A Uefa anunciou na quinta-feira (18), depois de uma reunião por videoconferência, que aprovou uma série de medidas de emergência para o Fair Play Financeiro, de forma a compensar as perdas dos clubes devido à pandemia do novo Coronavírus. Embora vá afrouxar as regras, a entidade seguirá seu escrutínio para garantir que ninguém abuse da situação.

Originalmente, o Fair Play Financeiro permite que os clubes registrem uma perda de no máximo € 30 milhões em um período de três anos, contanto que os proprietários arquem com € 25 milhões deste valor.

No esforço para se adaptar à realidade da pandemia, a Uefa decidiu que o ano fiscal de 2020 não será avaliado como previsto, em vez disso, sendo revisto junto com o relatório de 2021. Ademais, o período de observação de 2020/21 será encurtado, cobrindo apenas dois anos fiscais, aqueles terminados em 2018 e 2019. Por consequência, o monitoramento de 2021/22 será estendido, abrangendo quatro anos fiscais: 2018, 2019, 2020 e 2021. A Uefa acrescenta que 2020 e 2021 serão avaliados como um só período.

Nesses dois anos fiscais em um só, perdas extras causadas pela crise da Covid-19 poderão ser cobertas pelos proprietários, seja injetando seu próprio dinheiro, fazendo empréstimos ou vendendo ações dos clubes. No entanto, apenas certas fontes de receitas entram nesta lista de permissão: bilheteria, patrocínios, direitos de transmissão e atividades comerciais. Além disso, quedas de arrecadação de premiações da Uefa decorrentes da pandemia também fazem parte da relação.

Os clubes, portanto, poderão apresentar déficits superiores a € 30 milhões, contanto, é claro, que possam provar que eles sejam consequências da pandemia. Segundo a Uefa, a intenção dessas medidas urgentes é “dar aos clubes mais tempo para quantificar e contabilizar perdas inesperadas de receitas”.

As providências já eram esperadas há algum tempo e vieram com as ressalvas necessárias para evitar abuso por parte de clubes que poderiam ver a situação excepcional como oportunidade de fazer a farra e limpar as contas.

Violar o Fair Play Financeiro pode custar participações em competições organizadas pela Uefa, além de multas na casa de dezenas de milhões de euros. Mais recentemente, o City foi punido por supostamente inflar sua receita com patrocínios entre 2012 e 2016. O clube ainda pode recorrer da decisão, mas, por ora, está fora da Champions League pelas próximas duas temporadas.