Um guia para acompanhar a repescagem da Eurocopa, que definirá os quatro últimos classificados ao torneio

A Euro 2020 experimentará uma quinta-feira decisiva, e longe das grandes seleções. Depois de meses de adiamentos, a competição definirá as últimas quatro equipes classificadas à fase final do torneio, através da repescagem. E mesmo sem as camisas pesadas, dá para esperar boas histórias graças a times tradicionais e outros azarões. Abaixo, uma prévia sobre cada uma das quatro partidas: Hungria x Islândia, Irlanda do Norte x Eslováquia, Sérvia x Escócia e Geórgia x Macedônia do Norte. A classificação será definida em jogos únicos na casa da equipe de melhor campanha na última Liga das Nações, com prorrogação e pênaltis em caso de empate. A transmissão é do EI Plus – confira na nossa programação.

LIGA A: HUNGRIA X ISLÂNDIA

Hungria e Islândia fazem a partida de maior peso nessa repescagem, dentro da novíssima Puskás Arena. São duas seleções que causaram boa impressão na última Eurocopa, embora não tenham mantido a toada ao longo do último ciclo. Neste momento, os húngaros até demonstram um grau de evolução maior e podem ser apontados como favoritos, enquanto os islandeses veem o declínio de sua geração de ouro. Os resultados recentes dos magiares têm sido melhores, incluindo vitórias sobre Turquia e Sérvia fora de casa na nova edição da Liga das Nações. Já os nórdicos viraram saco de pancadas na primeira divisão do torneio e, nesta temporada, perderam seus quatro jogos pela Liga A.

Retrospecto recente

A Hungria vem de uma campanha pouco expressiva pela Liga das Nações 2018/19. Terminou na segunda colocação de um grupo da terceira divisão. Ficou à frente da Grécia, mas seria superada pela surpreendente Finlândia. Também não brilhou nas Eliminatórias da Euro, com a quarta colocação do Grupo E. Apesar disso, brigou pela vaga numa disputa apertada com Croácia, Gales e Eslováquia. Foram só dois pontos a menos que os galeses, que ficaram com a vaga direta. Na repescagem, uma vitória com autoridade por 3 a 1 sobre a Bulgária fora de casa valeu a vaga na decisão.

Já a Islândia passa longe do bom momento do ciclo anterior. O time esteve muito aquém de competir na Liga das Nações 2018/19, lanterna de seu grupo na primeira divisão. Saiu sem pontos, na chave que tinha Bélgica e Suíça. Foi a única equipe da Liga A a não se classificar automaticamente à Eurocopa. Em seu grupo nas Eliminatórias, os islandeses não conseguiram se aproximar tanto das vagas diretas, sem ameaçar tanto assim França e Turquia. Na repescagem, ao menos, fizeram sua parte com uma vitória relativamente tranquila por 2 a 1 sobre a Romênia na semifinal.

Histórico na Euro

Sigurdsson, destaque da Islândia (Foto: Getty Images)

As memórias são recentes. A Islândia participou apenas uma vez da competição continental, mas o fez com a histórica classificação à Euro 2016. A campanha até as quartas de final, deixando a Inglaterra pelo caminho, deve permanecer por um bom tempo como a memória mais doce do futebol islandês. A Hungria também teve um marco em 2016. Depois das aparições em 1964 e 1972, retornou à competição na França, em sua primeira classificação a um torneio internacional em 30 anos. Também avançando aos mata-matas, cairia apenas para a Bélgica. A ambas, a vitória nesta quinta significa continuidade do projeto.

Um jogador para decidir

Gulácsi em ação pela Hungria (Foto: Imago / One Football)

O principal jogador da Hungria em atividade nas grandes ligas europeias é o goleiro Péter Gulácsi. Aos 30 anos, é uma liderança no RB Leipzig e também ganhou importância na seleção durante os últimos anos, ao se tornar herdeiro de Gábor Király. É um arqueiro equilibrado, mas que cresce nas grandes partidas. Já na Islândia, Gylfi Sigurdsson não vinha sendo exatamente protagonista na alta do Everton na Premier League, mas ainda é a referência da Islândia e o principal jogador do país em atividade nos maiores centros. E o seu peso na seleção ficou expresso durante a semifinal da repescagem, com os dois gols em cima da Romênia. Especialmente por sua qualidade na definição, o meia desequilibra.

Um medalhão do elenco

Halldórsson foi herói na Copa de 2018 (Foto: Getty Images)

O elenco da Islândia é feito pelos nomes que lideraram o país na Euro 2016 e na Copa de 2018. Entre os que podem ter sua última chance nesta Eurocopa está o goleiro Hannes Halldórsson. Herói em alguns dos principais momentos da seleção, o cineasta vai completar 37 anos em abril, mas continua como titular da equipe nacional. Entretanto, Rúnar Rúnarsson pede passagem, atualmente reserva do Arsenal. Do lado da Hungria, o capitão e jogador mais tarimbado do elenco é Ádám Szalai. O centroavante nem tem jogado pelo Mainz 05, em afastamento que gerou crise no clube, mas continua no comando de ataque da seleção. Sobra como jogador com mais partidas disputadas no atual plantel e também com mais gols, alguns deles importantes na última Liga das Nações.

Um nome em ascensão

Szoboszlai comemora o gol da vitória na Turquia (OZAN KOSE/AFP via Getty Images/One Football)

O presente e o futuro da Hungria passam pelos pés de Dominik Szoboszlai. O meio-campista tem só 20 anos, mas já é um dos melhores jogadores do time e se mostra decisivo nas últimas partidas. Muito criativo e com uma ótima finalização, arrebenta no Red Bull Salzburg e em breve deve seguir para um centro maior. Já a Islândia deposita sua fé em Albert Gudmundsson, que pode entrar em diferentes funções na linha de frente. Aos 23 anos, é um dos principais jogadores do AZ e anotou sete gols em dez partidas pelo clube na atual temporada. Tem sido titular na Liga das Nações, mas não é simples desbancar os medalhões e foi reserva na semifinal contra a Romênia.

Quem é o treinador

Erik Hamrén assumiu a Islândia depois da Copa do Mundo de 2018, mas não consegue reproduzir os resultados dos antecessores com a equipe. O sueco treinou importantes clubes nórdicos, além de dirigir a Suécia de 2009 a 2016, presente em duas Euros. Já a Hungria é treinada por Marco Rossi. O italiano possui trabalhos relativamente modestos, mas ganhou fama no país ao comandar o Honvéd e levar a antiga potência ao título nacional. Assim, se credenciou à seleção em 2018. Rossi, todavia, não poderá ficar à beira do campo nesta quinta: diagnosticado com COVID-19, precisará se manter em isolamento.

Um vídeo do passado

Vale relembrar o embate pela fase de grupos da Euro 2016, com o empate por 1 a 1 ajudando os dois times a seguirem em frente no torneio:

LIGA B: IRLANDA DO NORTE X ESLOVÁQUIA

Apesar da presença recente na Eurocopa, Irlanda do Norte e Eslováquia atravessam momentos conturbados. A classificação à Euro 2020 seria uma salvação a meses mornos das duas equipes. Os norte-irlandeses não venceram nenhum de seus compromissos em 2020, chegando a tomar uma goleada de 5 a 1 para a Noruega, mas passaram à final da repescagem nos pênaltis. O mesmo vale aos eslovacos, que até demitiram seu treinador pelos insucessos recentes. As duas equipes são candidatíssimas ao rebaixamento na Liga das Nações, mas tentarão transformar seus rumos com o embate em Windsor Park.

Retrospecto recente

A Irlanda do Norte se safou do rebaixamento na última Liga das Nações graças à mudança de regulamento. Não conquistou um pontinho sequer em sua chave, contra Bósnia e Áustria. Já o desempenho nas eliminatórias da Euro 2020 foi um pouco melhor. A equipe terminou na terceira colocação do Grupo C. Não se aproximou totalmente de Alemanha e Holanda, mas deu trabalho e esboçou uma ameaça. Chegou a arrancar o empate dos holandeses em Belfast, apesar das derrotas longe de seus domínios. Daria o troco na Bósnia com a classificação nas semifinais desta repescagem, comemorando a passagem nos pênaltis.

A Eslováquia foi um pouco melhor na primeira edição da Liga das Nações, mas não tanto. Acabou na última colocação de sua chave, mas pelo menos chegou a golear a Ucrânia por 4 a 1. Já nas eliminatórias da Euro, integrou o embolado Grupo E, ficando a um ponto da classificação, atrás de Gales e Croácia. Faltou fazer mais nos confrontos diretos. Na semifinal da repescagem, eliminou a República da Irlanda nos pênaltis.

Histórico na Euro

Hamsik em ação na Euro 2016 (Foto: Getty Images)

Com Will Grigg on fire, a Irlanda do Norte fez sua inesquecível estreia em Eurocopas na última edição. Até conseguiu avançar aos mata-matas, com uma vitória sobre a Ucrânia, mas apresentou um futebol basicamente reativo. A Eslováquia foi outra estreante da edição passada, esboçando um bom papel na fase de grupos, mas também sem passar das oitavas de final quando pegou a Alemanha.

Um jogador para decidir

Steven Davies, capitão da Irlanda do Norte (Foto: Liam McBurney / Imago / One Football)

Marek Hamsik anda fora dos holofotes, em atividade no futebol chinês, mas permanece como jogador mais credenciado para carregar a Eslováquia. Aos 33 anos, o capitão se mantém como principal figura na equipe nacional e marca seus gols com frequência. As expectativas sobre si são menores que na Euro 2016, mas dá para sonhar com mais uma aparição nos torneios internacionais. Quem desempenha um papel similar na Irlanda do Norte é Steven Davies. O meio-campista defendeu o Southampton por longos anos e, agora, é um dos esteios no Rangers que lidera o Campeonato Escocês. Possui menos poder de definição que Hamsik, mas é um grande termômetro por sua qualidade nos passes.

Um medalhão do elenco

Kucka, pela Eslováquia (Foto: MICHAL CHWIEDUK / FOKUSMEDIA.COM.PL / NEWSPIX.PL / Imago / One Football)

Juraj Kucka é apenas alguns meses mais velho que Marek Hamsik, mas carrega ao lado do capitão o papel de liderança na Eslováquia. O meio-campista tem feito boas partidas pela seleção, embalado pelo momento no clube, contribuindo bastante ao sucesso do Parma neste retorno à Serie A. Sua capacidade para surgir no ataque também pode ajudar. Na Irlanda do Norte, Jonny Evans não é o mais velho do elenco, mas possui uma longa experiência na Premier League. O zagueiro de 32 anos, inclusive, contribui ao sucesso do Leicester City na atual campanha e foi titular em cinco das oito rodadas na equipe de Brendan Rodgers. Lá se vão 14 anos de seleção ao defensor.

Um nome em ascensão

Jamal Lewis, da Irlanda do Norte (Foto: Philipp Brem / Imago / One Football)

A Irlanda do Norte possui boas peças nas laterais. Stuart Dallas vem em alta com o Leeds, enquanto Jamal Lewis tem escopo para crescer na seleção. Aos 22 anos, o ala trocou o Norwich pelo Newcastle e se valoriza na Premier League. Deve ser o dono do lado esquerdo por muito tempo na equipe nacional. Já pela Eslováquia, Marek Rodak é um dos mais jovens do elenco e deve ter a responsabilidade de assumir a meta na partida decisiva. O goleiro de 23 anos é reserva do Fulham, mas ocupará a posição diante da ausência de Martin Dúbravka, que está lesionado. Participou do acesso pelos londrinos na temporada passada, mas perdeu a posição com a contratação de Alphonse Aréola. Contará com Milan Skriniar em sua proteção no miolo de zaga, tentando recobrar o moral após perder espaço na Internazionale.

Quem é o treinador

Ian Baraclough assumiu a Irlanda do Norte neste ano, após a saída de Michael O’Neill, que pediu demissão durante a pandemia para se dedicar ao Stoke City. O novo comandante não tem grande experiência, mas chegou referendado por seu trabalho à frente da seleção sub-21. Stefan Tarkovic também assumiu a Eslováquia no susto. Com trabalhos em alguns clubes importantes do país, permaneceu os últimos anos como assistente da seleção. Já tinha sido interino após a saída de Ján Kozák e agora substitui Pavel Hapal, demitido durante a última Data Fifa pelos resultados insatisfatórios.

Um vídeo do passado

Eslováquia e Irlanda do Norte se enfrentaram pelas Eliminatórias da Copa de 2010. A lembrança é doce aos eslovacos, que ganharam os dois jogos e se classificaram ao Mundial:

LIGA C: SÉRVIA X ESCÓCIA

Se for para escolher apenas um jogo para assistir nestas repescagens, não há muitas dúvidas que o embate em Belgrado é a melhor pedida. Afinal, ele tende a proporcionar a melhor história. A Escócia tenta reaparecer em uma competição internacional depois de 22 anos. Possui bons destaques nas ligas britânicas e surfa no momento, também buscando o acesso à primeira divisão na Liga das Nações, com uma ótima campanha na atual edição. A equipe está invicta em 2020. Pela frente, a Sérvia não atravessa uma fase tão regular, correndo o risco de ser rebaixada na Liga das Nações. Em compensação, vem referendada pela classificação diante da badalada Noruega na repescagem e possui diversos candidatos a protagonistas no embate. Chance de um jogo memorável.

Retrospecto recente

A Escócia já vinha de uma boa participação na edição passada da Liga das Nações. A Tartan Army conquistou o acesso ao liderar seu grupo, no qual também enfrentou Israel e Albânia. Foram três vitórias em quatro jogos. Já nas Eliminatórias da Euro, a equipe teve dificuldades para competir em sua chave. Até encerrou a participação em terceiro, mas sem conseguir derrotar Bélgica ou Rússia. Por conta das goleadas sofridas, ficou com saldo negativo na campanha. Mas o momento atual inspira, bem nesta Liga das Nações e com a classificação sobre Israel nos pênaltis pela semifinal da repescagem.

Depois da Copa de 2018, a Sérvia fez a melhor campanha da terceira divisão na Liga das Nações passada. Foram 14 pontos em 18 possíveis, invicta num grupo no qual a Romênia era forte concorrente. Só que a campanha nas Eliminatórias da Euro seria insuficiente. O time acabou três pontos atrás de Portugal, numa chave surpreendentemente liderada pela Ucrânia. Os tropeços em casa contra os rivais diretos pesaram. A recuperação veio na semifinal da repescagem, com uma vitória notável. A Noruega carregava o favoritismo, mas os sérvios se impuseram com o triunfo na prorrogação em Oslo.

Histórico na Euro

Tadic, camisa 10 da Sérvia (Foto: Getty Images)

A antiga Iugoslávia batia cartão na Eurocopa, com quatro participações. Depois das independências, ainda denominada Iugoslávia, a equipe composta por sérvios e montenegrinos disputou a Euro 2000. Desde então o país nunca mais apareceu no torneio continental, ainda que tenha ido a três Copas. Já a Escócia esteve apenas em duas edições da Eurocopa, em 1992 e 1996, sem passar da fase de grupos. Fora do cenário internacional desde a Copa de 1998, o país busca retomar sua história nestes playoffs.

Um jogador para decidir

Robertson, pela Escócia (Foto: Getty Images)

O melhor jogador da Escócia atua na lateral esquerda. Andy Robertson é o capitão da equipe nacional e, sem dúvidas, o grande nome do futebol local nos últimos anos. A importância no Liverpool e a capacidade criativa também reverberam à Tartan Army. E ainda há uma boa opção no setor com Kieran Tierney, do Arsenal, que costuma atuar na zaga pela seleção. Já a Sérvia pode contar com a qualidade técnica de Dusan Tadic. Principal responsável por levar o país à última Copa, segue desequilibrando com gols e assistências, como faz no Ajax. É um excelente sócio para aproveitar a presença de área de Aleksandar Mitrovic, autor de dez gols nas Eliminatórias da Euro.

Um medalhão do elenco

Kolarov na Copa de 2018 (Foto: Getty Images)

Mais velho do elenco, Aleksandar Kolarov também é um dos melhores jogadores à disposição da Sérvia. O capitão continua nevrálgico à equipe nacional, sobretudo por seu talento para bater na bola, por mais que venha jogando menos na Internazionale. Está firmado na zaga também da seleção. A Escócia, por sua vez, tem uma referência no goleiro David Marshall. O momento no clube não é bom, com o Derby County correndo sérios riscos de rebaixamento na Championship. Mas, na seleção, o veterano de 35 anos virou o titular nos últimos anos e contribui ao sucesso recente dos escoceses. Aproveita sua chance, após atravessar boa parte de sua trajetória na reserva de Craig Gordon e Allan McGregor.

Um nome em ascensão

McGinn, pela seleção escocesa (Foto: Steve Welsh / Imago / One Football)

Aos 25 anos, Sergej Milinkovic-Savic está longe de ser um desconhecido. Ainda assim, representa a esperança de um sucesso duradouro à Sérvia. O meio-campista começou no banco contra a Noruega e mesmo assim foi extremamente decisivo na repescagem, com os dois gols da classificação. Apesar dos episódios de indisciplina, tem muita bola. A Escócia, por sua vez, agradece à ascensão de John McGinn na Premier League. Aos 26 anos, o meia não é um novato, mas cresce em importância. Ajudou o Aston Villa a conquistar o acesso com gols decisivos e, depois da manutenção na elite, é um dos destaques do time na atual edição do Campeonato Inglês. Aparece bastante na definição.

Quem é o treinador

Steve Clarke fez parte da seleção como jogador, marcado por uma longa passagem pelo Chelsea. Como treinador, trabalhou por West Brom e Reading, antes de realizar boas campanhas à frente do Kilmarnock. Assumiu a Escócia em 2019, no lugar de Alex McLeish. Já a Sérvia está sob as ordens de Ljubisa Tumbakovic. O veterano treinador teve um trabalho marcante à frente do Partizan Belgrado nos anos 1990. Dirigiu também a seleção de Montenegro, demitido por se recusar a enfrentar Kosovo. Semanas depois, recebeu o convite da Sérvia, em julho de 2019.

Um vídeo do passado

Do fundo do baú, o duelo entre Escócia e Iugoslávia na fase de grupos da Copa de 1974. O empate por 1 a 1 manteve a chave equilibrada. Os iugoslavos avançaram graças ao saldo de gols aberto contra o Zaire, passando junto com o Brasil.

LIGA D: GEÓRGIA X MACEDÔNIA DO NORTE

Um dos méritos do novo sistema de repescagem da Uefa é garantir a chance de classificação a um país que sequer sonhava com a Eurocopa há alguns anos. Assim, Geórgia e Macedônia do Norte tentarão abocanhar o feito inédito. As duas equipes fizeram ótimas campanhas na Liga das Nações passada e integram o mesmo grupo na atual edição do torneio. Nos dois confrontos diretos, porém, prevaleceram dois empates por 1 a 1. Os georgianos têm a vantagem de jogar em Tbilisi, mas os macedônios vêm de uma belíssima caminhada nas Eliminatórias da Euro e possuem mais nomes tarimbados nas grandes ligas.

Retrospecto recente

A Geórgia teve o melhor desempenho da Liga D na primeira edição da Liga das Nações. Conquistou 16 pontos em 18 possíveis, curiosamente só empatando com a lanterna Andorra. O bom momento não se refletiu tanto nas Eliminatórias da Euro. Os georgianos conquistaram oito pontos, seis deles contra Gibraltar. Ao menos arrancaram empates de Dinamarca e Irlanda, ficando em quarto na sua chave. Nesta Nations, brigam pelo acesso de novo. Já na repescagem da Euro 2020, despacharam Belarus com a vitória por 1 a 0.

A Macedônia do Norte, aliás, também briga pelo acesso com os georgianos nesta Liga das Nações. A equipe subiu da Liga D na primeira edição do torneio, com 15 pontos em sua chave, sofrendo uma derrota na visita à Armênia. E o time fez bonito nas Eliminatórias da Euro, ao terminar na terceira colocação do Grupo G. Faltaram cinco pontos para alcançar a Áustria, mas o time chegou a derrotar Eslovênia e Israel, ambos abaixo na tabela de classificação. Para chegar à decisão da repescagem, os macedônios superaram o bem cotado time de Kosovo, com o triunfo por 2 a 1.

Histórico na Euro

Alioski é um nome em alta com a Macedônia do Norte (Foto: Imago / One Football)

Embora a Geórgia tenha sido uma base importante à seleção soviética nos anos 1980, nunca disputou a Eurocopa depois de sua independência. A melhor campanha foi a primeira, à Euro 1996, quando a equipe venceu cinco dos dez jogos disputados pelas Eliminatórias. Ficou em terceiro na chave que tinha Alemanha e Bulgária. Já a Macedônia do Norte era menos relevante nos tempos de Iugoslávia (apesar dos gols de Darko Pancev) e da mesma forma não conseguiu caminhar com as próprias pernas. Seu melhor desempenho nas Eliminatórias foi mesmo na última edição, pela primeira vez alcançando a terceira colocação da chave. Uma reviravolta, considerando que o time havia sido lanterna no grupo qualificatório à Euro 2016.

Um jogador para decidir

Okriashvili, camisa 10 da Geórgia (Foto: COLORSPORT/WINSTON BYNORTH/Imago/One Football)

Camisa 10 da Geórgia, Tornike Okriashvili é a principal esperança de classificação. O meia de 28 anos já atuou por clubes relevantes no cenário europeu, incluindo Krasnodar e Genk. Desde a temporada passada, se juntou à legião georgiana no Anothorsis Famagusta. São 12 gols em 44 aparições pela seleção, inclusive o da classificação nas semifinais da repescagem. Pela Macedônia do Norte, um nome que merece especial atenção é Ezgjan Alioski. Apesar de vestir a camisa 10, foi um dos coringas de Marcelo Bielsa no Leeds, fundamental ao acesso – embora menos frequente neste início de temporada na Premier League. Costuma ocupar o lado esquerdo da seleção, como meia ou lateral, e contribui muito ofensivamente.

Um medalhão do elenco

Pandev é a referência da Macedônia do Norte (Foto: Imago / One Football)

Goran Pandev foi sinônimo da seleção macedônia por muitos anos. E continua sendo, pronto a conquistar seu grande feito pela equipe nacional aos 37 anos. O atacante soma 113 partidas e 35 gols pelo país, recordista em ambos os quesitos. E continua em forma, nome frequente no Genoa. Pela Geórgia, a referência técnica é Jaba Kankava. O capitão de 34 anos soma 90 partidas pelo país, já à frente de Kakha Kaladze. Fez grande parte de sua carreira na Ucrânia, pelo Dnipro, e também teve destaque no Stade de Reims. Atualmente, o volante atua pelo Tobol, do Cazaquistão.

Um nome em ascensão

Ausente, Khvicha Kvaratskhelia é a esperança de craque ao futuro da Geórgia (Foto: Xinhua / Imago / One Football)

O grande lamento da Geórgia será a ausência de Khvicha Kvaratskhelia. O ponta de 19 anos atravessa um ótimo momento com o Rubin Kazan e se destacou nos últimos jogos pela seleção. Contudo, está com coronavírus. Outro jogador notável que não estará presente é o contundido Giorgi Chakvetadze, talentoso meia do Gent. Sem eles, o fardo recai sobre Otar Kiteishvili. O armador de 24 anos veste a camisa 10 do Sturm Graz e vem de boa temporada na Áustria. Já na Macedônia do Norte, o desfalque sentido é Enis Bardhi, meia de 25 anos que é destaque no Levante e garante uma dose de criatividade à equipe. Em sua falta, as atenções se voltam a Eljif Elmas. O meia de 21 anos não jogou a fase anterior da repescagem por causa do coronavírus, mas já possui algumas grandes atuações pelo país no currículo. Promessa do Napoli, ainda busca seu espaço como titular no clube.

Quem é o treinador

A Geórgia conta com um treinador experiente à sua frente. Vladimir Weiss levou a Eslováquia à Copa de 2010 e possui bons trabalhos por clubes. Assumiu a Geórgia em 2016 e promoveu a estreia de vários destaques do atual elenco. Já a Macedônia do Norte é dirigida por Igor Angelovski. Ele treinou o Rabotnicki em seu país, faturando títulos importantes, e chegou à seleção em 2015, após um período como assistente.

Um vídeo do passado

Na ausência de jogos entre Macedônia do Norte e Geórgia além dos realizados neste ano, vale conferir o último amistoso entre União Soviética e Iugoslávia, em 1987. Os soviéticos venceram por 1 a 0.