O otimismo foi muito grande quando Jürgen Klopp assumiu o comando do Liverpool. Muitos apaixonados pelo clube pensaram que havia finalmente chegado o homem que os devolveria às glórias. Apesar de alguns percalços, o time realmente apresenta evolução: três finais em dois anos e uma classificação à Champions League como quarto colocado do Campeonato Inglês. Algo está sendo construído em Anfield, ou reconstruído, mas o torcedor lamenta que Steven Gerrard tenha ido embora e se aposentado antes de poder fazer parte disso. Antes de poder jogar sob o comando de Klopp.

LEIA MAIS: Volta à Champions é o primeiro passo para o Liverpool, que não pode errar (de novo) no segundo

A combinação entre a liderança e o espírito guerreiro de Gerrard com o carisma e a intensidade de Klopp seria promissora, mas houve um cruel desencontro. Sem o espaço que gostaria com Brendan Rodgers, o eterno capitão vermelho saiu do Liverpool, em 2015, apenas alguns meses antes do norte-irlandês ser demitido e substituído pelo alemão. Passou uma temporada e meia no Los Angeles Galaxy, da Major League Soccer, e até especulou-se que poderia retornar para uma breve passagem pelo clube do seu coração antes de se aposentar. Mas decidiu pendurar mesmo as chuteiras e tornou-se técnico das categorias de base dos Reds.

Gerrard, pelo Liverpool (Foto: Getty Images)

Gerrard, pelo Liverpool (Foto: Getty Images)

Não deu, portanto, para Gerrard atuar no time de Klopp. Até esta quarta-feira, na Austrália, onde o Liverpool encarou o Sydney, em um amistoso de pós-temporada que levou o elenco vermelho para o outro lado do mundo, ao fim de uma longa e difícil temporada. Coutinho e Emre Can nem viajaram. Milner, Clyne e Wijnaldum não jogaram. Klopp preparou uma surpresa para os torcedores australianos. O time titular teve Karius; Alexander-Arnold, Lovren, Moreno, Lucas, Woodburn, Wilson, Firmino e Sturridge. Jamie Carragher completou a defesa. E Steven Gerrard, o meio-campo. No segundo tempo, ainda entraram Daniel Agger e McManaman, outros dois ex-jogadores favoritos da torcida.

“Envolvemos alguns comentaristas no jogo”, brincou Klopp, ainda no gramado, em referência aos bicos que Carragher e Gerrard fazem na televisão britânica. E completou, na entrevista coletiva depois da partida: “Eles estavam no avião e tivemos uma reunião de cinco minutos. Eles sabem tudo sobre futebol e não foi tão ruim, foi?”. Definitivamente, não foi.

Apesar do que Klopp chamou de a “viagem mais intensa para um jogo fora de casa” da sua carreira, já que envolveu uma viagem de 24 horas logo depois da última rodada da temporada, o Liverpool venceu por 3 a 0, belos gols de Sturridge, Firmino e Alberto Moreno contra o atual campeão australiano. Mas o que todo mundo queria saber era o que Gerrard conseguiria fazer, aposentado há seis meses e aos 36 anos.

Ele não brilhou tanto quanto no jogo de lendas do Liverpool e do Real Madrid, em março, mas jogou bem, com a camisa 8 de sempre nas costas. Sofreu um pênalti não marcado, que poderia resultar em um gol do capitão, e teve uma chance da entrada da área, que mandou por cima. No geral, comandou a saída de bola com seus passes longos e lançamentos ainda muito precisos e chegou até a dar carrinho dentro da área para bloquear uma finalização, apesar de estar disputando apenas um amistoso. O espírito competitivo nunca abandona um jogador desse.

Logo no começo do segundo tempo, Gerrard foi substituído por Steve McManaman, apenas para receber uma ovação espetacular dos torcedores do Liverpool no estádio ANZ. Os 45 minutos já haviam sido suficientes para dar à torcida aquele ar de nostalgia e fazê-la pensar no que poderia ter sido se um de seus maiores ídolos tivesse cruzado antes o caminho de Klopp.

Gerrard é substituído por McManaman (Foto: Getty Images)

Gerrard é substituído por McManaman (Foto: Getty Images)

Veja os gols da vitória do Liverpool por 3 a 0 sobre o Sydney:


Os comentários estão desativados.