Éder se tornou o autor do gol mais importante da história da seleção portuguesa. O atacante, sempre cobrado por fazer poucos gols, foi autor do chute de fora da área que estufou as redes e deu o título da Eurocopa de 2016 à Portugal. Algo que o deixa marcado na história. E também no país onde atua. Éder é atacante do Lille, justamente o país que sofreu a derrota. A cada partida da Ligue 1, vaias e insultos. “Eu achava que as pessoas podiam entender”, disse o jogador ao jornal El País.

“A esta altura, se trata de um comportamento patético”, reclama o treinador de Éder no Lille, Patrick Collot. No retorno do atacante a Paris para jogar contra o Paris Saint-Germain pela Copa da Liga, o comportamento foi o mesmo: vaias. Ele não recebia a bola sem ouvir vaias da arquibancada.

“Ele é uma pessoa mentalmente forte, mas isso acaba por incomodar. As pessoas têm que entender que ele não fez a França perder, e sim Portugal ganhar. Foi decisivo para conquistar uma Eurocopa e devem respeitá-lo por isso”, continuou Collot.

Na última rodada da Ligue 1 em 2016, que fechou o primeiro turno, Éder foi alvo de muitas reclamações dos torcedores do Rennes. Jogando em casa, o Lille perdia para o visitante por 1 a 0, gol de Ntep. Aos 44 minutos do segundo tempo, ele empatou o jogo. Seu quarto gol na temporada pelo clube.

O Lille brigou por vaga em competição europeia na temporada passada, mas agora luta contra o rebaixamento. O time é o 12º colocado, com 21 pontos, dois a mais que o Metz, 18º colocado e primeiro time na zona do rebaixamento.

Éder já passou por muitas dificuldades na vida. Contamos um pouco da história do jogador. Não serão vaias que irão derrubá-lo. Mas não quer dizer que não incomodem. “É complicado jogar assim, mas trato de abstrair. Tenho contrato até 2020 com o Lille e quero ajudar a minha equipe”, disse o jogador.

Contratato junto ao Swansea, em fevereiro de 2016, Éder chegou ao Lille para ficar. Rapidamente se adaptou e aprendeu a falar o francês, de forma básica, em algumas semanas. “Sou um cidadão internacional. Nasci na África, vivo no centro da Europa, minhas irmãs na Inglaterra e tenho um irmão em Portugal”, conta Éder.

Um atacante que marcou a história do seu país e precisa lidar com as constantes vaias no seu dia a dia. Todos os jogadores precisam digerir as derrotas que vivem, como Antoine Griezmann, craque da França até aquela final, em Paris, quando viu Éder marcar o gol que deu o título a Portugal. Mas Éder é um jogador que precisa digerir uma vitória. E uma vitória que deu título e da qual foi herói. Tudo para viver e trabalhar no país do qual foi algoz.