O jogo mais simbólico da rodada da Liga Europa aconteceu em San Mamés. O histórico estádio de Bilbao foi o palco de um encontro entre duas equipes com perfis praticamente opostos. De um lado, o Athletic, símbolo das tradições bascas. Do outro, o Paris Saint-Germain, novo rico do continente, turbinado pelos lucros do petróleo do Qatar.

Mas não foi desta vez que o dinheiro dos sheiks prevaleceu na casa do leões. O Athletic nem parecia a mesma equipe que acumula maus resultados na Liga Espanhola. Dominou a partida durante a maior parte do tempo e construiu dois belíssimos gols, primeiro com Suaseta e, depois, com Gabilondo. Duas jogadas coletivas, que traduzem um pouco a mentalidade de jogo da equipe. Um ótimo passo para o técnico Marcelo Bielsa, após a desconfiança que paira sobre o início de seu trabalho.

O resultado, no entanto, significa mais que isso. Não é só o dinheiro que pode comprar um bom futebol. Logicamente ajuda, mas não é tudo. As restrições quanto à nacionalidade dos jogadores não impediram o triunfo do Athletic. Ainda que joguem juntos a bem mais tempo que o PSG, os bascos provaram como um trabalho de formação bem feito, aliado ao trabalho focado em torno de um grupo, pode dar frutos.

No restante dos jogos, nada que saísse da lógica. As surpresas ficaram por conta de Anderlecht e Club Brugge, que bateram Lokomotiv Moscou e Braga longe de seus domínios. Em White Hart Lane, o Shamrock Rovers por pouco não aprontou, mas o time reserva do Tottenham foi capaz de conseguir a virada. Em outro confronto notável, o Sporting venceu a Lazio por 2 a 1. Nenhuma vitória, contudo, tão cheia de significado quanto à vista em San Mamés.