Após pressão de clubes, Uefa se rende e Champions League adota VAR para a temporada 2019/20

Associação Europeia de Clubes (ECA) pressionou pela adoção do VAR, que foi aprovada no Comitê Executivo da Uefa para a próxima temporada da Champions

A pressão dos clubes funcionou. Depois da Associação de Clubes Europeus (ECA) pressionar pela adoção do VAR, a Uefa, ainda muito reticente ao uso da tecnologia, cedeu. Em reunião do Comitê Executivo da entidade nesta quinta-feira, 27, em Nyon, e determinou, entre outras coisas, o uso do VAR a partir da próxima temporada, 2019/20.

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O VAR será usado a partir da fase playoffs (a última fase preliminar antes da fase de grupos). Também será usada na Supercopa da Uefa, que será jogada em Istambul em 2019, e também na Eurocopa de 2020. A Uefa planeja também usar o VAR a partir da fase de grupos na edição 2020/21 da Liga Europa e também nas finais da Liga das Nações em 2021.

“Nós estamos confiantes que introduzir o Árbitro Assistente de Vídeo em agosto de 2019 nos dará tempo suficiente para implantar um sistema robusto e treinar árbitros para garantir uma implementação eficiente e bem-sucedida do VAR na Champions League, a principal competição de clubes do mundo”, disse Aleksander Ceferin.

Aleksander Ceferin, da Uefa (esq.) conversa com o presidente da Fifa, Gianni Infantino (Photo by Alexander Hassenstein/Getty Images)

Os clubes já tinham se posicionado a favor do VAR através da ECA, algo que mostra um pouco da diferença para o Brasil em termos de organização dos clubes. Embora, claro, os clubes maiores é que dão as cartas, mas há uma representatividade maior. A associação representa, atualmente, 220 clubes e é quem normalmente faz pressão pelas maiores mudanças, como, por exemplo, a revisão do calendário de jogos de seleções a partir de 2024. Além disso, pedia a adoção do VAR.

O movimento dos clubes era tamanho que se cogitou até o uso do VAR a partir das oitavas de final da Champions League, algo que o presidente da Uefa rapidamente desmentiu. Porém, ficou claro que ele não poderia adiar muito a decisão. Assim, colocou em pauta a adoção do VAR no Comitê Executivo, que tem representantes dos clubes, da Fifa e das ligas.

A Uefa, assim como a Premier League, é bastante reticente ao uso do VAR. Das cinco grandes ligas europeias, a inglesa foi a única a não adotar o uso dessa tecnologia – embora use a tecnologia na linha do gol, que detecta quando a bola ultrapassa a linha para definir se foi gol ou não. Algo que é usado pela Fifa na Copa do Mundo desde 2014.

Vendo tudo isso, pensamos: quando será que adotaremos o VAR por aqui, sem que a CBF empurre o custo totalmente para os clubes? Mais do que isso: quando os clubes serão organizados e unidos assim para reivindicarem suas pautas junto às entidades, como é o caso da Uefa? Vale lembrar: quando houve uma tentativa de criação de Liga das Américas, representando os clubes, os brasileiros, especialmente os paulistas, abandonaram a causa. Mandaram como representante Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista. Um presidente de federação representando os clubes em reuniões sobre associações de clubes. Aí realmente é difícil de acreditar que algo poderá mudar por aqui.