Produzido no núcleo do CFZ, clube do ex-craque Zico, o meia Arthur conversou conosco sobre sua atual experiência no Al-Salibikhaet, do Kuwait. Com passagens por clubes de massa do norte e nordeste do Brasil como Remo, Náutico e Sampaio Corrêa, o jogador carioca (foto ao lado) busca no Oriente Médio uma melhor condição financeira recebendo em dia. Com 5 gols marcados até aqui na Kuwait Division One – 2ª Divisão do Kuwait – ele confirma o caos administrativo protagonizado pelos cartolas que é apontado como a grande razão da decadência do futebol kuwaitiano. Confira!

Como aconteceu sua transferência para o futebol do Kuwait e o que te atraiu para o Al-Salibikhaet?
Eu tive a oportunidade de me transferir para cá através de um amigo que passou por aqui em 2004 e me indicou. Jogamos juntos no CFZ do Rio. O que me atraiu a vir para o Kuwait foi a perspectiva de um crescimento financeiro e a certeza do salário em dia, que no Brasil anda bem complicado esse ponto.

O Al-Salibikhaet voltará a jogar pela Kuwait Division One, em fevereiro, contra o Al Shabab. O que o time mais errou até aqui para estar em penúltimo lugar entre os 5 clubes da Segundona do Kuwait?
O que mais erramos aconteceu em dois jogos, onde estávamos ganhando e tomamos o gol de empate no último minuto, fazendo com que perdêssemos quatro pontos que hoje estão fazendo falta.

Pela Kuwaiti Crown Prince Cup, em novembro, vocês conseguiram encarar o tradicional Al Samiyah empatando em 1 a 1, e perdendo apenas por 1 a 0 a outra partida, com gol sofrido de pênalti. As distâncias entre equipes grandes e pequenas são poucas ai no Kuwait ou existe uma diferença enorme na qualidade?
Existe sim uma grande diferença de estrutura e financeiramente também, mas esse jogo foi realmente uma boa apresentação do nosso time, exaltando também que nesse segundo jogo perdemos um pênalti no fim da partida, o que levaria a decisão para os pênaltis.

Conte-nos como é o clima nas partidas, a qualidade dos gramados, dos estádios e o futebol praticado dentro de campo.
Os jogos aqui estão bem distantes do Brasil em relação a emoção e qualidade, mas os clubes grandes tem bons estádios. O futebol é mais correria mesmo, com alguns jogadores de boa habilidade, geralmente estrangeiros, e como só é permitido dois por equipe, acaba não fazendo tanta diferença.

São poucos os jogadores locais que teriam condições técnicas e físicas de jogar uma Série B ou C no Brasil?
Sinceramente seriam poucos, e certamente precisariam de um certo tempo para se adaptar e conseguir disputar campeonatos como a Série B e C no Brasil, já que são torneios bem competitivos.

Os jogos na Série B da Liga kuwaitiana estão sempre cheios? Essas cinco equipes tem muitos torcedores ou as arquibancadas ficam quase vazias?
Na verdade os estádios ficam bem vazios sim, até mesmo na primeira divisão, já que somente duas equipes tem torcedores aqui, o Al Qadisiya e o Al Arabi, que tem a maior torcida.

Os treinamentos são pela manhã e a tarde ou apenas em um período?
Os treinos são em apenas em um período, à tarde no inverno e à noite no verão, por razão da temperatura muita alta!

O técnico da seleção de Cingapura, Radojko Avramovic, nos contou que detestou trabalhar na seleção do Kuwait porque os dirigentes ficam disputando quem tem mais influência e poder, deixando o progresso de lado. O que você tem observado e ouvido a respeito dos cartolas que comandam o futebol kuwaitiano? Tem muita falcatrua e suspeita?
Infelizmente isso é uma realidade sim, dão mais importancia ao status, deixando de lado as prioridades dentro de uma equipe de futebol.

A melhor posição do Kuwait no ranking da FIFA foi o 24º lugar, em 98, e a pior foi recentemente, em novembro do ano passado, quando ocupou o 121º lugar. Em menos de 10 anos, a seleção foi do céu ao inferno e atualmente seleções do Oriente Médio sem tradição, como Omã e Bahrein, são mais competitivas e conseguem melhores resultados. Pelo seu tempo por ai, o que torna o futebol kuwaitiano tão decadente?
Na minha opinião a falta de uma visão mais profissional, tanto dos dirigentes quanto dos jogadores e comissão técnica das equipes.

O atacante Bader Al-Mutawa, do Al Qadisiya, é a grande estrela atualmente. Considera ele um jogador diferenciado que poderia jogar fora do país?
É um bom jogador sim, e acho que se destaca aqui por ter uma boa velocidade aliada a força, que é uma característica incomum entre os jogadores locais. Mas posso afirmar que se daria bem fora do país, até porque muitas coisas influenciam no desempenho de um jogador quando está longe de casa e principalmente em outro país.

Como foi a passagem relâmpago do meia português Sérgio Conceição, pelo Al Qadisiya?
Ele não chegou a jogar muito por aqui, apesar de ter feito um contrato milionário. Essas coisas que fecham as portas para outros jogadores que buscam uma oportunidade fora do país.

Sendo um país muçulmano, quais as opções para se divertir? O que os jogadores fazem à noite?
Aqui não tem boate ou coisa desse tipo, inclusive bebida alcoólica é proibida. Para mim não tem sido problema já que como cristão me libertei desses hábitos. Mas muitos jogadores aqui se reúnem a noite em festas particulares onde muitas vezes tem bebidas alcoólicas que conseguem no mercado negro.

Você conseguiria responder qual torcida é mais apaixonada: Remo, Náutico ou do Sampaio Corrêa? Quais as lembranças que você tem destes clubes?
Sem sombra de dúvida a torcida do Remo, foi uma passagem da minha vida que vou guardar com carinho os momentos que estive lá. A torcida do Náutico também é bem apaixonada, mas por ser mais elitizada, não se compara a do Remo. Já a do Sampaio Corrêa eu tive menos contato já que fiquei por lá apenas dois meses, quando fui contratado pelo Náutico em seguida. Mas uma coisa me marcou muito, quando em nossa estréia, na Copa do Brasil, contra o Corinthians, no Maranhão, a torcida lotou o estádio, deixando apenas um pequeno espaço para a torcida adversária. Isso fez com que nosso time se motivasse ainda mais, quase ganhando a partida!

FICHA

Nome: Arthur Teixeira Viégas

Data de Nascimento: 29/10/1980, Rio de Janeiro.

Clubes:
2000: CFZ
2001: CFZ
2002: CFZ e SV Blankenese-ALE
2003: Botafogo/PB
2004: CFZ e Universidad Católica-EQU
2005: Sampaio Corrêa e Náutico
2006: Remo
2007: E.C. Próspera/SC e Salibikhaet-KUW
2008: Salibikhaet-KUW


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