Um gol aos 49 do 2° tempo classificou o Saint-Étienne à final da Copa da França e rendeu uma festa insana da torcida

Somando Campeonato Francês e Copa da França, o Saint-Étienne possui 16 títulos nacionais. No entanto, a grandeza dos Verdes anda um tanto quanto adormecida: enquanto o jejum na liga perdura desde 1981, na copa lá se vão mais de 40 anos sem erguer a taça. E quando um sinal da velha potência ressurge no Geoffroy Guichard, a torcida está em seu direito de extravasar. Nesta quinta-feira, com um gol aos 49 do segundo tempo, o Saint-Étienne confirmou-se na decisão da Copa da França pela primeira vez desde 1982. Derrotou o Rennes de virada por 2 a 1 e permitiu uma euforia que não se via faz tempo em seu estádio, com direito a uma impressionante invasão de campo ao apito final.

O Saint-Étienne atravessa uma temporada bastante difícil na Ligue 1. A equipe somou apenas oito vitórias em 27 rodadas e sofre ameaças claras na tabela, a dois pontos da zona de rebaixamento. Assim, enquanto se luta pela sobrevivência na primeira divisão, a Copa da França surge como um alento. E a campanha terminou de superar as expectativas, com a classificação na semifinal em cima do Rennes, o atual campeão do torneio nacional.

O Rennes até parecia pronto a disputar mais uma final no Stade de France. Aos 33 minutos, os rubro-negros abriram o placar no Estádio Geoffroy Guichard, graças a um pênalti convertido por Mamadou Niang. Todavia, o Saint-Étienne demonstrou seu poder de reação. O empate veio ainda antes do intervalo, a partir de uma cabeçada de Timothée Kolodziejczak. E quando tudo indicava que o jogo seguiria à prorrogação, Ryan Boudebouz surgiu como herói, pouco depois de sair do banco. Um chute seco do argelino aos 49 do segundo tempo permitiu a virada dos Verdes e garantiu uma classificação apoteótica, para delírio dos torcedores.

O apito final soou e logo o gramado sofreu uma invasão massiva da torcida do Saint-Étienne. Centenas de pessoas entraram em campo para festejar. E os jogadores nem precisaram continuar por ali para que o transe coletivo desatasse. A multidão estava mais interessada em desfrutar o momento histórico, que possui um significado ainda maior ante as dificuldades recentes enfrentadas pelos Verdes. A vitória agônica, além de um grito de força, também representa um desabafo.

O Paris Saint-Germain será o adversário do Saint-Étienne na final da Copa da França, marcada para 25 de abril. O favoritismo é todo dos parisienses, mas a derrota na temporada passada relembra como nada é resolvido por antecipação. E os Verdes certamente não desejarão desperdiçar a oportunidade. A um clube que não é campeão do torneio desde 1977 e que não aparece na decisão desde 1982, esta é a chance de preencher os anseios de diferentes gerações. As cenas desta quinta escancaram como a velha potência sonha com esta taça.