Uefa e Conmebol anunciaram nesta quarta-feira, 12, um acordo para colaboração mútua em áreas que são chave no futebol, como arbitragem, a formação de treinadores – com formação de cursos e reconhecimento dos formados na América do Sul para a Europa – e o desenvolvimento do futebol feminino e de base. Além disso, há a ideia de retomar partidas intercontinentais, que não seria só no futebol masculino, mas também no feminino e na base. Sim, estamos falando sobre uma possível volta da Copa Intercontinental.

“Uefa e Conmebol possuem uma longa história juntos, notadamente pelas épicas e emocionantes competições como o Troféu Artemio Franchi e a Copa Europeia/Sul-Americana”, afirmou Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, se referindo à Copa Intercontinental, disputada entre 1960 e 2004 e que se tornou conhecido como Mundial de Clubes no período.

A Fifa criou o seu Mundial de Clubes e teve a edição inaugural em 2000, quando foi disputado no Brasil, mas não houve continuidade. A história só seguiu a partir de 2005, quando a Copa Intercontinental foi assumida pela Fifa e expandida, incluindo todos as Confederações (além de Uefa e Conmebol, Concacaf, AFC, CAF e OFC).

A partir de 2021, o Mundial de Clubes da Fifa será um torneio de 24 clubes, ocupando o lugar da Copa das Confederações no calendário. O torneio não agrada muito os europeus, com os clubes da Associação de Clubes Europeus (ECA, da sigla em inglês) já se manifestou contra e ameaçou boicotar o torneio. A Uefa terá oito clubes e a Uefa não gosta muito da ideia de ver seus principais protagonistas da Champions League em um torneio da Fifa. Até por isso, a ideia de uma volta do Intercontinental, que acabaria sendo um concorrente direto, pode ganhar força.

Este, porém, é só um aspecto do Memorando de Entendimento entre as duas confederações. “O acordo de hoje marca um primeiro passo em permitir que Uefa e Conmebol cooperem de forma próxima, para que possamos compartilhar expertise e conhecimento para o desenvolvimento do jogo nos dois continentes”, continuou o dirigente da Uefa. “Eu gostaria de agradecer ao Conselho da Conmebol por vir nos visitar e por muitas boas ideias que eles trouxeram à mesa”.

“Nós temos trabalhado por meses nisso para termos uma reunião muito construtiva e proveitosa hoje, e eu estou satisfeito que a Conmebol e a Uefa concordaram em cooperar ainda mais em vários aspectos”, disse Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol. “Juntos podemos fazer muito pelo desenvolvimento do futebol e eu estou muito feliz e ansioso para esta colaboração melhorada. Este é só o começo”.

O Memorando de Entendimento inclui colaboração em diversas áreas do futebol: educação, formação e desenvolvimento técnico e de arbitragem; a promoção e desenvolvimento do futebol de base, juvenil e feminino; a organização de competições de futebol masculino, feminino e juvenil, assim como futsal; segurança e proteção; promoção de princípios éticos e de boa governança no futebol.

Destacamos abaixo os pontos que as duas confederações anunciaram a cooperação e que tem potencial grande de trazer benefícios mútuos e que foram descritos por Conmebol e Uefa:

Arbitragem

A Uefa e a Conmebol concordaram em implantar um programa de cooperação de arbitragem, na qual árbitros das duas organizações serão indicados para dirigir partidas internacionais em cada continente com uma visão de dar mais experiência para os árbitros.

Com esse programa, é possível que vejamos árbitros da Uefa indicados para a fase de grupos da Copa América 2020 e árbitros da Conmebol indicados para a fase de grupos da Eurocopa 2020. Além disso, haverá trocas similares entre a Uefa Champions League e a Copa Libertadores, além de Liga Europa e Copa Sul-Americana.

Partidas intercontinentais

Um dos pontos que mais chama a atenção é a possibilidade de termos novamente os jogos da Copa Intercontinental. Só que não é só isso. Segundo divulgado, Uefa e Conmebol estudam a realização de jogos no futebol masculino, feminino e nas categorias de base. A possibilidade foi discutida e será examinada por um comitê conjunto entre Uefa e Conmebol nos próximos meses.

Isso significa que não só podemos voltar a ter a Copa Intercontinental, que era realizada entre os campeões da Copa Libertadores e da Champions League, mas também poderemos ter versões para o futebol feminino, já que existem as competições também nesta categoria, além da base.

Futebol feminino

As duas confederações irão trabalhar em estratégias conjuntas para o desenvolvimento do futebol feminino em federações individuais, e cooperar na criação de conceitos comerciais e redes.

Formação de técnicos

Um dos pontos mais reclamados pelos técnicos brasileiros, com razão, é que falta reconhecimento aos cursos locais fora do Brasil, especialmente na Europa. Isso pode estar com os dias contados.

O acordo entre Uefa e Europa criou um grupo de trabalho que irá avaliar um critério mínimo na Convenção de Técnicos com uma visão para o futuro reconhecimento mútuo das qualificações de treinador.

Especialistas técnicos irão avaliar a implantação de cursos de técnicos e a introdução de cursos de treinamento e a introdução de um programa de intercâmbio de estudantes da Licença Pro, que permita a participação em conferências ou seminários e torneios como observadores técnicos.

Tudo isso significa que é possível que, enfim, tanto Uefa quanto Conmebol troquem informações e montem um curso de treinadores que possa valer para os dois lados – daqui para lá, tanto quanto de lá para cá. Os cursos da Uefa são amplamente reconhecidos mundialmente, até porque foram criados há muito mais tempo.

A Conmebol está muito atrás nesse aspecto, mas mesmo assim, é possível que os dois possam contribuir com suas experiências. O intercâmbio de ideias pode criar um curso com programa conjunto que complemente o que já existe na Europa e crie um curso de fato relevante na América do Sul. Veremos o que sai disso, mas a ideia parece excelente.

Desenvolvimento

Uefa e Conmebol também fizeram um acordo para trabalhar de forma mais próxima nos programas de desenvolvimento de jogadores jovens, com foco em preparar os jogadores do mais alto nível para carreiras profissionais internamente e no exterior e providenciar jogadores da melhor qualidade para os clubes nacionais, desenvolver personalidades de jogadores, melhorar o treinamento e desenvolver redes nacionais de observação.