A história da Copa das Confederações começou a ser escrita em 1992. O governo da Arábia Saudita teve a ideia de criar um torneio envolvendo as seleções campeãs continentais e passou a organizar a Copa Rei Fahd. Um campeonato que, de tanto sucesso em suas duas primeiras edições, passou a ser organizado pela Fifa em 1997, de maneira bienal. Já a partir de 2001, a competição assumiu um de seus principais traços, sendo realizada no ano anterior à Copa do Mundo e servindo de grande teste ao país-sede do Mundial.

Neste ponto, ainda há uma história não oficial que pode ser considerada como precursora da Copa das Confederações. Com o mesmo intuito de ocupar os estádios em um grande evento-teste, Estados Unidos e França organizaram campeonatos nos anos anteriores ao Mundial: a US Cup e o Tournoi de France. Já em 1985, o México também teve seus torneios especiais, ainda que apenas para colocar a própria seleção em ritmo competitivo. Certames que entraram para a história não apenas pelo objetivo, mas também pelo alto nível.

Tournoi de France – 1997
Zidane, cercado por gigantes, um ano antes de destruir o Brasil na Copa
Zidane, cercado por gigantes, um ano antes de destruir o Brasil na Copa

França, Brasil, Itália e Inglaterra. As duas seleções finalistas da Copa de 1998, além de outras duas que chegaram até os mata-matas, fizeram parte da competição francesa às vésperas do Mundial. Os recém-reformados estádios de Lyon, Nantes e Montpellier foram os palcos escolhidos, assim como o Parc des Princes. E o que torna o Torneio da França tão memorável foram os grandes jogos, por mais que a competição não tivesse muita importância.

As quatro seleções foram representadas pelo elenco que serviria de base à Copa. Zinedine Zidane, Alan Shearer e Alessandro Del Piero eram as estrelas das seleções adversárias do Brasil, que contava com Ronaldo, Romário, Taffarel, Roberto Carlos e Cafu. Ao todo, Zagallo convocou 13 jogadores que participariam do Mundial, nove titulares – Rivaldo e Júnior Baiano foram as únicas ausências.

E o primeiro gol anotado no Torneio da França se tornou um grande clássico do futebol: a falta cobrada cheia de veneno por Roberto Carlos, tirando Fabien Barthez pelo efeito e morrendo no canto. No segundo tempo, porém, os franceses conseguiram arrancar o empate por 1 a 1 com gol de Marc Keller. Já a Inglaterra saltou à liderança ao bater a Itália por 2 a 0, gols de Paul Scholes e Ian Wright.

Na segunda rodada, outro momento histórico protagonizado pelos brasileiros, no emocionante empate por 3 a 3 contra a Itália, reencontro das equipes após a final da Copa de 1994. Sem Roberto Baggio, a Azzurra abriu dois gols de vantagem rapidamente, com Del Piero e Aldair, contra. Lombardo, contra, diminuiu para a Seleção, mas a Itália voltaria a balançar as redes com Del Piero. Contudo, o Brasil contava com a prolífica dupla Romário e Ronaldo no ataque, o suficiente para tirar a desvantagem e buscar o empate nos 20 minutos finais.

Mas, apesar da qualidade demonstrada pelo Brasil, a Inglaterra encaminhou o título por antecipação. Os Three Lions bateram a França por 1 a 0, gol de Shearer graças a falha de Barthez. Na rodada final, os ingleses cumpriram o protocolo, mas foram derrotados pelo Brasil, com gol de Romário. Já a França se despediu de maneira melancólica: empate por 2 a 2 contra a Itália, em jogo que rendeu várias críticas a Aimé Jacquet pelas várias mudanças no time. Zidane marcou seu único tento no torneio, enquanto Del Piero se firmou como artilheiro ao deixar o placar igualado aos 44 minutos do segundo tempo.

US Cup – 1992 e 1993
Klinsmann, craque e artilheiro da US Cup em 1993
Klinsmann, melhor jogador e artilheiro da US Cup em 1993

Organizada até 2000, a US Cup foi disputada anualmente a partir de 1992. E o principal intuito dos americanos, além de dar rodagem a sua seleção, era colocar à prova os estádios adaptados ao “soccer”, que seriam utilizados na Copa de 1994. Quatro cidades-sede da Copa receberam o torneio: Boston, Chicago, Detroit e Washington. A exceção ficou por parte do Estádio da Universidade de Yale, que não entrou na lista final de palcos do Mundial.

O principal teste aconteceu no Pontiac Silverdome, primeiro estádio totalmente coberto utilizado em uma Copa. Para que o torneio fosse disputado em grama natural, uma equipe da Universidade do Estado de Michigan se responsabilizou pelo desenvolvimento da vegetação. E a primeira prova do gramado veio justamente na US Cup de 1993.

Taffarel faz a defesa no Brasil 2x0 EUA, prévia da Copa de 1994
Taffarel faz a defesa no Brasil 2×0 EUA, prévia da Copa de 1994

A primeira edição da US Cup não teve tanto peso quanto a segunda. Além dos Estados Unidos, também participaram Itália, Irlanda e Portugal. E o US Team, composto por nomes célebres como Tony Meola, Marcelo Balboa, Tab Ramos e Paul Cagliuri, fez as honras da casa para ficar com a taça. A equipe treinada por Bora Milutinovic superou a Irlanda de Roy Keane e Portugal de Luís Figo, antes da partida decisiva contra a Itália.

Depois de vencerem os irlandeses e empatarem com os portugueses, os italianos precisavam da vitória na rodada final do quadrangular. E mesmo com Roberto Baggio, Franco Baresi, Paolo Maldini, Walter Zenga, Gianluca Vialli e outros astros em campo, a Azzurra não foi capaz de desbancar os americanos. Baggio até deixou o time de Arrigo Sacchi em vantagem, mas John Harkes assegurou o empate por 1 a 1 e a taça aos Estados Unidos.

Já em 1993, os convidados dos americanos foram a Alemanha, então campeã Mundial; o Brasil, que se consagraria um ano depois; e a Inglaterra. A base do time de Carlos Alberto Parreira não seria exatamente a mesma que conquistou o tetracampeonato. Taffarel, Márcio Santos, Branco, Dunga, Raí e Jorginho entraram em campo. Já entre os outros atletas que viajaram aos EUA estavam Careca, Valdeir, Elivelton, Marco Antônio Boiadeiro e Júlio César, que acabou nunca mais defendendo a seleção depois de ter seus pertences roubados no hotel.

O Brasil acabou invicto na competição, empatando com Inglaterra e Alemanha, além de ter vencido os Estados Unidos. Contudo, a campanha não foi suficiente para tirar o título da Alemanha. Estrelados por Jürgen Klinsmann, autor de quatro gols nos três jogos (incluindo um aos 44 do segundo tempo, que garantiu o empate por 3 a 3 contra o Brasil), o Nationalelf conseguiu vitórias apertadas sobre americanos e ingleses, que garantiram o troféu.

Copa Ciudad de México e Torneio Azteca – 1985

O México já tinha a estrutura pronta para receber a Copa do Mundo de 1986, depois da desistência da Colômbia, inicialmente definida como sede pela Fifa – em um páreo no qual o Brasil chegou a concorrer. A realização de torneios no território mexicano serviram mais como preparação para El Tri, que passou a enfrentar seleções de peso, ganhando rodagem ao Mundial.

Triangular com México, Inglaterra e Itália, a Copa Ciudad de México foi realizada inteiramente no Estádio Azteca. E os italianos levaram a melhor, graças ao número de gols marcados. Quase que simultaneamente, também foi realizado o Torneio Azteca 2000, que contou com as participações de México, Inglaterra e Alemanha Ocidental. Desta vez, ao menos, os mexicanos levaram a melhor. O time de Carlos Hermosillo e Miguel España venceu tanto os ingleses – que tinham John Barnes e Bryan Robson – quanto os alemães – estrelados Lothar Matthäus e Pierre Littbarski.