A Copa do Brasil já retoma seus mata-matas nesta quarta-feira, com um punhado de jogos de peso. Em um regulamento que beneficia os grandes clubes do país, serão quatro grandes duelos nestas quartas de final. Aproveitando a deixa, contamos as histórias do passado de três partidas que acontecem neste primeiro dia. Grêmio x Bahia e Internacional x Palmeiras se enfrentaram mais de uma vez no passado do torneio, por isso priorizamos a principal ocasião de cada embate. Já ao Flamengo x Athletico Paranaense, fica a lembrança da final de 2013, único encontro anterior dos times pelo torneio. Confira:

Grêmio x Bahia, quartas de final de 1989

O Bahia surgia como um adversário de respeito ao Grêmio nas quartas de final em 1989. Os baianos haviam conquistado o Brasileirão meses antes e, embora viessem de mudanças no comando, traziam parte da base que triunfou em cima do Internacional. Os gremistas poderiam ter sido seus virtuais adversários na decisão nacional e, no fim das contas, se mostraram mais preparados para avançar na recém-criada Copa do Brasil. Tinham um elenco igualmente respeitável, que incluía Mazaropi, Cuca, Assis, Kita e Paulo Egídio.

O Grêmio começou se impondo desde o primeiro jogo, na visita ao Nordeste. Por conta do gramado ruim na Fonte Nova e de uma greve de motoristas de ônibus em Salvador, a partida foi cogitada no Joia da Princesa, mas terminou por acontecer mesmo na Fonte Nova. Lá, os gremistas já construíram a vantagem por 2 a 0. Fechando-se bem na defesa e explorando os contra-ataques, os gaúchos saíram em vantagem no primeiro tempo, com Cuca. Já na segunda etapa, por mais que os baianos tenham tentado apertar, os visitantes ampliaram em jogada de Assis para Kita, tocando por cima do goleiro. Era uma tranquila vantagem para o reencontro no Olímpico.

Dentro de casa, o Grêmio fez o simples para vencer por 1 a 0. O Bahia havia até mesmo trocado o seu técnico no intervalo entre uma partida e outra, com a saída de Renê Simões, suplantado por Gílson Porto. Pouco adiantou. Não chegou a ser uma boa atuação dos gremistas, mas Edinho garantiu o triunfo por 1 a 0 pouco antes do intervalo, com um belo gol de falta. O Tricolor Gaúcho bateria o Flamengo nas semifinais, antes de garantir o título em cima do Sport.

Internacional x Palmeiras, semifinal de 1992

O Palmeiras selara sua parceria com a Parmalat meses antes e já contava com um elenco forte naquela Copa do Brasil. Mazinho, Zinho e César Sampaio eram os craques que pouco depois escreveriam a história alviverde, embora ainda não fosse uma escalação totalmente estelar. O Internacional, por sua vez, tinha seus predicados sob as ordens de Antônio Lopes. Misturava jovens talentos e outros ídolos mais tarimbados, em elenco que incluía Caíco, Célio Silva, Silas, Gato Fernández, Maurício e Gérson. Venceram as semifinais, em passo fundamental ao primeiro título nacional dos colorados em 13 anos.

A partida de ida aconteceu no Parque Antárctica, onde o Inter não se intimidou com o calor da torcida alviverde. Os visitantes arrancaram a vitória por 2 a 0. Depois da pressão palmeirense, o primeiro gol colorado veio graças a uma lambança de Mazinho, que entregou a bola nos pés de Elson dentro da área. Já do outro lado, começaria a aparecer o verdadeiro herói da noite: Gato Fernández acumulou grandes defesas, inclusive ao pegar um pênalti de Zinho. No segundo tempo, o artilheiro Gérson ampliou aos gaúchos, enquanto Sampaio carimbou o travessão.

Na volta, dentro do Beira-Rio lotado, o Inter pôde atuar com o regulamento sob os braços. Administrou o resultado durante o primeiro tempo, antes de resolver na etapa complementar e celebrar o triunfo por 2 a 1. Gérson estava impossível naquela campanha e fez mais um. Depois, Maurício aumentou quase sem ângulo. Somente no fim é que o Palmeiras descontou, com o meio-campista (Dorival) Júnior. Seria o passo colorado até a histórica final vencida contra o Fluminense, que valeu o troféu.

Flamengo x Athletico, final de 2013

Flamengo e Atlético Paranaense viviam momentos bastante distintos aos atuais. O Furacão de Vágner Mancini faria ótimo papel no Brasileirão e tinha um time que parecia promissor, embora quase ninguém tenha realmente rendido longe de Curitiba. Paulo Baier ainda ostentava a braçadeira de capitão, numa campanha que deixara para trás pesos pesados. Já o Fla encarava uma transição, entre medalhões e bondes, após a turbulenta passagem de Mano Menezes. Sob as ordens de Jayme de Almeida, o time se unia e vinha de alguns bons resultados, sobretudo a classificação em cima do favorito Cruzeiro. Via a ocasião como uma tábua de salvação ao ano.

O primeiro jogo aconteceu na Vila Capanema, já que a Arena da Baixada ainda estava em obras rumo à Copa de 2014. E o Atlético abriu a contagem fazendo valer a “Lei do Futuro”: Marcelo Cirino anotou um golaço aos 18 minutos, em bomba que Felipe não pegou. O empate do Fla não ficaria atrás em termos de beleza. Doze minutos depois, o volante Amaral soltou o pé, com uma trivela que botou veneno na bola e saiu do alcance de Weverton. Apesar da insistência de ambos, o empate por 1 a 1 prevaleceu até o apito final.

No Maracanã, em sua primeira decisão nacional desde a reforma, o Flamengo impôs o seu domínio. Poderia ter aberto o placar antes, com uma bola na trave de Luiz Antônio e boas defesas de Weverton. Mas, numa noite em que o 0 a 0 já seria suficiente, a vitória por 2 a 0 apenas desatou a festa nos minutos finais. Aos 42, Paulinho fez grande jogada e rolou para Elias marcar. Já nos acréscimos, o gol definitivo restaria ao grande personagem daquela campanha, Hernane Brocador, escorando com estilo o passe de Luiz Antônio. Era o terceiro título dos rubro-negros na competição.