Todos os anos, a revelação da divisão de ingressos da final da Champions League causa revolta por causa da pequena porcentagem destinada aos torcedores de fato dos times finalistas – este ano, o Wanda Metropolitano, por exemplo, receberá apenas 34 mil torcedores de verdade, com os 25.500 dos 29.500 lugares restantes ficando com comitês de organização, associações e Uefa, além de parceiros comerciais e de transmissão. Na Liga Europa, a situação é ainda pior.

Embora 37.500 ingressos tenham sido disponibilizados a torcedores de todo o mundo para a final da competição, em um estádio com capacidade liberada de 64 mil pessoas, os torcedores das equipes envolvidas, Arsenal e Chelsea, receberão apenas seis mil cada. A justificativa não exatamente melhora a situação: a Uefa diz que Baku não suporta a chegada de mais torcedores de fora.

Defendendo que sua decisão foi responsável, a entidade europeia recorreu à sua experiência nos anos anteriores em sedes de tamanho comparável com Baku para justificar a estratégia, afirmando também que é impossível prever antecipadamente quais clubes irão alcançar a final, “enquanto o local precisa ser escolhido dois anos antes” – como se o número de clubes capazes de levar mais do que isso para uma final fosse pequeno.

“Levando isso em consideração e, mais importante, a localização geográfica e a capacidade logística dos aeroportos dentro e ao redor da cidade-sede, foi considerado que cerca de 15 mil espectadores seriam capazes de viajar vindos de fora, com Baku como o principal centro.”

“Oferecer mais ingressos aos torcedores dos times participantes, sem qualquer garantia de que eles poderiam arranjar viagens apropriadas até Baku, portanto, não era uma opção responsável”, completa a associação.

O que não dá para entender é como a Uefa não levou em consideração a localização geográfica e a capacidade logística dos aeroportos dentro e ao redor da cidade-sede antes de escolher a cidade-sede. A eleição de Baku, sem tradição de futebol, para sede da final da Liga Europa já não fez sentido anos atrás, mas acaba de ganhar uma nova camada de nonsense diante de tamanha alienação dos torcedores dos clubes envolvidos.