O Lens conta com uma das torcidas mais calorosas da França. O estádio do clube possui capacidade superior à população da cidade e, ainda assim, costuma estar cheio. Além disso, são frequentes as manifestações de amor pelo “sangue e ouro” nas ruas, mesmo que a fase não seja tão boa – os campeões franceses de 1998 atualmente ocupam posições intermediárias na segunda divisão. No entanto, o fervor dos torcedores não se limita apenas ao clube. Há 10 anos, o principal grupo de ultras do Lens é capaz de um grande gesto na época do Natal. Eles fazem doações e realizam um evento festivo com as crianças da ala infantil de um hospital da região.

O “Natal das Crianças” é organizado pelos Red Tigers. Neste ano, os ultras ampliaram as suas ações: deram 350 brinquedos às crianças internadas, além de fazerem outras 300 doações materiais para a pediatria e a psiquiatria infantil – como livros, jogos e cd’s. Um torcedor vestido de Papai Noel participou da visita, enquanto balões com as cores do Lens eram distribuídos entre os pacientes.

“Além de ajudar as crianças, nós quisemos valorizar neste ano as pessoas que cuidam delas. Ser ultra é amar o seu clube, mas também sua cidade e sua região. Se podíamos fazer qualquer coisa para ajudar as crianças doentes, então devíamos fazer. Estamos em uma região onde as pessoas têm grandes dificuldades. E, por questões de higiene, não podemos aceitar brinquedos usados. Porém, os torcedores do Lens demonstram uma generosidade impressionante. A maioria das doações são recebidas nos setores populares do estádio. É a prova de que não é o poder de compra que faz a generosidade”, declarou à revista So Foot o líder do grupo, Jérémy Sauvage.

Apesar da tradição da ação, o Lens não ajudou os ultras neste ano. Mas os torcedores contaram com o apoio espontâneo de quatro jogadores, que deram dinheiro e cartões de presente para as crianças, além de participarem do evento no hospital. Há dez anos, a visita permitiu até mesmo que um menino realizasse o sonho de entrar em campo junto com o time, graças à intervenção do ex-meia Éric Carrière.

“Eu sei o que uma criança doente sente quando o Papai Noel chega com presentes. Quando você vê uma criança que acabou de passar por um tratamento pesado sorrindo, esquecendo a sua doença durante duas horas… É apenas felicidade. E não podemos esperar para começar. Não há nenhum outro interesse nesta operação do que fazer as crianças felizes e alegres por algumas horas”, conclui Sauvage. Grande exemplo.