Com duas rodadas disputadas no Grupo B da Copa da Ásia 2015, a situação já está definida. Vitoriosos em suas partidas, Irã e Emirados Árabes Unidos confirmaram vaga nas quartas de final e vão decidir no próximo dia 21 de janeiro (quarta da semana que vem) quem ficará na liderança.

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O que pode selar o destino das equipes na competição, pois se espera que o Japão fique em primeiro lugar no Grupo D. Assim, o segundo colocado do Grupo C deve enfrentar os japoneses, super favoritos na Copa da Ásia 2015. A vantagem do empate é dos Emirados Árabes Unidos, que tem quatro gols de saldo, contra três do Irã. E há uma explicação para a grande campanha dos emirianos…

Histórico. Os Emirados Árabes estão longe de fazer parte do primeiro escalão das seleções asiáticas. A equipe disputou uma Copa do Mundo, em 1990, quando terminou na lanterna de sua chave ao perder os três jogos para Colômbia (2 a 0), Alemanha Ocidental (5 a 1) e Iugoslávia (4 a 1) – o time foi comandado por Carlos Alberto Parreira.

Nas eliminatórias para o Mundial 2014, por exemplo, os emirianos sucumbiram ainda na terceira fase, somando apenas três pontos em seis jogos, diante de Coreia do Sul, Líbano e Kuwait, na lanterna da chave.

Na Copa da Ásia, os Emirados Árabes participaram de nove das 16 edições, passando da primeira fase em apenas duas oportunidades: 1992, quando o time foi quarto colocado, e em 1996, sendo sede do torneio e vice-campeão, ao perder a final para a Arábia Saudita nos pênaltis. Se nas últimas três edições do torneio asiático o país caiu ainda na fase de grupos, desta vez o trabalho vem surtindo efeito.

Londres 2012. O time olímpico dos Emirados Árabes Unidos começou a disputar o torneio classificatório para as Olimpíadas em 1980, mas nunca tinha alcançado a fase final. Tudo mudou em 2012: após fazer 10 a 1 no Sri Lanka na primeira fase, os emirianos superaram a Coreia do Norte por 2 a 1 e alcançaram a fase de grupos.

Diante de Uzbequistão, Iraque e Austrália, talvez Emirados Árabes fosse o mais fraco. Porém, ao fim das seis rodadas, a equipe somou 14 pontos, não perdeu nenhuma partida e garantiu vaga em Londres 2012. É verdade que a campanha no torneio final foi péssima, com apenas um ponto somado diante de Senegal e derrotas para Uruguai e Grã Bretanha.

Participação ativa. Do elenco de 23 atletas que jogou as Olimpíadas de Londres, exatos 13 jogadores estão disputando a Copa da Ásia. Destes, sete foram titulares na estreia dos Emirados Árabes Unidos no torneio, que terminou com goleada de 4 a 1 sobre o Catar. Inclusive, os quatro gols foram marcados pelos atacantes Ahmed Khalil (dois) e Ali Makhout (dois), oriundos da seleção olímpica. Na segunda partida, oito jovens jogadores foram titulares. Os Emirados Árabes venceram o Bahrein por 2 a 1, e um dos gols foi anotado por Ali Makhout. Portanto, os jogadores são presença importante na seleção atual.

Experiência. Enquanto a média de idade de todo o elenco emiriano é de 25,3 anos, ela cai para 24,4 anos se abrangermos apenas os jogadores olímpicos. Mas engana-se quem pensa que eles não têm tanta experiência assim na seleção. Por exemplo, o atacante Ahmed Khalil tem apenas 23 anos, mas já jogou 58 partidas somente pela seleção principal, que defende desde 2008, aos 17 anos. Ali Makhout é um ano mais velho, mas coleciona 33 participações no time principal, com 23 gols, desde 2012. A maioria, claro, tem menos de dez convocações.

Geração abençoada. Se os Emirados Árabes não conseguirem ir muito longe na Copa da Ásia 2015, o desastre não será tão grande. Acaba que o torneio é apenas mais uma etapa no desenvolvimento desses atletas, que poderão ser verdadeiramente testados nas eliminatórias para a Copa do Mundo 2018 ou mesmo na Copa da Ásia 2019, quando estarão no auge da forma física e técnica.

Por enquanto, as atuais seleções sub-17 e sub-20 não tiveram bons resultados nas eliminatórias dos Mundiais das respectivas categorias. No sub-17, os Emirados Árabes Unidos perderam a vaga para o Irã, que foi 100% nos três jogos e venceu os emirianos por 3 a 0 – Paquistão e Sri Lanka completaram a chave. No sub-20, a equipe liderou a primeira fase, com Uzbequistão, Austrália e Indonésia, mas sucumbiu diante de Mianmar (1 a 0) a sede do torneio, logo nas quartas de final.

Importância do técnico. O desconhecido técnico emiriano Mahdi Ali, 49 anos, defendeu apenas o Al Ahli (Emirados Árabes) na carreira, entre 1983 e 1998, além da seleção nacional. Ele também é peça importante nessa evolução dos Emirados Árabes Unidos. Em 2003, Mahdi Ali foi auxiliar-técnico da seleção sub-16. Cinco anos depois, ele comandou o time sub-19 e nos anos seguintes trabalhou também nas equipes sub-20 e sub-23.

Foi Mahdi Ali o técnico nas Olimpíadas de Londres e ele está na seleção principal desde 2012. Portanto, o treinador acompanha essa geração há vários anos, conhece profundamente os jogadores e sabe como cada um age dentro de campo. Mahdi Ali foi campeão asiático sub-19 em 2008, vice dos Jogos Asiáticos em 2010, com o time sub-23, e vencedor da Copa do Golfo 2013 com a equipe principal.

Futuro positivo? Não se sabe qual será o destino dos Emirados Árabes Unidos na Copa da Ásia 2015, mas pode-se afirmar que o trabalho está sendo muito bem feito, pois os jovens jogadores têm oportunidades de disputar os grandes torneios, ganhando experiência internacional, o que pode contribuir para uma boa campanha nas eliminatórias do Mundial 2018.

O próximo passo para os emirianos é conseguir ter jogadores jovens no futebol europeu, ou mesmo nas grandes equipes asiáticas, o que ainda é apenas um sonho. Atualmente, sete jogadores locais jogam fora do país, mas apenas um está na seleção: o zagueiro Hamdan Al Kamali, que passou pelo Lyon e hoje defende o Valletta (Malta) – ele esteve em Londres 2012; os outros atuam em Arábia Saudita, Kuwait e Catar.