Contam-se nos dedos os clássicos ao redor do mundo tão acirrados quanto o Fenerbahçe x Galatasaray. A rivalidade entre os clubes de Istambul se vive ao máximo, sobretudo pelo fanatismo das torcidas. E, neste domingo, um capítulo histórico do confronto foi escrito no Estádio Sükrü Saraçoglu. O jogo teve tudo o que se espera de um dérbi tão quente – pelo bem ou pelo mal. A partida disputada em alta voltagem com bola rolando também providenciou uma coleção de confusões. Foram vários entreveros entre os jogadores, 15 cartões distribuídos e três expulsões. Os torcedores da casa, que faziam uma bonita festa, também se revoltaram e partiram ao tumulto. O Galatasaray, afinal, conquistou uma raríssima vitória no estádio dos rivais. De virada, os Leões bateram o Fener por 3 a 1, o que não acontecia no local desde 1999.

O primeiro ato do clássico aconteceu nas arquibancadas. E o Fenerbahçe deu o troco ao mosaico de Rocky Balboa feito pelo Galatasaray, há pouco mais de dois anos. Desta vez, os Canários exibiram um boxeador identificado pela imprensa turca como Muhammad Ali. A coreografia ainda trazia a imagem dos torcedores rivais amedrontados em seu “inferno”. Já a inscrição “Round 21” fazia referência ao jejum dos oponentes no Sükrü Saraçoglu. Não deu muita sorte.

A partida começou melhor ao Galatasaray. Com menos posse de bola, os Leões aceleravam e criavam as principais chances da partida. Henry Onyekuru desperdiçou o melhor lance, ao sair de frente para o gol e bater para fora. Foram três finalizações em apenas dez minutos, assustando a torcida do Fener. No entanto, os Canários abriram o placar aos 20 minutos. Em uma disputa na área, Marcão pareceu visar primeiro a bola, mas o árbitro viu pênalti e o VAR referendou. Na cobrança, Max Kruse converteu.

A sequência do clássico seria intensa, não apenas pelo ritmo do jogo, como também pela pegada de ambos os rivais. O Galatasaray voltou a melhorar e a dominar as ações, sobretudo em bolas cruzadas na área. O empate só não aconteceu aos 33 porque Ozan Tufan salvou uma bola em cima da linha, de forma espetacular. Aos 36, uma breve interrupção por confusão entre os dois times, após um lance mais ríspido entre Marcelo Saracchi e Sardar Aziz. Já aos 40, os Leões puderam comemorar a igualdade. Omer Bayram cobrou escanteio e Ryan Donk subiu alto para arrematar de cabeça.

O segundo tempo não manteria a mesma velocidade entre os times. Porém, conseguiu ser ainda mais quente, com uma série de entreveros. O clássico tinha mais cartões do que finalizações. Foram quatro amarelos apenas nos primeiros 15 minutos, enquanto o técnico Ersun Yanal receberia o vermelho por reclamação aos 22. Sem o seu treinador, o Fenerbahçe sofreria com os espaços dados às costas da zaga. Assim, o Galatasaray construiu sua vitória.

O goleiro Altay salvaria o Fener no mano a mano com Onyekuru, num lance depois anulado por impedimento. Já aos 32, mais um pênalti discutível marcado pelo árbitro deu a virada ao Galatasaray. Jaílson também foi primeiro na bola em disputa com Onyekuru, mas a arbitragem manteve o critério do primeiro tempo. Na cobrança, o goleiro Altay até acertou o canto, mas Falcao García chutou com força e balançou as redes. Durante a comemoração, várias garrafas de água foram arremessadas no campo e uma acertou Mariano bem em cheio na cabeça. Nada que provocasse qualquer paralisação. Depois de atendimento, o lateral voltou a campo.

Ainda assim, não demorou para o clima azedar. Aos 38, Belhanda seria substituído e demorou para sair de campo. Deniz Türüç, do Fenerbahçe, empurrou o jogador do Galatasaray e começaram as “cenas lamentáveis”. Belhanda afastou o rosto do adversário com a mão e Türüç queria tirar satisfação, em tumulto que envolveu todos os reservas. No fim das contas, Belhanda foi expulso com o segundo amarelo e não pôde ser substituído, enquanto Türüç ganhou o vermelho direto. Os dois times ficariam com dez e Falcao García terminou suplantado.

Por mais que o Fenerbahçe tentasse pressionar, o Galatasaray se segurava na defesa. A melhor chance de empate aos Canários aconteceu aos 45, em uma cobrança de falta. Mehmet Ekici bateu com curva, tirando do alcance do goleiro, mas Fernando Muslera realizou uma defesa absurda e buscou no cantinho. Com dez minutos de acréscimos, a partida seguiu aberta. Altay voltou a parar Onyekuru no mano a mano, antes de Muslera segurar firme um chute de Ekici. Somente aos 51 é que o Galatasaray garantiu o triunfo, finalmente com Onyekuru cumprindo sua missão. O ponta preferiu não correr riscos e, mais uma vez partindo em velocidade, driblou o goleiro antes de arrematar às redes vazias.

Com a derrota praticamente consumada, a torcida do Fenerbahçe deu mais vazão à sua revolta. Quando Feghouli foi substituído aos 53, mais uma chuva de garrafas de água caiu no campo. A polícia já rondava o alambrado para proteger as equipes. Até mesmo um assento das arquibancadas caiu na área de Altay. Ao menos, com o apito final, o Galatasaray conseguiu comemorar a vitória histórica dentro da casa rival.

O triunfo, além de tudo, confirma a candidatura do Galatasaray ao título no Campeonato Turco. Os Leões não começaram tão bem a campanha, mas ganharam fôlego desde dezembro. A equipe de Fatih Terim ganhou seus sete últimos compromissos pela Süper Lig. Assume a segunda colocação, com os mesmos 45 pontos do líder Trabzonspor, mas com desvantagem no saldo e um jogo a mais. O Fenerbahçe, por outro lado, vê seu mau momento se ampliar. Sem vencer há quatro rodadas, os Canários ocupam a sexta posição, com 38 pontos. Pelo significado ao campeonato e à história, essa derrota dói ainda mais aos torcedores.

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