Os documentos revelados pelo Football Leaks ao longo das últimas semanas colocaram em xeque os procedimentos do Fair Play Financeiro. Diferentes clubes manifestaram seu descontentamento por cumprirem à risca às determinações, enquanto Manchester City e Paris Saint-Germain se beneficiaram através das relações escusas com Gianni Infantino, então secretário geral da Uefa. E diante da pressão, a entidade continental admite rever os documentos e balanços apresentados pelos clubes. Conforme apuração feita pelo Telegraph, a Uefa está disposta a reabrir o caso.

O Fair Play Financeiro pode analisar os procedimentos relacionados ao ano de 2014 -no qual o City conquistou a Premier League. Os documentos divulgados pelo Football Leaks e investigados pela revista alemã Der Spiegel mostram uma série de irregularidades na gestão do clube, com diferentes métodos para burlar o controle estabelecido pela Uefa e provocar um “doping financeiro”. Em 2014, os Citizens chegaram a ser punidos por não atenderem às normas, embora dados ocultados do FPF não permitiram que a devida pena fosse aplicada.

 

Desta maneira, a intenção da Uefa é rever o que aconteceu em 2014, aplicando a punição a partir dos novos detalhes fornecidos pelo Football Leaks. Na época, o City recebeu uma multa de £49 milhões, além de ter o número de jogadores restrito para a disputa da Liga dos Campeões nas duas temporadas seguintes. Também se tornaram maiores as limitações quanto aos gastos em contratações e à folha salarial. Na época, o Manchester City fez o seu teatro. Disse que considerou lutar nos tribunais contra a Uefa, mas resolveu aceitar para não sofrer as consequências. Três temporadas depois, a Uefa devolveu £33 milhões à agremiação, por ter cumprido o acordo firmado com o Fair Play Financeiro.

A Uefa ainda não apontou se poderá investigar também outros anos nos quais o Manchester City feriu o regulamento, mas passou incólume. A entidade também se movimenta para reabrir as sanções contra o Paris Saint-Germain, que já acionou o Tribunal Arbitral do Esporte para defender os seus interesses. Clubes italianos e espanhóis estão entre os que se manifestaram nestes primeiros dias, pedindo uma aplicação mais justa do FPF.

Em nota oficial, o Manchester City negou as afirmações publicadas pela Der Spiegel. Segundo o clube, elas fazem parte de uma tentativa “clara e organizada” de manchar a reputação de sua gestão. Já a Uefa preferiu se abster de comentários iniciais, por conta das obrigações de confidencialidade. Através de um comunicado, a confederação reiterou seu compromisso com o FPF e declarou que isso depende das informações fornecidas pelos clubes. “Se novas informações forem reveladas, a Uefa as usará para contestar os números e buscará a explicação do clube em questão. Se indicarem que os casos foram fraudados, eles serão reabertos”, apontou.


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