Em condições normais de temperatura e pressão, um cochilo de 31 minutos faz bem para a saúde. Depois do almoço, para recarregar as baterias gastas na manhã, ou mesmo aquela soneca depois de acordar de manhã. É permitido cochilar em lugares como camas, redes, sofás, filas de banco, salas de aula com professores insuportáveis e até mesas de bar, dependendo do teor de danone (como diria Aloísio Chulapa) ingerido. Em um campo de futebol não, jamais, nunca, em hipótese alguma antes do jogo acabar. A Alemanha infringiu essa regra nesta terça-feira. E foi punida pela bola, com dois pontos a menos na tabela de classificação do Grupo C das Eliminatórias da Copa.

O cochilo fez com que a tranquila vitória por 4 a 0 que se desenhava sobre a Suécia se transformasse em um amargo empate por 4 a 4. E isso para dizer o mínimo, pois outros adjetivos mais pesados caberiam tranquilamente na análise. Definitivamente, o empate em casa não fazia parte dos planos, ainda mais depois da incontestável goleada por 6 a 1 sobre a Irlanda na última sexta-feira, em Dublin. Parecia que os germânicos haviam voltado a trilhar o caminho certo depois de se perderem um pouco na semifinal da Eurocopa e nos dois primeiros jogos das Eliminatórias (duas vitórias protocolares contra Ilhas Faroe e Áustria).

Pois bem, veio o primeiro tempo. E a sensação foi reforçada. Três gols marcados sem muito esforço, um show de Marco Reus e Miroslav Klose, uma bela atuação de Thomas Müller, Mesut Özil mandando prender e soltar no meio-campo. Enfim, tudo parecia bem. Veio o segundo tempo, e Özil fez o quarto gol aos dez minutos, e ninguém naquele momento acreditava em outro resultado que não fosse a vitória alemã.

Mas a Alemanha sentou em cima da vantagem. Ou melhor: deitou, cochilou e não foi capaz de acordar nem com os sinais claros da reação sueca. Aos 14 minutos, Ibrahimovic diminuiu, e aos 16 Mikael Lustig fez o segundo, em falha de Manuel Neuer. Johan Elmander fez o terceiro aos 31 e Rasmus Elm empatou nos acréscimos, frustrando o Estádio Olímpico, em Berlim. E mostrando uma constante que tem acontecido muito nos últimos tempos.

Os alemães, que ganharam duas Copas do Mundo com gols nos minutos finais contra Hungria e Argentina (perderam uma para os argentinos também, é verdade), têm sofrido com muitos gols sofridos nos últimos minutos das partidas recentemente. Desde o Bayern Munique, que vencia a final da Liga dos Campeões contra o Chelsea até os 44 minutos do segundo tempo, passando por Borussia Dortmund e Schalke 04 na Liga dos Campeões e chegando à seleção nacional, as equipes criam muitas jogadas, são insinuantes, mas têm dificuldades defensivas em alguns momentos e ficam vulneráveis a reações. Talvez a falta de um líder, um “bandido” capaz de brigar por todas as jogadas, catimbar o jogo e intimidar os adversários, seja mais sentida nesse momento.

A sorte do Nationalelf é que, pelo menos nesse momento, vacilou quando podia, num jogo de Eliminatórias que, em tese, não causará tantos danos na luta pela classificação. Se acontecesse algo parecido em um jogo de mata-mata, uma eliminação poderia marcar ainda mais essa brilhante geração com o rótulo de perdedora. Ainda assim, mesmo sendo contra a Suécia, esse tropeço entra para a lista dos maiores da Alemanha em grandes competições. Que sirva como lição para uma equipe que já mostrou talento, mas teima em não aprender a crescer nos momentos decisivos.