O Monaco volta de Lisboa com muitas lamentações na bagagem. O time do principado fez seu melhor jogo até agora na Liga dos Campeões, mas perdeu por 1 a 0 para o Benfica no estádio da Luz. Apesar do resultado, o ASM se manteve na segunda posição do grupo C – só que agora, com apenas um ponto de vantagem sobre Zenti St. Petersburgo e a própria equipe lisboeta. Ou seja: não dá mais para bobear.

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Sem Berbatov, os monegascos repetiram as exibições das vezes nas quais atuaram como visitantes. Com um setor ofensivo quase inexistente, o Monaco apresentou grande solidez defensiva na primeira etapa. Para sorte do ASM, o Benfica tinha o mesmo defeito: um ataque pouco eficiente, seja por falta de qualidade técnica ou por escolhas erradas na hora das finalizações.

Com um estádio da Luz com muitos espaços vazios, o Monaco se sentiu mais à vontade no segundo tempo para pressionar os donos da casa. O principal artífice das jogadas ofensivas do ASM foi Yannick Ferreira-Carrasco, que aproveitou muito bem a liberdade oferecida a ele pelo lado direito com a marcação frágil de André Almeida. O ASM vencia com certa tranquilidade a luta pela posse de bola no meio do campo, o que levava o Benfica a recuar de forma perigosa.

Na teoria, o domínio territorial do ASM seria extraordinário se o time tivesse alguém capaz de concluir as ações criadas. Sem este finalizador, o Monaco acumulou seguidos lances insossos. No 4-3-3 adotado pela equipe, apenas Ferreira-Carrasco cumpriu com suas obrigações de forma eficiente. O belga, porém, não teve com quem jogar. Lucas Ocampos foi apenas uma sombra pela esquerda, praticamente sumido no jogo. Lacina Traoré irritou por seus erros em profusão, principalmente quando precisava definir.

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Nem mesmo as entradas de Dirar e Martial serviram para alterar o panorama da equipe do principado. E quando o 0 a 0 parecia ser o resultado definitivo, Anderson Talisca aproveitou um dos raros cochilos da defesa monegasca para marcar o gol da vitória do Benfica. Um prêmio para o brasileiro, um dos raros atletas das Águias que incomodou a defesa do Monaco na maior parte do jogo.

A derrota deixa o ASM em situação perigosa na LC. A vice-liderança está mais do que ameaçada: na próxima rodada, o time visita o Bayer Leverkusen, que tem a chance de selar sua classificação antecipada para as oitavas de final. Como Zenit e Benfica se enfrentam (com o time russo jogando em casa), há grandes chances de um deles pular para o segundo lugar. O Monaco precisa melhorar sua força ofensiva com urgência, caso realmente queira avançar para as oitavas de final sem correr riscos e depender de resultados dos adversários.

Clássico eletrizante

Para quem gosta de emoções fortes, o clássico entre Paris Saint-Germain e Olympique de Marselha se apresenta como um dos mais aguardados dos últimos tempos. Embora ambos tenham vencido seus compromissos pela 12ª rodada, tanto PSG como OM não tiveram aquelas atuações convincentes, que deixam seus torcedores confiantes para seu próximo – e muito importante – compromisso.

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Na matemática, o Olympique de Marselha continua com quatro pontos de vantagem sobre o Paris Saint-Germain, o que lhe permitirá manter a liderança mesmo se perder no Parc des Princes. O triunfo por 2 a 1 sobre o Lens no Vélodrome passa a imagem de que tudo correu bem pelos lados marselheses, ainda mais após as duas derrotas consecutivas para Lyon e Rennes. Não foi bem assim.

O OM deu a impressão de que as coisas haviam mudado logo cedo. Começou pressionando o Lens de forma categórica e, com eficiência, abriu o placar com N’Koulou aos 11min. Aos poucos, porém, os marselheses se deixaram envolver pelos Sang et Or talhados por um elenco jovem, mas atrevido. O gol de empate de Guillaume, aos 31min, mostrou como os donos da casa haviam perdido o rumo.

A pressão vinda com as derrotas tiveram efeito de guilhotina na confiança do elenco marselhês. As oito vitórias consecutivas pareciam ter um peso infinitamente menor do que o dos dois reveses, muito mais influentes sobre a mente dos jogadores diante da possibilidade de um novo tropeço. O gol de Thauvin não só recolocou o OM em vantagem como lhe deu o alívio necessário para suportar os minutos seguintes.

Sem a mesma eficiência na marcação e na ocupação dos espaços, o OM viu o Lens crescer. O técnico Marcelo Bielsa foi obrigado a reforçar seu sistema defensivo com dois garotos, mas era uma aposta arriscada e obrigatória pelo momento vivido pelo time. Recuados, os marselheses sofreram até o minuto final – com 18 chutes a gol, o Lens foi o time que mais vezes finalizou diante do Olympique de Marselha.

O Paris Saint-Germain também suou sangue diante do Lorient. Fora de casa, o time da capital teve um primeiro tempo sofrível e foi para os vestiários com uma derrota parcial por 1 a 0. Os Merlus, que haviam sido derrotados em seis das sete últimas rodadas da Ligue 1, foram praticamente perfeitos. Os donos da casa adiantaram a marcação e impediram qualquer pensamento do PSG em atacar.

Na etapa final, o PSG agradeceu demais a Benjamin Lecomte. O goleiro do Lorient, que havia feito belas defesas em finalizações de Pastore e Aurier, entregou o ouro diante de Cavani e Bahebeck. Um intervalo de oito minutos entre o gol do uruguaio e o da virada, suficientes para fazer o arqueiro descer ao inferno após ser elevado ao posto de herói. Uma vitória que caiu do céu para os parisienses.