Ricardo Ferretti de Oliveira. Um nome um tanto quanto desconhecido no Brasil, mas considerado uma lenda no futebol mexicano. “Tuca”, como é chamado por lá, revolucionou a forma de atuação dos treinadores em solo azteca e o próprio respeito que os mexicanos nutrem pelos técnicos de seus clubes. No comando do Tigres, tradicional clube do estado de Monterrey, o brasileiro elevou o clube ao status de candidato regular ao título, presença frequente na Liguilla e capaz de brigar de igual para igual com qualquer clube do país, cavando seu lugar entre os grandes.

Em um mercado instável, repleto de trabalhos de curta duração e interrupção de “projetos” com a demissão de treinadores, Tuca notabilizou-se pelas longas estadias nos grandes do futebol local. Não à toa, todos os projetos desenvolvidos a longo prazo por Ferretti culminaram em títulos nacionais.

Formado nas categorias de base do Botafogo, na década de 1960, Ricardo Ferreti somou ainda passagens por Vasco e Bonsucesso, antes de rumar para o até então desconhecido futebol mexicano com apenas 23 anos. Em solo azteca, passou o restante de sua carreira, defendendo, durante 14 temporadas, clubes tradicionais como Atlas, Monterrey, Toluca e UNAM. Foi no Pumas, inclusive, que viveu a melhor fase de sua carreira, conquistando dois campeonatos mexicanos e duas Copas dos Campeões da Concacaf (atual Concachampions), tornando-se o segundo maior artilheiro da história do clube, com 182 gols marcados.

Após deixar sua marca dentro de campo, Tuca tomou o caminho do banco para tornar-se ainda mais admirado no país como treinador. Com trabalhos duradouros, mesclando a contratação de estrangeiros experientes com a descoberta de bons nomes das categorias de base das equipes que comandou, Ferretti soma três títulos mexicanos e um continental em pouco mais de duas décadas de carreira. Por mais que os títulos sejam a face mais visível de seu sucesso no México, a forma de atuar, o respeito e a visibilidade alcançadas pelo clube seja, talvez, a maior herança que o brasileiro mantém. Além, é claro, da impressionante regularidade, a principal marca de sua carreira.

Desde que o sistema de torneios curtos foi implantado no futebol mexicano, em 1996, El Tuca esteve presente em absolutamente todas as 34 edições da Liga MX, sendo o segundo treinador com mais partidas dirigidas na história da Primera División, atrás apenas do mexicano Ignacio Trelles. Com uma impressionante média de 27,7 pontos por torneio, acumula marcas como alcançar os playoffs em sete dos oito torneios em que esteve no comando do Chivas e ostentar a Superliderança geral da fase regular em quatro edições, três delas dirigindo seu atual clube.

Dois de seus três títulos nacionais colocaram fim a duradouros jejuns de seus clubes: a conquista do torneio de Verano, em 1997, salvou um pouco do orgulho do Chivas, no que ficou conhecida como uma das piores décadas do maior clube do futebol azteca. Já em 2011, o triunfo no Apertura pôs fim à fila de quase três décadas sem conquistas nacionais do Tigres, devolvendo o orgulho à metade azul e dourada de Monterrey.

A fórmula de Ferretti é simples, porém difícil de ser colocada em prática por treinadores de clubes aztecas: campanhas regulares, com seu clube se postando sempre entre os primeiros, brigando pela liderança e buscando confirmar a vaga na Liguilla com antecedência, a fim de preparar-se para a disputa do mata-mata. A ideia básica é que estando sempre próximo da briga pelo título, acostumando-se a duelos decisivos e sem grandes reformulações em eventuais reveses, a taça inevitavelmente seja alcançada.

A simplicidade da fórmula contrasta, obviamente, com a pressão por conquistas e boas campanhas dos grandes mexicanos, bem como as constantes trocas de comandos diretivos nos clubes aztecas. Percalços com os quais Ferreti vem sabendo lidar. Atual líder Clausura da Liga MX, o Tigres de Tuca mantém a invencibilidade com uma boa dose de empates, sem preocupar-se com exibições vistosas, ainda que por vezes elas despontem, uma vez que o time é dono do melhor ataque.

Apostando numa mescla de estrangeiros veteranos (o zagueiro Juninho, os meias Lobos e Salcido e os atacantes Luis García e Emanuel Villa) com jovens mexicanos talentosos (Jiménez, Torres Nilo, Elías Hernández e Alan Pulido), o brasileiro montou um dos melhores elencos do futebol azteca e promete brigar novamente pela taça. Pode até ser que ela não venha, mas os felinos de Tuca certamente estarão perto dela novamente. E é justamente essa certeza de sempre brigar pelo título que faz com que o clube tenha uma das melhores médias de público nos últimos anos e eleva o status de Tuca a ídolo e lenda viva do futebol azteca.

Curtas

– Seleção da 13ª rodada site Mediotiempo: Hugo Hernández (Puebla), Iván Pérez (San Luis), Luis Perea (Cruz Azul), Darío Verón (Pumas UNAM) e Miguel Layún (América); Javier Cortés (Pumas UNAM), Efraín Velarde (Pumas UNAM), Nicolás Bertolo (Cruz Azul) e Jorge Rodríguez (Jaguares); Rafael Márquez Lugo (Chivas de Guadalajara) e Juan Carlos Cacho (Toluca); T: Gerardo Silva (San Luis);

Costa Rica

– Mesmo derrotado em casa, pelo Saprissa, o Cartaginés manteve a ponta folgada no Campeonato de Verano da Primera División, com 34 pontos em 17 partidas. Algoz do líder, o Saprissa assumiu a terceira colocação, com 28 pontos. A vice-liderança é do Pérez Zeledón, que bateu o Carmelita e também soma 28 pontos, mas com um jogo a menos que os rivais. Herediano, com 27 pontos, e Alajuelense, com 25, completam o grupo dos cinco primeiros;

El Salvador

– Com um triunfo no Clásico Centro-Occidente, o Alianza assumiu a liderança do Clausura da Liga Mayor, com 27 pontos em 13 jogos, ultrapassando justamente o rival derrotado FAS, que estacionou nos 26 pontos com seu segundo revés na semana. Em terceiro aparece o Santa Tecla, que superou o Águila e soma 23 pontos, seguido pelo Luis Ángel Firpo, com 22;

Guatemala

– Com a rodada marcada pelo Superclásico guatemalteco, a Liga Nacional viu a confirmação da fase atual dos dois maiores clubes do país: em duelo de três expulsões, o Comunicaciones superou o Municipal por 2×0 e manteve a liderança com 27 pontos em 13 jogos, afundando o rival na lanterna, com apenas 7 pontos somados;

– Na briga pela segunda posição, o Heredia contou com dois gols do brasileiro Igor de Souza para bater o Malacateco e ultrapassar os rivais na vice-liderança do Clausura, com 24 pontos;

Honduras

– O Olímpia contou com semana inspirada do jovem atacante Roger Rojas para vencer Platense (2×0) e Real España (3×0) e disparar na ponta do Clausura da Liga Nacional, com 31 pontos em 16 partidas. Mesmo superada pelo Platense, a Real Sociedad manteve a segunda posição, com 26 pontos;

Panamá

– Pela segunda rodada consecutiva o San Francisco foi derrotado, dessa vez pelo Sporting San Miguelito, e viu a liderança do Clausura da Liga Panamenha ameaçada. Mas o tropeço do Árabe Unido, que empatou em casa com o Plaza Amador, manteve os Monjes no topo com 25 pontos em 13 jogos, contra 24 do Árabe e 23 do Río Abajo, que não saiu do zero na partida contra o Alianza.