A Copa Africana de Nações acontecerá em um momento oportuno ao futebol do continente. Afinal, o protagonismo dos jogadores africanos na temporada foi claro. Sadio Mané e Mohamed Salah lideram a fase favorável, com a importância de ambos no título da Champions League pelo Liverpool. De qualquer maneira, são várias as seleções que chegam com ao menos uma estrela em alta para a competição continental – que se inicia nesta sexta-feira, no Egito. O inchaço no número de participantes pode reduzir o nível técnico, mas também amplia os candidatos a protagonista.

Para esquentar a análise da competição, trazemos um mini-guia sobre os potenciais destaques da CAN 2019. Separamos um jogador por seleção, em alta atualmente ou com história relevante. Outros nomes sobressalentes também são citados na galeria. Confira:

Mohamed Salah (Egito) – Anfitrião da Copa Africana, o Egito contará com um elenco relativamente renovado, mas que já teve sua experiência em Copas do Mundo. E terá também o jogador mais aclamado do continente. Mohamed Salah não estava em suas melhores condições durante o Mundial de 2018, por isso a CAN 2019 pode ser uma oportunidade para marcar sua história em alto nível com os Faraós. O bom final de temporada com o Liverpool o referenda. Em sua única presença no torneio, em 2017, liderou os egípcios até a final.

Cédric Bakambu (República Democrática do Congo) – Os Simbas já contaram com equipes mais experientes, mas ver Bakambu como referência no ataque é importante. Nascido na França, filho de pais congoleses, brilhou nos times de base dos Bleus, mas preferiu o Congo no nível principal. O centroavante, de explosão física e ótimo arremate, possui bons números com a seleção e pode marcar sua história na Copa Africana de Nações. Apesar da falta de projeção no momento, vestindo a camisa do Beijing Guoan, o artilheiro vem em ótima sequência na China.

Marvelous Nakamba (Zimbábue) – O Zimbábue pode não contar com grandes craques, mas vai para a sua segunda CAN seguida. E estes dois anos também serviram para a afirmação de Marvelous Nakamba no futebol europeu. O volante, dono de enorme potência, deixou o Vitesse em alta e se juntou ao Club Brugge. Na equipe belga, ganhou a chance de se projetar na Liga dos Campeões. Com problemas físicos, não foi titular absoluto na última temporada. Contudo, aos 25 anos, pode conduzir um bom desempenho de seu país.

Denis Onyango (Uganda) – Uganda também retorna à Copa Africana confiando em um dos melhores goleiros do continente. Denis Onyango nunca jogou no futebol europeu, mas isso não foi necessário para que tivesse sua qualidade reconhecida, em especial com a camisa do Mamelodi Sundowns, pelo qual ganhou a Champions Africana. Aos 34 anos, o arqueiro é um dos mais tarimbados do torneio e pode ser um diferencial, especialmente por sua capacidade em defender pênaltis.

Samuel Chukwueze (Nigéria) – As Super Águias mantêm alguns figurões, embora o elenco da Nigéria para a CAN seja bastante renovado. Wilfred Ndidi, Alex Iwobi e Ola Aina são destaques que não passaram dos 23 anos. E, nesta nova safra, a maior esperança de progressão se concentra em Samuel Chukwueze. O atacante de 20 anos fez uma temporada excelente com o Villarreal e gerou o interesse de grandes clubes. Só disputou dois jogos com a seleção principal, mas o estilo incisivo e habilidoso pode causar estrago na competição continental.

Naby Keita (Guiné) – O maior desafio de Guiné será a recuperação de Naby Keita. O meio-campista sobra como principal figura na equipe nacional, mas se juntou ao elenco com problemas físicos e deve estar inteiro apenas ao final da fase de grupos. De qualquer maneira, é um jogador para sustentar a equipe a partir de sua presença na faixa central. Jogando com mais liberdade no ataque, foi capitão nas eliminatórias. Esta será a sua segunda participação na CAN, mas a primeira desde sua afirmação no futebol europeu.

Saido Berahino (Burundi) – Berahino soa como um triste caso de potencial perdido. O garoto que encantou cedo no West Brom se perdeu na carreira, entre problemas extracampo e falta de rendimento. O atacante atravessou longas secas e hoje se contenta em ser coadjuvante no Stoke City. Mas, após integrar quase todos os níveis nas seleções inglesas de base, pode contribuir ao incipiente time de Burundi. É uma liderança. Nascido no país, Berahino teve o pai morto durante a guerra civil e se refugiou na Inglaterra aos dez anos.

Faneva Imà Andriatsima (Madagascar) – Na estreia de Madagascar na Copa Africana, surgem alguns jogadores mais rodados que foram acrescidos ao elenco nos últimos meses por suas raízes na ilha. Mas quem enverga a camisa 9 faz tempo e se tornou fundamental na classificação é Andriatsima, atacante do Clermont, atualmente na Ligue 2. O veterano de 35 anos defende a seleção desde 2006. É o capitão e o maior artilheiro da história da equipe nacional. Anotou três gols na qualificação, determinantes nas vitórias sobre Sudão e Guiné Equatorial.

Sadio Mané (Senegal) – Atualmente, Senegal possui o elenco mais qualificado da África. Há bons jogadores em todos os setores, muitos deles em alta – incluindo Kalidou Koulibaly, Idrissa Gana Gueye e Keita Baldé. Além disso, o técnico Aliou Cissé conta com o melhor jogador africano da temporada: Sadio Mané. O camisa 10 teve atuações excepcionais com o Liverpool e brilhou na conquista da Champions. Chegou com moral no elenco e tende a manter a toada. Será sua terceira CAN, e as lágrimas na eliminação em 2017 mostram como o torneio é importante a ele.

Riyad Mahrez (Argélia) – A seleção argelina perdeu o embalo depois do estrago que causou na Copa de 2014. Muitos jogadores importantes entraram em declínio. Em compensação, Mahrez aumentou sua representatividade às Raposas do Deserto. O meia confirmou o seu alto nível na Premier League, mesmo que o primeiro ano com o Manchester City tenha guardado altos e baixos. Agora, terá a missão de justificar sua projeção na CAN, depois da eliminação na fase de grupos em 2017. Precisa deixar de lado as atitudes intempestivas que o brecam fora de campo.

Mbwana Samatta (Tanzânia) – Samatta é um bom candidato a herói alternativo nesta Copa Africana. O atacante de 26 anos protagonizou o retorno da Tanzânia ao torneio após 39 anos. Antigo ídolo do Mazembe, soma 17 gols com a seleção, contribuindo com dois tentos durante a campanha de classificação. Além do mais, o camisa 21 brilhou durante a temporada europeia. Anotou 32 gols em 51 jogos por todas as competições, fundamental na conquista do Campeonato Belga pelo Genk. Sem tanta badalação, é um nome para ficar de olho.

Victor Wanyama (Quênia) – A primeira participação do Quênia na Copa Africana desde 2004 também marcará a estreia de Victor Wanyama em competições internacionais. O volante é a grande figura de sua seleção, já com 12 anos de convocações. Sua estreia aconteceu quando tinha apenas 15 anos, em 2007, durante amistoso contra a Nigéria. Capitão desde 2013, a temporada europeia também o endossa. Com muita presença física e capacidade na proteção, auxiliou o Tottenham na campanha até a final da Champions.

Hakim Ziyech (Marrocos) – A seleção marroquina terminou a Copa de 2018 em alta, mesmo sem avançar no cascudo Grupo B. Chega à CAN entre as favoritas ao título, com um plantel de vários jogadores interessantes. E a aclamação ao redor de Ziyech aumentou, após a temporada mágica do meia com o Ajax. O camisa 7 jogou o fino com os Godenzonen e será um cara para decidir, em setor ofensivo bastante qualificado dos Leões do Atlas. Sobrou nas eliminatórias e, aos 26 anos, disputará a sua primeira Copa Africana.

Nicolas Pépé (Costa do Marfim) – Nenhuma seleção gera tantas dificuldades em se apontar o protagonista. Afinal, dentro de seu processo de renovação, a Costa do Marfim possui dois claros candidatos a craque: Wilfried Zaha e Nicolas Pépé. Juntos, não chegam a 20 jogos com os Elefantes. Compensam pelo talento e pelo momento, embora ambos ocupem preferencialmente na ponta direita. Pépé chega badalado do Lille, onde realmente destruiu nesta temporada. Contribuindo com gols e assistências, pode ganhar mais vitrine durante a CAN.

Lebo Mothiba (África do Sul) – A África do Sul já viveu momentos mais relevantes no futebol, em especial por seus jogadores representados em grandes ligas. Para esta CAN, o principal destaque é o centroavante Lebo Mothiba. Nascido em Joanesburgo, mudou-se à França quando tinha 18 anos e fez sua carreira no futebol local. Nesta temporada, encabeçou o ataque do Estrasburgo e teve papel decisivo na conquista da Copa da Liga. Aos 23 anos, vai para a sua primeira Copa Africana, embora tenha disputado as Olimpíadas em 2016.

Ronald Ketjijere (Namíbia) – A Namíbia retorna à Copa Africana após dez anos e confia em Ketjijere, seu capitão. O meio-campista de 31 anos não é exatamente uma estrela continental, mas serve de referência ao futebol de seu país. Com 64 partidas pelo time, construiu sua trajetória na África do Sul, embora atualmente jogue na liga local. E o exemplo vai além: enquanto defendia a Universidade de Pretória na Premiership, também se formou em Direito. O capitão concilia o futebol com a carreira de advogado e se despedirá da seleção durante a CAN.

Wahbi Khazri (Tunísia) – Uma boa notícia à Tunísia está na presença de Youssef Msakni, enorme talento que perdeu a Copa do Mundo por lesão. Ainda assim, a pecha de protagonista das Águias de Cartago permanece com Wahbi Khazri. O camisa 10 foi o grande destaque tunisiano no Mundial da Rússia e manteve a toada durante a Ligue 1, brilhando com a camisa do Saint-Étienne. Jogando em diversas posições na linha de frente ou como armador, somou 13 gols e seis assistências no Campeonato Francês. Esta será a sua quarta CAN.

Moussa Marega (Mali) – Mali agradece o auxílio oferecido pelo Red Bull Salzburg. O clube ajudou no desenvolvimento de Amadou Haidara e agora dá destaque a Diadie Samassékou. Revelação no Mundial Sub-20, Sékou Koïta é outro que pode brilhar no time em breve. Ainda assim, os garotos são um apoio a Moussa Marega, que chega com o status de estrela do time. Aos 28 anos, o centroavante une presença de área e uma atitude incansável, que ajudam bastante o Porto. Seus números na seleção são mais modestos, rumo à sua segunda CAN.

Wilson Eduardo (Angola) – Irmão mais velho de João Mário, Wilson Eduardo nasceu em Portugal, filho de pais angolanos. Defendeu as seleções de base lusitanas em todos os níveis, mas preferiu jogar por Angola no nível principal. Com muita rodagem em clubes médios e pequenos do futebol português, atualmente brilha no ataque do Braga. E, depois de ter a naturalização admitida, precisou de um jogo para fazer história pelos Palancas Negras. Logo em sua estreia, anotou o gol da classificação à fase final da Copa Africana.

Ismaël Diakité (Mauritânia) – Novata na Copa Africana, a seleção da Mauritânia não possui jogadores de grande destaque. Seus principais talentos estão limitados às divisões de acesso das principais ligas europeias ou campeonatos secundários. Diakité, ainda assim, merece créditos. O atacante de 27 anos atua no futebol tunisiano e carregou o país na façanha das eliminatórias. Anotou três gols na campanha, garantindo vitórias essenciais sobre Botsuana e Burkina Faso. Soma 43 partidas pela equipe nacional.

André Onana (Camarões) – A seleção de Camarões não contará com Vincent Aboubakar, grande destaque na CAN 2017 e que, retornando de lesão, será ausência no Egito. Os Leões Indomáveis, por mais que sejam os atuais campeões, não possuem um elenco tão badalado assim. E o técnico Clarence Seedorf confia bastante em André Onana, alçado recentemente ao posto de titular. O goleiro por vezes oscila, mas teve uma inegável importância na histórica campanha do Ajax na Liga dos Campeões. Aos 23 anos, não disputou a última Copa Africana.

Thomas Partey (Gana) – Olhar para o elenco de Gana é perceber aquilo que não aconteceu com os Estrelas Negras. Asamoah Gyan, André Ayew e outros medalhões permanecem no plantel, mas sem estourar como prometiam. Atualmente, o jogador em melhor fase é o meio-campista Thomas Partey. Peça importante no Atlético de Madrid, o jovem tende a ser um ponto de equilíbrio na seleção ganesa. Costuma exibir uma veia artilheira na equipe nacional, com sete gols em 17 partidas. Já esteve presente na CAN 2017.

Pelé (Guiné-Bissau) – O nome e o número 10 às costas da camisa podem indicar algo que não é. Mesmo assim, Pelé possui sua importância à equipe de Guiné-Bissau. Nascido em Portugal, jogou nas seleções de base do país e foi vice-campeão do Mundial Sub-20 em 2011. Chegou a se transferir ao Milan, sem que a carreira realmente decolasse. Volante de muita potência e avanços à frente, reavivou sua carreira no Rio Ave, mas não engrenou no Monaco e passou o último semestre emprestado ao Nottingham Forest. Seu peso à seleção tende a ser bem maior.

Stéphane Sessègnon (Benin) – Se o nome quente na convocação de Benin é o de Steve Mounié, atacante do Huddersfield Town, é preciso respeitar o que construiu Stéphane Sessègnon na seleção. O meia defende o país desde 2004, liderando as campanhas à CAN em 2008 e 2010. Construiu certo renome no futebol europeu, com passagens lembradas por Le Mans, Paris Saint-Germain, Sunderland e West Brom. Aos 35 anos, vive um momento mais modesto no Gençlerbirliği, mas preserva sua importância na seleção.