Um mini-doc sobre os 200 jogos de Tabárez à frente da Celeste, a inédita marca atingida pelo Maestro

Raríssimos homens são tão identificados com sua seleção quanto Óscar Washington Tabárez. Pela primeira vez na história, um treinador atingiu a marca de 200 partidas à frente de sua equipe nacional. O Maestro viveu a primazia e recebeu as merecidas homenagens da seleção uruguaia nesta terça-feira, após o empate por 1 a 1 contra o Peru, em Lima. Mais do que o retorno da Celeste a uma posição imponente no cenário internacional, Tabárez conduziu seu “Processo” para renovar as forças do elenco e garimpar um expressivo número de talentos no diminuto país. Suas ideias deram muitos frutos e tendem a dar ainda mais, com a nova geração que surge aos charruas.

[foo_related_posts]

Aos 72 anos, Tabárez sabe que o fim de sua passagem pela seleção uruguaia está próximo. Até pareceu que a Copa de 2018 poderia marcar a despedida do Maestro, mas a federação optou por renovar com o veterano e ele aceitou ampliar o seu vínculo. O treinador não deve ser blindado das críticas e existem pontos vulneráveis em seu trabalho. Não é isso, porém, que diminui a grandiosidade do que realiza. A Celeste voltou a ser competitiva como raras vezes ao longo das últimas décadas – e deixando de lado a noção de um futebol desleal. Mais do que isso, há um horizonte amplo pela frente, com a renovação do plantel que se intensificou nos últimos meses. O professor segue adiante, com uma clareza de ideias ímpar, de quem vê o todo.

Depois de superar Sepp Herberger como o treinador que mais dirigiu uma mesma seleção, Tabárez atinge uma cifra que representa a longevidade e a qualidade de seu trabalho. A primeira passagem pela Celeste foi relativamente curta, às vésperas da Copa de 1990. No entanto, o período iniciado em 2006 demarca uma revolução. Desde então, o Maestro dirigiu os uruguaios em mais três Mundiais e reconquistou a Copa América depois de 16 anos. São 97 vitórias ao todo, com 15 competições oficiais disputadas nas duas passagens somadas.

Na coletiva de imprensa depois do jogo contra o Peru, Tabárez falou da marca: “Não tomei como uma partida especial, porque seria colocar o pessoal à frente do que realmente é importante, um jogo preparatório visando as Eliminatórias. Mas quando se fala do tempo e quando as cifras terminam com dois zeros, sempre é algo especial. Este é o último duplo zero que terei no futebol, por causa da minha idade. Quando era menino, jamais pensei que poderia ficar por tanto tempo na seleção do meu país. Além do mais, também não imaginava seguir um projeto com as ideias que trago faz tempo, que nos deu não só resultados, mas também permitiu coordenar as seleções de base com a principal”.

“Pessoalmente, eu desfruto com a minha família. Na idade que eu tenho, não acontece tão frequentemente que se siga no futebol e se trate de fazer coisas por seu país, então isso eu reconheço e agradeço. E também agradeço a todos que, nestes 200 jogos, foram os protagonistas. No futebol, mais importante do que qualquer treinador são os futebolistas”, complementou o veterano. Em seus dois períodos na Celeste, Tabárez comandou 154 atletas diferentes. Destes, 87 estrearam na seleção principal através de suas mãos.

Para homenagear Tabárez, a federação uruguaia preparou um mini-documentário que repassa os 200 jogos do Maestro com a seleção, relembrando os principais torneios. A lenda merece todos os tributos possíveis: