O Friburguense se tornou um simpático figurante do Campeonato Carioca a partir da década de 1990. O Tricolor da Serra chegou a emendar 13 participações consecutivas na primeira divisão durante a virada do século e por duas vezes alcançou um honroso quarto lugar. Os últimos anos, porém, não foram tão bons e o clube de Nova Friburgo se viu longe da elite a partir de 2016. A chance de peitar os grandes do estado, então, ressurgiu neste final de semana. Com uma vitória sobre o America, o Frizão conquistou a Série B1 do Carioca e vai em busca das cabeças.

O ressurgimento do Friburguense conta com a presença do maior ídolo do clube: o ex-zagueiro Cadão, agora na casamata tricolor. Em seus tempos de jogador, o beque foi um símbolo de fidelidade ao Frizão. Foram 22 anos no coração da defesa, interrompidos apenas por breves empréstimos a outras equipes quando o calendário não estava totalmente ocupado. A lenda permaneceu no elenco até os 46 anos, quando finalmente pendurou as chuteiras em 2018. Todavia, logo assumiu a prancheta e se transformou em treinador da equipe. Igualmente histórico, Sergio Gomes passou a acompanhá-lo na comissão técnica. Enquanto isso, os dinossauros Ziquinha (40 anos) e Bidu (39 anos) seguem no plantel.

Sob as ordens de Cadão, o Friburguense fez uma campanha de recuperação na segundona carioca. Depois de um desempenho mediano no primeiro turno, a equipe se alavancou na metade final do campeonato e conquistou a classificação aos mata-matas. Venceu Artsul e America para ficar com a chamada Taça Corcovado. O título no segundo turno garantiu o Frizão na fase final da Série B. Durante as semifinais, a embalada equipe cumpriu sua missão e confirmou o acesso com duas vitórias sobre o Goytacaz. Já na decisão, contra o também promovido America, os tricolores fizeram bonito. Depois do empate por 1 a 1 na ida, asseguraram a conquista com a vitória por 2 a 1 no sábado, em Moça Bonita.

Autor do primeiro gol, o ponta Maycon foi um dos destaques no triunfo do Friburguense. O atacante infernizou a vida do experiente Wagner Diniz na lateral do America e venceu o goleiro Deola (também “aquele”) para deixar os visitantes em vantagem. Já o segundo tento saiu graças a um japonês: Toshiya, atacante de 26 anos. Cria da base do Kawasaki Frontale, o estrangeiro chegou a Nova Friburgo aos 19 anos e passou por empréstimos a outros clubes, mas manteve seus laços com os tricolores. Fluente em português, virou herói em Bangu. O America descontou apenas nos minutos finais, num golaço de falta de Pedrinho.

A comemoração do título ainda contou com uma cena bastante peculiar em Moça Bonita. Os jogadores do Friburguense não se contentaram apenas em erguer a taça ou dar a volta olímpica. Eles também encontraram disposição para aproveitar o céu azul em Bangu e soltaram pipa dentro do estádio centenário. Um gesto singelo, que parece perfeito para simbolizar o futebol longe dos gigantismos no Rio de Janeiro.

Uma pena que, por causa do regulamento horrível do Campeonato Carioca, o acesso não garanta que o Friburguense vá enfrentar os grandes. O time precisará disputar uma seletiva, com outros quatro clubes que já estavam na primeira divisão e o America. Apenas os dois primeiros do hexagonal avançam à Taça Guanabara e à Taça Rio. A chance de sonhar, de qualquer maneira, já foi conquistada pelo Frizão. Os tricolores deram o primeiro passo para voltar ao posto de simpático figurante no Carioca.

As imagens são do excepcional FutRio: