Com colaboração de Felipe Santos Souza

Eric Botteghin não é muito conhecido no Brasil. O nome do zagueiro não soa muito brasileiro e ele nem tem página em português na Wikipedia. Quando trocou o Internacional pelo Zwolle, tinha apenas 20 anos e a coragem e enfrentar o desafio de fazer carreira em um país desconhecido. Pode dizer que foi bem sucedido. Passou pelo NAC Breda, pelo Gronigen, do qual virou capitão e ídolo da torcida, e chegou ao Feyenoord no começo desta temporada.

 

LEIA MAIS: 2015 escancarou a crise no futebol holandês

Aos 28 anos, vem tendo dificuldades para se firmar no time titular, mas tem um trunfo em mãos: na época do Zwolle, foi treinado por Jaap Stam, um holandês que sabe tudo sobre a função de zagueiro que Botteghin exerce. “Foi demais trabalhar com ele. Stam fazia muitos exercícios para zagueiros e dava muitos conselhos sobre posicionamento. Aprendi muito com ele”, afirma em entrevista exclusiva à Trivela.

Botteghin foi abençoado com grandes mentores na Holanda. Além de ter tido esse contato com Stam, agora no Feyenoord joga no time do experiente Dirk Kuyt e do técnico Giovanni van Bronckhorst. E apesar de ser relativamente desconhecido no Brasil, espera atuar bem o bastante para chamar a atenção do técnico Dunga. “Claro que é um sonho vestir a amarelinha. Não há impossíveis para aquele que acredita”, afirma.

Inevitável perguntar: quando você saiu do Internacional para o Zwolle, ainda júnior (tinha sido emprestado ao Inter pelo Grêmio Barueri, foi jogar um torneio juvenil na Holanda e gostaram do estilo), em 2006, o choque cultural foi grande? O que o ajudou no caminho para completar dez anos na Holanda?

Todo começo é complicado. Eu era muito novo, longe da família, outro idioma e muito frio, mas graças a Deus consegui me adaptar super bem e até que rápido. O apoio da minha família e a confiança do meu treinador na época, que já apostou em mim desde o começo, me deram uma boa base para que eu ficasse aqui tanto tempo.

Quando começou, no Zwolle, você trabalhou com um dos mais conhecidos (e firmes) zagueiros holandeses: Jaap Stam, que foi técnico interino em 2009, e auxiliar técnico de 2010 a 2013. Stam costumava dar dicas e macetes aos zagueiros do elenco?

Sim, foi demais trabalhar com ele. O Stam fazia muitos exercícios para zagueiro e dava muitos conselhos sobre posicionamento. Aprendi muito com ele.

A sua trajetória na Holanda está bem regular, até agora. Você passou cinco anos no Zwolle e dois no NAC Breda, clubes pequenos; daí, mais dois anos no médio Groningen, onde virou capitão, ídolo da torcida e foi terceiro lugar no prêmio de melhor jogador da temporada passada; e chegou ao Feyenoord, agora. Coincidência ou você tem um certo planejamento na carreira, se coloca algumas metas? Essas metas incluem transferência para um maior centro do futebol europeu, daqui a uns anos?

Sempre fiz minhas escolhas embaixo de muita oração e buscando sempre o lugar onde poderia crescer como jogador, onde eu pudesse ter bastante chance de jogar e dar passos para frente, tirando o máximo que eu posso da minha carreira. E claro, eu tenho desejo de ir para um centro maior do futebol, mas antes, quero ser um jogador importante e conquistar o máximo de objetivos e títulos com o Feyenoord.

 Chegando ao Feyenoord, ainda não conseguiu ser titular absoluto: disputa vaga com Van der Heijden e Van Beek no miolo de zaga. Comente um pouco sobre isso – e como a lesão que você teve no início de ano o prejudicou nessa disputa.

Quando cheguei ao Feyenoord, o time já tinha começado o campeonato, então tive que ter paciência e esperar a minha vez. Mas graças a Deus quando recebi minha chance, fui super bem e agarrei com unhas e dentes a titularidade. Só que mais tarde, infelizmente, acabei me machucando e isso atrapalha um pouco, mas já estou em fase final de tratamento e espero voltar o mais rápido possível.

Para quem está de fora, a impressão é a de que Kuyt chegou ao clube e já tem uma liderança gigantesca sobre o elenco, pela experiência, pelos gols e pelo crédito com a torcida. Fica a sensação de que só o Kuyt “dá a cara a tapa” nos momentos difíceis. É isso mesmo ou Kuyt tem mais gente com quem ele pode dividir essa “liderança”?

Ele como ídolo do clube e pela carreira que teve é o nosso capitão e líder do grupo, mas também temos outros jogadores no time que dividem essa liderança com ele.

Treinar o Feyenoord é a primeira experiência pra valer de Van Bronckhorst como técnico, após passar uns anos se preparando nas categorias de base do clube e fazendo o curso obrigatório. Ele também já consegue ter ascendência sobre o elenco?

Sim, o Gio tem toda liderança sobre o grupo no vestiário, além de ser um excelente treinador. Ele respeita a opinião de todos e sabe trabalhar bem com os outros da comissão técnica.

O Feyenoord ficou um pouco mais para trás na disputa do título holandês. O ânimo no time abaixou um pouco após a derrota para o PSV, adversário direto – e derrota em casa, onde o time não perdera na temporada?

A motivação sempre teremos, e ainda faltam muitas rodadas, então, lutaremos até o fim.

Descendente de italianos, você tem passaporte europeu. Naturalização já passou pela sua cabeça, ainda mais jogando na Holanda, país cujos zagueiros são criticados? Mais ainda: Seleção Brasileira é possibilidade que você cogita?

Já passou pela cabeça sim a naturalização, mas teria que saber primeiro se eu teria a oportunidade de jogar pela seleção. E sobre seleção brasileira, por eu estar em um time de ponta na Holanda, que disputa títulos e vaga na Europa League e Champions, sei que agora posso ter uma oportunidade, mas sei também que teria mais chances jogando em campeonatos mais expressivos na Europa. Mas claro que é um sonho vestir a amarelinha. Não há impossíveis para aquele que acredita.


Os comentários estão desativados.