O Fluminense talvez seja o time que tenha mais surpreendido depois da Copa do Mundo pelo ótimo futebol que apresentou. Tornou-se um concorrente forte para o Cruzeiro e vinha de três vitórias seguidas. Era, portanto, totalmente favorito no jogo contra o Coritiba, que luta contra o rebaixamento, no sábado à noite. Mas não venceu. O 1 a 1 no Maracanã pode ser surpreendente olhando o retrospecto, mas foi absolutamente natural no jogo. Assim como o Cruzeiro em Criciúma, o time fez o seu jogo, mas em uma noite que não houve qualquer inspiração e as jogadas não saíram, os dois ficaram em empates frustrantes.

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O líder Cruzeiro foi a Criciúma e enfrentou um time que, como esperado, teve muita vontade. Jogar no estádio Heriberto Hulse é uma tarefa dura, mesmo que o time do Criciúma não seja de um nível tecnicamente alto. Os cruzeirenses tiveram a posse de bola, também como esperado, criou boas chances, mas não foi suficiente. Se o Cruzeiro chutou 13 vezes a gol (cinco delas no alvo), o Criciúma chutou 11 (só uma certa).

O Criciúma não teve uma boa atuação ofensiva, mas defensivamente foi muito bem, especialmente o goleiro Luiz, o zagueiro Fábio Ferreira e o lateral direito Eduardo, além do volante Serginho, principal responsável por proteger a defesa. O Cruzeiro também teve uma atuação defensiva bastante segura, desde o goleiro Fábio, passando pelo lateral direito Mayke, os zagueiros Dedé e Léo, o lateral esquerdo Egídio até o volante Nílton, o jogador de meio-campo mais recuado.

Ofensivamente, o maior destaque do jogo foi Everton Ribeiro. Foi ele o principal jogador de armação do time azul e conseguiu uma grande jogada no segundo tempo que não acabou em gol por pouco. Depois de fintar Serginho, ele chutou colocado e a bola bateu na trave. No rebote, Marcelo Moreno tocou para dentro e Willian marcou, mas o árbitro anulou por impedimento.

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No Maracanã, equilíbrio surpreendente

Empatar com o Coritiba em casa é um tropeço, sem dúvida. O Fluminense não conseguiu impor o seu jogo de passes como vinha fazendo em outros jogos. Welinton e Leandro Almeida, os dois zagueiros do Coxa, fizeram ótima partida, assim como o lateral esquerdo Dener. Vanderlei também fez boas defesas. O Coritiba, mesmo lá embaixo na tabela, igualou um jogo duro com o Fluminense e conseguiu criar perigo. O Flu poderia ter vencido graças à alguma jogada individual, já que talento não falta com os homens de frente, Cícero, Wagner, Conca e Rafael Sóbis. Não aconteceu. Com os espaços fechados, o Fluminense conseguiu ameaçar em bolas paradas, mas o gol da vitória não veio no final.

Curiosamente, os dois times jogaram sem centroavante. Sóbis foi o jogador mai avançado do Flu, enquanto Alex se posicionou como atacante no Coritiba. Os dois times tentaram trocar passes, mas dividiram bastante a posse de bola. O Coritiba conseguiu fechar os espaços e ainda ameaçar o gol de Diego Cavalieri.

Os empates contra adversários mais fracos são tropeços de Cruzeiro e Fluminense, claro, mas não quer dizer que não sejam dois dos times mais fortes do campeonato. Assim como não se pode sair por aí dizendo que Cruzeiro e Fluminense imitam o jogo da Alemanha, também é preciso segurar a onda quando um resultado adverso acontece. Os times são muito fortes, mas eventualmente encontrarão adversários bem armados, organizados, e que sabem aproveitar as chances que têm.

O que dá para dizer depois de vermos resultados como esses de sábado é que embora sejam times fortes, Cruzeiro e Fluminense não devem brigar sozinhos pelo título. Resta saber se Internacional e Corinthians, os perseguidores mais próximos, conseguirão aproveitar a chance para embolar mais a briga.