áustria, onde se encontra com a República Tcheca.