Chegamos à oitava rodada do Campeonato Brasileiro e continuamos vendo alguns desafios aos prognósticos. O Botafogo é líder, embora seja um time que muitos apontaram como candidato ao título. O Coritiba é o segundo e é o único invicto. São Paulo e Fluminense, dois times que foram fortes nos últimos anos, já estão entre os que mais perderam nessas primeiras rodadas, só à frente do Náutico nesse quesito. O Corinthians segue no meio da tabela, mesmo depois de abraçar o Brasileirão com exclusividade. Mas o que marcou mesmo foi o truque do chapéu (hat trick, para os leigos) de Luanel Messi contra o São Paulo no Morumbi, com direito a sacanagem na entrevista depois. E teve muito mais, por isso falamos aqui:

Craque é craque e vice-versa

A frase acima é uma adaptação livre da épica frase “clássico é clássico e vice-versa”, atribuída ao lendário Jardel, ex-Grêmio, embora ele negue veementemente a autoria. De qualquer forma, se aplica para dizer que Alex foi, novamente, o destaque do Coritiba no empate por 2 a 2 com o Santos. Os dois gols foram do camisa 10, quando o time estava perdendo. E aos 35 anos, Alex lidera o grupo de veteranos do Brasileirão, que estão desfilando sua classe nos gramados por aqui. Há quem peça o craque na Seleção Brasileira. Não é um absurdo, ainda que seja altamente improvável. De qualquer jeito, fica aí o pedido da galera, Felipão. Aliás, falamos especificamente do quanto Alex tem sido decisivo nos últimos anos aqui.

A virada

A Portuguesa já briga para não cair e teve um começo promissor na partida ao abrir o marcador mesmo jogando no Serra Dourada. Mas os passes de Walter e os gols de Renan Oliveira levaram o Goiás à virada por 2 a 1, conquistando assim a terceira vitória dos alviverdes no campeonato. Já a Lusa acumula a terceira derrota e só venceu uma vez, o que a coloca na penúltima posição.

Lei do ex

Para quem não conhece, a lei do ex diz que todo ex-jogador de um clube tem grandes chances de marcar um gol contra o seu ex-clube. Ainda mais se for ídolo. Juan, zagueiro que já foi da seleção brasileira, marcou o gol da vitória por 1 a 0 do Internacional sobre o Flamengo, em Caxias. Não comemorou. Mas a lei do ex se fez novamente presente.

É o destino

O Fluminense estreou como mandante no novo Maracanã e tinha tudo para fazer uma festa. Como diria Garrincha, faltou só combinar com os russos. No caso, o reizinho Juninho Pernambucano, que voltou ao Vasco para comandar o time na vitória por 3 a 1 sobre os rivais tricolores. O Fluminense, mesmo tendo um elenco bastante bom, vem apresentando um futebol sofrível. E sofreu nas mãos de Juninho e, pasmem, André. Ele mesmo, ex-Santos. O centroavante jogou muito bem.

Tomou?

No Morumbi, poucos esperavam uma vitória por 3 a 0 do Cruzeiro, mesmo com a péssima fase do São Paulo. Mas foi o que aconteceu. Mas esse não foi o pior. O pior mesmo foi que o autor dos três gols foi Luan, aquele, ex-Palmeiras. Tá certo que ele não é ruim como as piadas fazem parecer, mas cá entre nós, não é comum que ele marque três gols. Só que o melhor mesmo foi Martinuccio, aquele mesmo, ex-Peñarol e Fluminense, que entrou no segundo tempo e criou as duas jogadas do segundo e terceiro gols da Raposa, que mataram o jogo. Como se não bastasse ter feito três gols, Luan foi além. Na entrevista após o jogo, ainda no campo, disse que estava na torcida para o São Paulo não ser rebaixado. Para lembrar um clássico comercial da Parmalat, que tem tudo a ver com o Palmeiras, ex-clube de Luan, cabe dizer: tomou?

Aquaplanagem

O confronto entre Corinthians e Atlético Paranaense foi embaixo de uma água pesada. No primeiro tempo, era tanta poça que praticamente os jogadores tinham que carregar a bola fazendo embaixadas. Sim, é verdade que isso prejudica muito a qualidade do jogo. Sim, também é verdade que no segundo tempo melhorou. Também é verdade que o Atlético Parananese jogou melhor e tentou mais a vitória no segundo tempo que o Corinthians. E sim, é verdade que os paranaenses lamentaram mais o empate que os paulistas, que novamente apresentaram pouco de futebol. Sim, é verdade que o Corinthians é só o 13º. E, por fim, sim, o Atlético Paranaense faz campanha de rebaixado e é só 18º colocado.

Minha casa, minha vida

O Criciúma vive o curioso caso da equipe que não pontua fora de casa. É impressionante, mas é verdade. Em cinco jogos em casa, foram três vitórias, um empate, contra o Goiás, e uma derrota, para o Flamengo. No mais, vitórias contra Bahia, Santos e no sábado contra o Grêmio, 3 a 1. O Grêmio tropeça de novo quando precisava vencer. E o Tigre já sabe que terá que continuar somando pontos em casa se quiser escapar do rebaixamento.

Estancou

Vitória e Bahia não saíram de um 0 a 0 em Salvador, o que não pode ser considerado ruim para os tricolores. Afinal, nos últimos clássicos foram duas sonoras goleadas do rival. No Campeonato Baiano, foram três derrotas e um empate, sendo duas goleadas pra lá de humilhantes: 5 a 1 e 7 a 3. O empate no último jogo só veio porque o título já tinha sido definido. Mas o empate desse fim de semana foi muito mais significativo. O time do excelente Cristóvão Borges mostra que é um time bem melhor a essa altura do ano.

Os reis das derrotas

São apenas oito rodadas do Campeonato Brasileiro, mas Náutico, São Paulo e Fluminense já acumularam uma boa série de derrotas. O Náutico perdeu seis jogos em oito, o São Paulo perdeu cinco jogos em nove e o Fluminense perdeu cinco jogos em oito. O Náutico é lanterna e o São Paulo só não está na zona do rebaixamento por ter um jogo a mais. Em aproveitamento, fica atrás da Ponte Preta (33,3% da Macaca contra 29,6% do tricolor paulista). O Náutico chegou à sexta derrota ao enfrentar uma das melhores equipes do Brasileiro, o Botafogo, em São Januário – o que já torna o Timbu um candidato sério e América-RN, aquele que teve a pior campanha dos pontos corridos.