O Melgar atravessa um momento relevante de sua história. Após encerrar um jejum de três décadas no Campeonato Peruano, o clube virou participante costumeiro na Copa Libertadores. Não faz grandes campanhas, mas está em sua quarta edição consecutiva. E o desempenho nestas preliminares certamente é o mais notável deste ciclo. O time de Arequipa eliminou a Universidad de Chile na etapa anterior e, desta vez, se tornou algoz do Caracas. Após a vitória por 2 a 0 no Peru, os rojinegros arrancaram o resultado na Venezuela. Iam ficando na rota de uma disputa de pênaltis, até que o gol aos 44 do segundo tempo definisse a derrota por 2 a 1 e já valesse a classificação.

Mesmo com toda a situação delicada na Venezuela, a partida aconteceu na capital. E o Caracas ia fazendo o seu serviço. Abriu o placar no primeiro tempo, num gol chorado de Eduardo Ferreira. Já na segunda etapa, Richard Celis ampliou a diferença num tiro cruzado. A certeza do Melgar veio apenas no apagar das luzes. Em bola rebatida dentro da área, Bernardo Cuesta conseguiu finalizar em cheio e carimbou a classificação.

Considerando as péssimas campanhas recentes dos clubes peruanos, o Melgar é candidato a saco de pancadas no Grupo F. Vai encarar Palmeiras, Junior de Barranquilla e San Lorenzo na etapa principal da Libertadores. Dá para tentar aprontar vez ou outra, embora a classificação e mesmo a repescagem à Copa Sul-Americana pareçam impossíveis. O fato de ter eliminado dois adversários tradicionais referenda o papel como franco atirador. E, de qualquer maneira, a experiência (e a premiação) rendida pela jornada até aqui acaba marcando o clube de pretensões modestas.