O sérvio Ljubisa Tumbakovic foi demitido da seleção de Montenegro, depois de se recusar a comandar a equipe, na última sexta-feira, no empate por 1 a 1 contra o Kosovo, pelas Eliminatórias da Eurocopa. Filip Stojkovic e Mirko Ivanic, jogadores de origem sérvia do Estrela Vermelha, também não quiseram atuar contra o país que declarou independência da Sérvia em 2008.

O Comitê Executivo da Federação Montenegrino chegou à decisão unânime de dispensar Tumbakovic, alegando que ele “violou obrigações profissionais definidas em contrato”. Classificou o caso como uma “surpresa desagradável”. Em relação aos jogadores, o comunicado da entidade citou “pressão de certos círculos”. O jornal montenegrino Vijesti afirmou que os três foram pressionados por grupos de torcedores de Belgrado. Tumbakovic foi multicampeão pelo Partizan nos anos noventa.

A independência do Kosovo, com 90% da sua população formada por pessoas de etnia da Albânia, é reconhecida pelos Estados Unidos e pela maioria dos países da União Europeia, mas não por Sérvia, China, Rússia e alguns membros do bloco europeu. Kosovo foi aceito nas entidades internacionais de futebol três anos atrás, com um bloqueio para impedir confrontos contra a Sérvia.

Mas, em um mundo globalizado, cidadãos ligados ao país, por ascendência ou no banco de reservas, mantêm o conflito vivo no futebol, como na Copa do Mundo da Rússia, com as comemorações de Xhaka e Shaqiri contra a Sérvia. “Coisas que nada têm a ver com o futebol derrotaram o esporte e o futebol nesta ocasião”, afirmou a Federação Montenegrina. A partida foi disputada com portões fechados em punição às ofensas racistas no jogo de Montenegro contra a Inglaterra.