Um jogo bastou para determinar o vencedor do Campeonato Sérvio em 2019/20, logo na volta da liga após a paralisação por causa da pandemia. E o Estrela Vermelha adiciona mais um troféu à sua coleção, o 31° da história, em inédito tricampeonato desde o fim da Iugoslávia. Os alvirrubros precisavam apenas vencer o Rad Belgrado fora de casa e o fizeram sem piedade: com goleada por 5 a 0, alargada já no primeiro tempo. Com 72 pontos, a equipe não pode mais ser alcançada pelo rival Partizan Belgrado. Este é o primeiro título como treinador do veterano Dejan Stankovic, antigo ídolo do clube em seus tempos de meio-campista.

O Estrela Vermelha fez uma campanha irretocável no Campeonato Sérvio. Durante o primeiro turno, os alvirrubros ganharam 14 partidas em 15 rodadas. O único capaz de vencê-los foi mesmo o rival Partizan, com o triunfo por 2 a 0 no clássico. Apesar do revés, a equipe já tinha se estabelecido na liderança. Desde então, o Estrela Vermelha não perdeu mais, enquanto o Partizan acumulou tropeços e fechou o primeiro turno dez pontos atrás dos concorrentes.

Neste segundo turno, o Estrela Vermelha venceu nove duelos e empatou três, em invencibilidade acumulada há 18 rodadas na Super Liga. Tamanha tranquilidade permitiu ao clube definir seu título nesta sexta, com os 5 a 0 sobre o Rad. Mirko Ivanic, Srdjan Babic, Milos Degenek e Aleksa Vukanovic, duas vezes, anotaram os gols no jogo da taça. Os alvirrubros chegaram aos 72 pontos, 14 a mais que o Partizan, com apenas quatro rodadas pela frente.

Vale dizer que a mudança de regulamento no Campeonato Sérvio encurtou o caminho do Estrela Vermelha. Em teoria, após a conclusão das 30 rodadas, a competição teria um octogonal final em turno único para definir seu campeão. Todavia, por conta da pandemia do coronavírus, a organização da Super Liga preferiu abolir o octogonal e antecipar o desfecho. Além disso, a competição não terá descenso nesta temporada, aumentando para 20 participantes em 2020/21.

A campanha do Estrela Vermelha teve o aproveitamento absurdo de 88,9% dos pontos disputados. Os alvirrubros têm o melhor ataque, com 61 gols marcados, e sofreram apenas 14 tentos na defesa. Além disso, o desempenho em casa beira a perfeição, com 12 vitórias e um empate. Os resultados refletem o bom momento do clube também no cenário continental, com duas aparições consecutivas na fase de grupos da Liga dos Campeões. A equipe ainda pode faturar a dobradinha nacional, pegando o Indjija nas quartas de final da Copa da Sérvia.

Entre os destaques do Estrela Vermelha estão o goleiro e capitão Milan Borjan, o zagueiro Milos Dejenek, o ponta Aleksa Vukanovic e o centroavante El Fardou Ben – além do armador Marko Marin, que se transferiu ao futebol saudita em janeiro. O alemão acompanhou o técnico Vladan Milojevic, que deixou o clube durante a pausa de inverno para assumir o comando do Al-Ahli. Foi então que Stankovic, em sua primeira experiência como treinador principal, passou à frente dos alvirrubros.

A missão do novo comandante estava encaminhada, com a vantagem de 11 pontos deixada pelo antecessor. Ainda assim, Stankovic amplia o sucesso que construiu também como jogador do Estrela Vermelha. O ex-meia surgiu nas categorias de base do clube e atuou profissionalmente por lá entre 1995 e 1998, conquistando um título da liga. Depois, transferiu-se à Itália, onde se consagrou com as camisas da Lazio e da Internazionale. Após se aposentar em 2013, o veterano foi assistente da Udinese, coordenador da Inter e trabalhou por dois anos como consultor da Uefa, até assumir o time do coração. Fez história.

“É ótimo voltar ao clube que você torce desde criança e conseguir ganhar um título. Com os jogadores que temos, tudo é possível. Eles são fenomenais, merecem cada troféu e vamos pela Copa da Sérvia. Queremos a dobradinha e vamos com foco máximo nos desafios que nos esperam”, afirmou Stankovic. “Os torcedores foram um fator importante ao título. Sem eles, não acho que seria possível. Sempre estiveram conosco e nos empurraram, a taça também é deles. Logicamente, também é dos ótimos rapazes que eu treino. São bons, profissionais e é um prazer trabalhar com eles todos os dias. O Estrela é uma grande família e deve seguir assim”.

Em consequência das limitações geradas pela pandemia, o Estrela Vermelha atuou sem público nesta sexta-feira, mas o distanciamento social não foi lá muito respeitado durante a comemoração – compreensivelmente. Cerca de mil torcedores poderão comparecer às arquibancadas do Marakana na próxima rodada, seguindo as determinações das autoridades sanitárias, para receber os campeões. O clube fechará a campanha com mais dois compromissos como mandante, contra Radnik e Proleter, além de pegar o Backa Topola fora de casa.

Dos 31 títulos conquistados pelo Estrela Vermelha, 20 vieram antes da cisão do Campeonato Iugoslavo no início da década de 1990. Desde então, os alvirrubros levaram a taça 11 vezes, mas nunca tinham ido além de um bicampeonato – enquanto o Partizan chegou a ser hexacampeão de 2008 a 2013. Este é o primeiro tricampeonato do clube desde 1992, com o esquadrão que também faturara a Copa dos Campeões da Europa em 1991. Curiosamente, o título continental foi consumado em um 29 de maio, data mais que especial à torcida.