Nesta temporada, o Estádio St. Mary’s assistiu atônito a uma goleada por 9 a 0, a maior já registrada por um time visitante na história do Campeonato Inglês. O Southampton parecia desenganado neste momento, mas confiou em Ralph Hasenhüttl e daria a volta por cima. Oito meses depois, o mesmo St. Mary’s abrigou a maior vitória dos Saints neste reerguimento. Não seria um massacre como o do Leicester, mas a atuação merece elogios justamente pela maneira como os alvirrubros suportaram a persistência do Manchester City para manter a sua meta zerada. E, melhor ainda, o triunfo por 1 a 0 seria determinado por um golaço de Adams, que transformou um erro dos adversários em obra de arte logo no início do encontro.

O Southampton fazia um bom começo de jogo, explorando os erros do Manchester City e rondando a área adversária. Ainda assim, o momento do gol excedeu todas as expectativas, aos 13 minutos. Tudo bem, Oleksandr Zinchenko deu muito mole ao tentar o drible no meio-campo e ser desarmado por Stuart Armstrong. Mas Ché Adams merece todos os aplausos por seu arremate genial. Com Ederson fora de sua meta, o atacante colocou o capricho necessário na bola para encobrir o arqueiro e balançar as redes sem nenhuma chance de defesa. Uma batida difícil de primeira, mas que contou com enorme precisão do camisa 10. Foi o primeiro tento na Premier League do jogador trazido do Birmingham.

A partir de então, o Southampton havia dado o primeiro passo para conquistar a vitória. Mas precisaria também resistir às investidas do Manchester City. O bombardeio não demoraria a começar. Aos 30, os Citizens estiveram a ponto de empatar. Raheem Sterling parou em uma excelente defesa de Alex McCarthy. Logo depois, Fernandinho arriscou da entrada da área e carimbou o poste. O lance renderia mais uma chance pouco depois, mas de novo McCarthy se agigantou em cabeçada de David Silva e Sterling ainda mandou a sobra para fora. Os Saints, de qualquer maneira, não apenas se defendiam bem. Também seguiam saindo ao ataque e até criaram boas chances de ampliar, a melhor delas com Danny Ings mandando por cima após infiltrar na área.

O segundo tempo começou com um Manchester City ainda mais sedento. Os celestes sitiavam os arredores da área do Southampton e iam bombardeando. McCarthy seguia intransponível, com mais duas ótimas defesas antes dos 10 minutos. Gabriel Jesus aparecia mais neste momento e tentou vencer o goleiro com duas cabeçadas – sem sucesso em ambas. Além disso, o trabalho da linha defensiva dos Saints era excelente, em especial de Jan Bednarek pelo meio e de Kyle Walker-Peters pela direita, travando os oponentes e aliviando o sufoco.

Aos 15 minutos, Pep Guardiola tentou melhorar a organização de sua equipe, com as entradas de Kevin de Bruyne e do inspirado Phil Foden. Antes da paralisação para a hidratação, Bernardo Silva teve um arremate desviado para fora e Jesus perdoaria outra vez. A sequência de finalizações também não duraria por tanto tempo. À medida que os minutos foram passando, o City rondava a área do Southampton, mas sem encontrar espaços para finalizar bem. O trabalho da marcação alvirrubra era resiliente. Do outro lado, num raro respiro dos anfitriões, Ederson afastou com o pé um chute de Armstrong no contra-ataque.

Guardiola não mexeria mais na equipe. E demoraria um pouco para que o Manchester City repetisse a intensidade vista no início do segundo tempo. Os celestes apostavam numa sequência incessante de inversões e cruzamentos, rechaçados sempre pela defesa do Southampton. Nos acréscimos, a frequência dessas tentativas aumentou ainda mais e McCarthy até saiu em falso em uma bola, mas seus companheiros afastaram. Já no último minuto dos acréscimos, os Citizens ganharam a chance derradeira, em falta frontal a De Bruyne. Mas o belga carimbou a barreira e pouco depois o apito final soaria.

Depois de perder para Manchester United e Chelsea, Pep Guardiola sofreu três derrotas consecutivas como visitante numa liga nacional pela primeira vez na carreira. Nada que altere muito a tabela. O Manchester City deixa o campeão Liverpool retomar a diferença de 23 pontos, mas também segue com oito de vantagem sobre o Leicester. Não há muito o que temer nesta reta final, enquanto o foco estará em se preparar à Champions League. Já o Southampton é o 13° colocado, com 43 pontos, também sem se preocupar com o rebaixamento diante de sua ascensão desde a virada do ano.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore