Em mais de um século de história, a Copa América rodou por diversos cantos do continente. As características do torneio mudaram profundamente desde suas primeiras edições. Da disputa em pontos corridos que se concentrava em apenas um estádio, o “Padrão Fifa” tomou o certame nas duas últimas décadas, com arenas ultramodernas e muitas vezes desnecessárias. De certa maneira, a radiografia dos estádios ao longo destes 103 anos também diz muito sobre os trâmites políticos e o próprio desenvolvimento do futebol.

Muitos dos estádios utilizados nas edições iniciais do Campeonato Sul-Americano sequer existem hoje em dia, ou então possuem uma utilização bastante limitada no futebol. Estadio GEBA, Parque Pereira, Laranjeiras e Valparaíso Sporting Club são alguns destes palcos, que concentravam todas ou praticamente todas as partidas da competição em um mesmo ano. A variação de praças esportivas se tornou um pouco maior graças a Brasil e Argentina, a partir de 1929, com a organização oferecendo a oportunidade a vários palcos. O certame brasileiro de 1949, por exemplo, distribui-se basicamente por São Januário e Pacaembu. Ainda assim, outros três estádios tiveram a chance de receber jogos de fundo: Vila Belmiro, General Severiano e Alameda.

O modelo do Campeonato Sul-Americano em pontos corridos e poucos estádios durou até 1967. Naquele último ano, existiu até mesmo uma fase preliminar. Já entre 1975 e 1983, a Conmebol repaginou o torneio. Adotou o nome de Copa América e, na mudança mais profunda, deixou de organizá-lo em apenas uma sede. O certame itinerante contava com partidas de ida e volta, bem como realizou até mesmo jogo-desempate em campo neutro na decisão. Foram apenas três edições neste formato, até o revezamento que se iniciou a partir de 1987. Desde então, a copa passa por todos os países do continente, em sedes fixas.

Durante os primeiros anos, a Conmebol se contentava com os estádios já existentes. Em 1989, por exemplo, o Brasil teve partidas apenas em quatro praças: Maracanã, Fonte Nova, Arruda e Serra Dourada. A Copa América de 1995 pode até ser considerada como um ponto fora da curva, com a construção de dois novos estádios no Uruguai, de médio porte. Contudo, as exigências sobre o “padrão” se tornaram cada vez maiores, assim como o desejo dos governos em realizarem politicagem em vários cantos do país. A expansão do número de cidades ficou clara já em 2001, com a Colômbia. Já o projeto mais grandioso de construção e reforma foi realizado pela Venezuela em 2007, no que deixou um legado de estádios enormes e (muitos) mal aproveitados. A Argentina não fugiu à regra em 2011, principalmente em relação ao interior, enquanto o Chile teve arenas menores, mas igualmente criticadas pelos gastos públicos.

A Copa América Centenário representou uma quebra, não apenas por levar o torneio para fora da América do Sul, mas também por escancarar o projeto da Conmebol. Puderam utilizar os gigantescos estádios de futebol americano nos Estados Unidos, o que alavancou a média de público, apesar da ocupação bem abaixo da capacidade máxima. Por fim, o Brasil representa um ponto de reflexão. A organização do torneio foi o de menos, aproveitando muitas das arenas já criadas no país durante a onda da Copa do Mundo. Em contrapartida, a baixa ocupação escancara a forma totalmente alheia da realidade que a Conmebol conduz a competição. Colômbia e Argentina, em 2020, não deveriam se submeter a grandes gastos para receber o certame, que também precisa reduzir o preço de seus ingressos.

Abaixo, o mapa com todos os estádios da história da Copa América. Eles estão divididos em três abas: os que foram parte de sedes fixas, em 1916-1967 e 1987-2019; os que foram usados exclusivamente nas edições itinerantes, de 1975 a 1983, mas sem incluir aqueles que também foram parte das sedes fixas antes ou depois; e os da Copa América Centenário. Há informações básicas do lado esquerdo, caso você clique nos ícones. Além do mais, alguns estádios podem se sobrepor, por isso é necessário aproximar o zoom para visualizá-los melhor nas grandes metrópoles. Confira: