11 de fevereiro de 2017. A torcida do Palmeiras lotava o aeroporto para receber Miguel Borja, então uma estrela da América do Sul depois de ter um ano mágico pelo Atlético Nacional. Milhares de palmeirenses deram calorosas boas-vindas para o centroavante. A sua chegada foi vista, por público e crítica, como uma grande contratação do clube. Nós mesmos, aqui na Trivela, vimos com bons olhos a contratação do colombiano. Apesar disso, fizemos a ressalva: “A pulga atrás da orelha é o fato de Borja ter explodido apenas depois de algum tempo de carreira, já com passagem por alguns clubes, entre eles, o Livorno, da Itália”.

Passados quase três anos, Borja nunca entregou o que dele se esperava no momento da contratação. Mostrou limitações técnicas que aquele ano mágico e os jogos na Libertadores não tinham mostrado. A irregularidade da carreira do jogador, então, se justificou. E sua saída do Palmeiras não será lamentada pela torcida.

O Junior Barranquilla anunciou o acerto com Miguel Borja. O jogador chega por empréstimo, com compra vinculada se algumas condições forem cumpridas. O prefeito de Barranquilla, Alejandro Char, irmão do presidente do clube, já tinha anunciado que a transferência aconteceria.

A transferência parece boa para todos os envolvidos, dada a circunstância. Um jogador que não era o que se esperava dele e não tinha como cumprir as expectativas e nem justificar a etiqueta de preço que ele carregava nas costas. Borja, em outro ambiente, pode render mais. E ainda mais se o ambiente for na região onde ele nasceu, pelo clube que ele torcia quando criança, no seu país de origem.

Se ele tem ambição esportiva, sabe que precisará render no novo clube para que não seja lembrado apenas como o jogador de uma só temporada, daquele ano de 2016 que é, até hoje, o seu ponto alto na carreira. O ano de 2020 é de início das Eliminatórias da Copa, de Copa América que terá a Colômbia como uma das sedes. É uma chance de ouro, aos 26 anos, de voltar a ter protagonismo.

Na atual temporada, Borja fez 25 jogos e apenas seis gols. Muitas vezes ele sequer foi relacionado. Se no primeiro ano havia a expectativa que o jogador não rendesse por um problema de adaptação, o tempo fez com a torcida perdesse a esperança de ver o mesmo desempenho no Palmeiras que o atacante teve no Atlético Nacional. Ficou claro que ele não tinha como entregar aquilo pelo qual foi contratado.

No lado do Palmeiras, não há muito o que ser feito. Recuperar o dinheiro parece impossível, já que o clube do Allianz Parque pagou o preço na alta e o jogador talvez não volte mais ao mesmo nível. O negócio com o Junior Barranquilla parece o possível, dentro das circunstâncias. Não dá para exigir muito mais do que foi acordado com o clube boliviano.

O salário de Borja será bancado inteiramente pelo Junior Barranquilla. Há uma cláusula de compra automática do jogador, caso ele atinja alguma das metas: 23 gols na temporada ou que jogue 73% das partidas do clube como titular no ano. O contrato de Borja com o Palmeiras vai até dezembro de 2021.

O Palmeiras tem direito a vender Borja para outro clube, se assim quiser, e o Junior Barranquilla tem prioridade para cobrir a proposta e, caso a venda seja para outro clube, há uma taxa de vitrine de 12%. Se o Junior Barranquilla quiser comprar Borja pelo valor estipulado, fica com 50% dos direitos do jogador e não tem mais direito a esse valor de vitrine. O valor estabelecido para o Junior comprar Borja é de US$ 4,3 milhões. Na época que contratou o atacante, o Palmeiras pagou US$ 13 milhões.

Em outras propostas que recebeu, da China e do México, Borja não quis sair. Preferiu buscar o seu espaço no próprio Palmeiras. Desta vez, a possibilidade de voltar para casa, perto da família e com a seleção colombiana em foco.

Sendo assim, tem tudo para ser uma transferência boa para todos os envolvidos: Palmeiras, que economiza na sua folha salarial e vê uma possibilidade de vender o jogador. Borja vai para um lugar onde se sentirá confortável. E o Junior Barranquilla tem um jogador que não tinha acesso há três anos, com a esperança de recuperá-lo, já que não consegue fazer contratações que tenham um peso maior. E para quem ainda tem Teo Gutiérrez como opção no ataque, Borja talvez seja uma opção viável. Dentro das circunstâncias, dificilmente poderia ser melhor.