A Copa do Mundo Feminina começará nesta semana com uma repercussão inédita sobre o torneio. O espaço na mídia cresce, as marcas esportivas abraçam a competição, a terceira edição do álbum de figurinhas aumenta a relação com o público. Ainda assim, há uma realidade particular ao redor das mulheres, entre o profissionalismo e o amadorismo. Por mais que as grandes ligas reforcem os seus investimentos e alguns países apresentem projetos bastante sólidos, não é o que se nota em boa parte do planeta. E o mapa das jogadoras convocadas ajuda a apresentar um pouco deste cenário.

A lista de clubes que mais tiveram atletas chamadas ao torneio não deve em nada à Copa do Mundo Masculina. Barcelona, Lyon, Chelsea, Manchester City e Bayern de Munique aparecem no topo. Todavia, essa é apenas uma parte superficial do retrato. Em muitos países, o futebol feminino ainda reverbera iniciativas específicas e times que centralizam as convocadas. Não é muito diferente, por exemplo, do que se via no Mundial Masculino até anos atrás, com as seleções de cada país concentradas em dois ou três clubes locais.

De certa maneira, o futebol feminino está no meio deste caminho, em processo de evolução. Enquanto há ligas fortes e globalizadas que possuem as melhores do mundo, essas iniciativas não são suficientes para absorver todo o “pé-de-obra” qualificado que vem de outros cantos do planeta. As convocadas terminam distribuídas em pólos bastante específicos. Persistem “desertos” enormes, incluindo nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento, bem como outras nas quais as mulheres não possuem tantos espaços na sociedade – a exemplo de nações do norte da África ou do Oriente Médio. Sem investimento local ou mesmo sem incentivo, dá para entender o vazio que tornam o certame uma realidade distante a várias seleções.

A Europa Ocidental concentra a grande massa de jogadoras. Alemanha, Espanha, Inglaterra e França possuem ligas estabelecidas, com atletas de vários cantos do mundo. Atraem bom público, têm apoio financeiro (sobretudo dos grandes clubes do futebol masculino) e veem os horizontes se ampliarem. Itália e Holanda também se aproximam dessa prateleira, ampliando seu apoio. Além do mais, há a relevância inegável de Noruega e Suécia, redutos tradicionalíssimos do futebol feminino, que perderam representatividade nas competições continentais, mas ainda tem preponderância.

Os Estados Unidos, obviamente, também é um centro essencial. Não apenas por sua liga profissional, mas também por seu sistema universitário, que oferece oportunidades a jovens jogadoras. A presença dessas atletas é notável. A Austrália também conta com uma liga importante, da mesma forma como os países do Extremo Oriente concentram suas futebolistas nas potências locais. Já no resto do planeta, há casos pontuais na África Subsaariana e na América do Sul, onde nem sempre há um apoio constante nas competições locais, mas a qualidade se sobressai. O Brasil é um exemplo, onde o futebol feminino vive altos e baixos, mas segue possuindo um campeonato relevante e produzindo jogadoras talentosas aos principais centros. De qualquer maneira, é preciso investimento para almejar mais, sobretudo ao se considerar os movimentos que ocorrem em outras partes do mundo.

E nessa antítese constante, entre o amplo horizonte e a falta de apoio, a Copa do Mundo Feminina também reproduz uma dura verdade: nem sempre as melhores jogadoras possuem um time para atuar. Nada menos que 11 convocadas estão sem clube, todas vindas de países onde o tratamento profissional ao futebol feminino é incipiente. Demonstram como, ainda que o Mundial seja o ápice da carreira a qualquer uma, ele também oferece uma chance de buscar melhores condições. Por isso essa visibilidade ao torneio é tão importante, não apenas para impulsionar as principais ligas, mas também para fortalecer a relação em outros cantos do mundo. É isso que a repercussão do torneio pode gerar.

Abaixo, o mapa produzido com todas as jogadoras da Copa do Mundo Feminina. Elas foram posicionadas conforme os clubes em que atuam e estão representadas pelo escudo da federação. Há uma pequena ficha técnica com o perfil de cada uma delas. Vale dizer que nem sempre há informação suficiente sobre os locais onde os times femininos atuam, então os pontos podem estar sobre estádios ou sobre cidades. Além do mais, os dados sobre número de jogos e gols também são escassos em relação a alguns elencos. Abaixo, algumas instruções de uso para a ferramenta. Boa viagem!

– Você pode ampliar o mapa clicando no quadrado em seu canto direito superior;
– Por uma questão de programação do Google, os pontos inseridos por último aparecem acima nas visões mais distantes do mapa;
– Se você não conseguir visualizar uma jogadora, aproxime o mapa, que ela deve estar lá;
– Jogadoras do mesmo clube ou da mesma cidade se sobrepõe, é preciso aproximar bastante para diferenciá-las;
– Jogadoras sem clube estão alinhadas no canto inferior do mapa;
– No painel ao lado esquerdo, as jogadoras estão divididas conforme os grupos e organizadas por ordem alfabética dentro de cada seleção;
– Se você tiver qualquer dúvida, sugestão ou descobrir um erro (acontece, apesar das revisões) é só dar um toque na caixa de comentários =)