Quando Uganda se classificou à Copa Africana de Nações de 2017, a mera presença na fase decisiva do torneio já representava bastante. O país passou 39 anos longe da competição continental, até experimentar o seu retorno. E, mesmo sem vencer, não foi uma campanha ruim. No chamado “grupo da morte”, os ugandenses venderam caro as derrotas para Gana e Egito, além de arrancarem um empate contra Mali. Aquela jornada seria o primeiro sinal do que se prometia à seleção. O time deu trabalho aos egípcios nas Eliminatórias da Copa de 2018. Já neste sábado, de volta à CAN para a segunda participação consecutiva, os Grous conquistaram sua primeira vitória no torneio em 41 anos. Resultado enorme, ao desbancarem a República Democrática do Congo por 2 a 0, em duelo realizado no Cairo.

A grande força de Uganda é o seu sistema defensivo. O goleiro Denis Onyango é um dos melhores do continente e o time costuma se expor pouco. Não à toa, os ugandenses passaram cinco jogos sem tomar gols nas Eliminatórias da CAN e cederam apenas no último compromisso, quando já estavam classificados. De qualquer maneira, o ataque funcionou bem nessa estreia. Os Grous tiveram menos posse de bola, mas foram mais agressivos e efetivos em suas ofensivas. Construíram a vantagem antes do início do segundo tempo. Apresentaram uma equipe organizada, consciente e equilibrada.

A República Democrática do Congo ainda era favorita antes do jogo. Mesmo sem contar com medalhões de outros anos, possui jogadores mais tarimbados e boas peças em todos os setores. Os Leopardos até criaram as primeiras chances, mas não demorou para Uganda apresentar sua força pelo alto e abrir o placar. O primeiro gol saiu aos 14 minutos, em escanteio fechado cobrado por Farouk Miya, que o centroavante Patrick Kaddu desviou de cabeça. Os Grous aproveitavam o momento e seguiram jogando melhor. Levaram mais perigo, chegando a carimbar a trave com Micheal Azira antes do intervalo.

Já no início do segundo tempo, Uganda matou o jogo, em merecida diferença. Mais uma vez a bola aérea funcionou no Cairo. Miya cobrou falta pelo lado esquerdo, para Emmanuel Okwi emendar a cabeçada indefensável. Congo acordaria apenas depois disso, tentando pressionar os Grous. Cedric Bakambu tentava abrir os espaços e os Leopardos também acertaram o travessão, em uma cabeçada. Os esforços, contudo, não foram suficientes para romper a defesa ugandense. O trabalho era impecável, assegurando uma vitória essencial.

Uganda assume a liderança do Grupo A, superando o Egito no saldo de gols. Ambas as equipes somam três pontos. Já a República Democrática do Congo fica em situação delicada. Pegará os próprios egípcios no próximo compromisso, com a necessidade de reagir. Os ugandenses, por sua vez, surgem como favoritos ao embate com Zimbábue. Depois do vice-campeonato de 1978, podem chegar nas fases decisivas da CAN outra vez.

Ficha técnica

Uganda 2×0 República Democrática do Congo

Local: Estádio Internacional do Cairo, no Egito
Árbitro: Redouane Jiyed (MAR)
Gols: Patrick Kaddu, aos 14’/1T; Emmanuel Okwi, aos 3’/2T
Cartões amarelos: Bokadie, Bolasie (RD Congo), Jjuko (Uganda)
Cartões vermelhos: Nenhum

Uganda: Denis Onyango, Bevis Mugabi, Murushidi Jjuko, Hassan Wasswa, Godfrey Walusimbi; Micheal Azira, Khalid Aucho; Lumala Abdu (Isaac Muleme), Farouk Miya (Timothy Awanyi), Emmanuel Okwi; Patrick Kaddu (Allan Kyambadde). Técnico: Sebastién Desabre.

RD Congo: Ley Matampi, Issama Mpeko, Christian Luyindama, Marcel Tisserand, Arthur Masuaku; Merveille Bokadi; Meschak Elia, Chancel Mbemba (Jacques Maghoma), Paul-José M’Poku (Jonathan Bolingi), Yannick Bolasie (Britt Assombalonga); Cedric Bakambu. Técnico: Florent Ibenge.