A Supercopa não é muito valorizada na Europa. Geralmente, um jogo para dar o pontapé inicial na temporada, destravar as pernas e aliviar a ansiedade. Um pontapé inicial é justamente o que a torcida do Milan espera que a edição deste ano seja, depois da vitória desta sexta-feira, sobre a Juventus. Assim como havia sido o último título conquistado pelos rossoneros até Pasalic converter seu pênalti diante de Buffon, no Catar, que seja o ponto de partida do resgate de um clube grande demais para passar cinco anos sem levantar um troféu.

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Há sinais além do empate por 1 a 1 contra a Juventus e a vitória por 4 a 3 nos pênaltis. Silvio Berlusconi está de saída. O quinto colocado, com um jogo a menos que os adversários, esboça finalmente uma campanha digna no Campeonato Italiano, com a possibilidade de retornar às competições europeias. E o elenco abunda de jovens como Locatelli, Romagnoli, Niang e Suso. Nenhum, porém, mais veterano que o mais novo de todos.

Gianluigi Donnarumma tem apenas 17 anos. Não pode beber, não pode dirigir, mas pode frustrar alguns dos melhores jogadores do mundo e defender pênaltis decisivos em finais de campeonato. Um herói precoce que de forma nada sutil representa o futuro que o Milan deseja ter: vencedor, relevante, identificado, grande. Como era o bom e velho Milan.

Donnarumma trabalhou bem duas vezes no primeiro tempo, negando Manduzkic e Sturaro, mas, no escanteio que seguiu o segundo lance, não pode fazer nada para evitar o gol de Chiellini. O Milan empatou com uma excelente cabeçada de Bonaventura, abaixando-se para encontrar o cruzamento de média altura de Suso, um dos melhores jogadores da partida e do clube rossonero nesta temporada.

O Milan voltou melhor do intervalo e ameaçou Buffon, em sua 600ª partida pela Juventus, com Suso e Romagnoli. Donnarumma foi convocado a intervir outra vez, em batida de Khedira de fora da área que tinha o ângulo como endereço certo. Bacca teve duas boas oportunidades, Dybala, que entrou no lugar de Pjanic, teve uma, mas ninguém mais colocou uma bola na rede no tempo regulamentar, e a partida foi para a prorrogação.

 

Uma chance claríssima de gol para cada lado: Suso encontrou Bonaventura na segunda trave, Buffon defendeu bem o chute cruzado do italiano e a bola sobrou para Bacca, que pareceu surpreso com a oportunidade e demorou para reagir, perdendo a chance de finalizar com o gol livre; Dybala, da marca do pênalti, mandou por cima do travessão. E fomos para as penalidades máximas.

Marchisio converteu. Lapadula parou nas mãos de Buffon. Manduzkic, na trave. Bonaventura, Higuaín, Kucka, Khedira e Suso bateram muito bem e colocaram 3 a 3 no placar. Dybala colocou a bola na marca do cal, partiu, bateu e Donnarumma voou para o canto, espalmando a bola com a mão esquerda para fora. Maravilhosa defesa. A responsabilidade caiu nas costas de Palasic, 21 anos. Gol do Milan. Título do Milan.

A Supercopa da Itália, como a da Espanha, da Inglaterra ou da Alemanha, segue sendo um título de menor importância, mas pode ser um momento simbólico para a reconstrução do Milan, não apenas por ter quebrado um longo jejum sem títulos, como também por ter mostrado que o seu time é capaz de, no mínimo, encarar a pentacampeã Juventus de igual para igual. Como na decisão da Copa Itália da última temporada, o tempo normal acabou em empate. Naquela ocasião, Morata fez o gol do título da Velha Senhora, aos 5 minutos do segundo tempo da prorrogação. Desta vez, Donnarumma garantiu que o sorriso ficasse nos rostos rossoneros.