Numa visão holística pelas principais ligas asiáticas é fato a importância que os veteranos tem para suas equipes. Todos os clubes que estão em melhor situação atualmente em algum certame nacional ou prestes a ganhar algum título possuem um jogador com mais de 30 anos que é o sustentáculo do time. São os ‘trintões de luxo’ do futebol asiático.

No Japão, onde o implacável Urawa Red Diamonds vive sua melhor fase em 57 anos de história, tem em Nobuhisa Yamada, ala-direito, 32 anos, o grande símbolo da equipe. Ele é o capitão dos atuais líderes da J-League e veste a camisa dos ‘Reds’ há 13 anos, contabilizando mais de 400 jogos pelo clube de Saitama.

Ainda no extremo-oriente, na Coréia do Sul, o Seongnam Ilhwa Chunma esta na ponta da K-League e tem a defesa menos vazada. O grande líder do reparto defensivo do ‘Pegasus’ é o goleiro Kim Hae-Woon, de quase 34 anos. Discreto e linearmente competente, é um dos melhores arqueiros do país.

Não só os veteranos locais brilham. Nas fantásticas rodadas finais da Chinese Super League emerge o zagueiro hondurenho Samuel Caballero, do líder Changchun Yatai.
O possante defensor – que esteve em campo na memorável vitória de Honduras contra o Brasil na Copa América 2001 – é indiscutível no ‘onze’ inicial. Aos 32 anos e com passagem pelo futebol italiano, é a figura mais mediática do time da província de Jilin.
Mais ao oeste do continente, entrando nos domínios da Persian League, o Campeonato Iraniano de futebol, onde o tradicional Persepolis lidera sob a batuta do maestro Karim Bagheri.

O “Zidane do Irã” é o elemento mais recuado no meio-campo e inicia as jogadas ofensivas do 4-3-3 montado pelo técnico Afshin Ghotbi. Aos 33 anos, o ex-líbero do Arminia Bielefeld, da Alemanha, nos anos 90, é dono de um dos toques mais refinados da mágica terra dos aiatolás.

Os árabes também tem uma palavra a dizer quando observamos o Al Ittihad, de Jeddah, líder da Saudi Premier League. O ‘itti’, como é chamado na Arábia Saudita, se escora defensivamente na experiência do zagueiro Redha Tukar, 32 anos.

O jogador da seleção saudita jogou as últimas duas copas e é apontado como o melhor zagueiro do país, mesmo fazendo dupla com Al Montashari, eleito o principal futebolista da Ásia em 2005.

O argentino Jose Pekerman – um treinador que tenho particular admiração – disse certa vez que o jogador veterano é fundamental para uma equipe, sobretudo no âmbito emocional, pois o restante do time necessita de alguém que pense, que dê estabilidade.

Mais do que um simples ancião em campo, o veterano possui muitos quilômetros nas pernas (vivência), conhece bem os atalhos de uma partida e os labirintos na gestão de um grupo de jogadores.

Curtas

– O técnico inglês Steve Darby, do Perak, da Malásia, nos conta via e-mail que já está quase certa a vinda do ótimo meia brasileiro Peres de Oliveira, do Tampines Rovers, de Cingapura, para o seu clube, que foi vice-campeão malaio.