Tournoi de France, Pré-Olímpico, Algarve, Pinatar, Turkish Women’s e SheBelieves Cup: um balanço do futebol feminino de seleções

Seleções fazem testes se preparando para Olimpíada e também para a Eurocopa 2021

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O futebol feminino de seleções segue a todo vapor nas Datas Fifa. Além dos torneios preparatórios para os Jogos Olímpicos de 2020 e amistosos visando um bom desempenho nas Eliminatórias para a Eurocopa, os Pré-Olímpicos asiático e africano definirão, nesta semana, de quem serão duas das três vagas remanescentes para Tóquio – fora as da repescagem, que será em abril.

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O giro pelo mundo parte da França, onde está sendo realizado o Tournoi de France, competição quadrangular que chega causando boas impressões. Com as anfitriãs, Brasil, Canadá e Holanda, ela serve como um treino para as três últimas seleções, que, daqui a pouco mais de quatro meses, estarão no Japão para os Jogos Olímpicos. Tem sido uma oportunidade, também, para Pia Sundhage, Sarina Wiegman e Kenneth Heiner-Moller observarem as atuações de suas jogadores e fecharem suas listas para a Tóquio-2020.

Com um empate e uma derrota nos dois primeiros jogos, diante da Holanda e da França, na ordem, a seleção brasileira vem mostrando uma evolução tática no Tournoi de France. Se em um passado não tão distante era como se houvessem apenas dois setores em campo, ataque e defesa, hoje isso já não existe mais, com a povoação do meio e uma participação ativa de atletas que jogam nessa faixa no jogo. Consequentemente, parece ter sido decretado o fim da bola longa como única estratégia de jogada. Destaque para a volante Luana, que, se tudo der certo, já está com os dois pés nos Jogos Olímpicos deste ano

Porém, se por um lado Pia vem mexendo muito bem em seu tabuleiro, não há total garantia de que ela sempre terá suas peças favoritas à disposição. O aspecto físico é, sem dúvidas, o grande ponto negativo da seleção brasileira, com o problema de lesões persistindo. E não só isso. O que se viu nas últimas partidas do Brasil no Tournoi de France foi um time que parece não ter sido adequadamente preparado para aguentar 90 minutos em campo, fato que, convenhamos, não é atual, mas vem prejudicando o trabalho de Pia.

Com um condicionamento e preparo físicos que estão deixando a desejar, os riscos de contusões aumentam. A lateral direita Letícia Santos acabou rompendo o ligamento cruzado anterior (LCA), lesão que não somente a faz ser desfalque no restante da competição na França, mas a tira da Tóquio-2020 por conta do seu grau. Como ela terá que ser submetida a uma cirurgia, a previsão de de recuperação é de seis a sete meses. O trauma no joelho, aliás, foi o mesmo sofrido pela atacante Adriana no ano passado, que a fez ficar de fora da Copa.

Considerando que o Brasil enfrentou a consolidada França, semifinalista da Copa do Mundo de 2018 e responsável pela eliminação da Seleção, e a emergente Holanda, campeã da Eurocopa de 2017 e finalista no Mundial, um revés por 1 a 0 e um empate sem gols não são resultados preocupantes e ruins. Placares à parte, os dois testes foram amostras de que a seleção brasileira pode e está jogando de igual para igual com as melhores equipes do planeta.

Nesta terça-feira, as brasileiras ainda encaram o Canadá, às 15h (de Brasília), em Calais, para encerrar sua participação no torneio amistoso. Você já deve ter visto na Programação de TV da Trivela, mas não custa frisar: o duelo terá transmissão da TV Globo e do SporTV.

Por sinal, a única chance do público poder acompanhar o jogo será mesmo pela televisão, já que torcedores não poderão ir ao Stade de L’Épopée. A medida é uma ordem da federação francesa, temendo propagação do novo coronavírus, e não se restringe a eventos esportivos. Todos as reuniões de mais de mil pessoas pessoas em um único lugar deverão ter portas fechadas ou serem adiadas na França.

Como um todo, a edição de estreia do Tournoi de France de futebol feminino tem se mostrado nivelada. Até o momento, não tivemos um placar com uma diferença de dois ou mais gols e apenas as francesas ganharam suas partidas. O torneio, inclusive, vem sendo proveitoso até mesmo para elas, que estão classificadas para Tóquio. Contra a seleção brasileira, por exemplo, Corinne Diacre promoveu uma rotação em seu elenco, com oito mudanças no time titular em relação ao confronto com o Canadá.

Já o único saldo da Holanda no Tournoi de France é extremamente negativo. As Leeuwinnen tiveram uma perda significativa contra as canadenses. No sábado, Van de Donk, sofreu uma torção no tornozelo que, segundo Sarina Wiegman, pareceu ser séria. Jogadora do Arsenal, a meia voltou a Londres, onde está sob avaliação e os cuidados de seu clube. Ainda não há maiores informações sobre a lesão.

Holanda e Canadá se enfrentam (Divulgação/KNVB)

Pinatar Cup

Da França, vamos para a Espanha, país que está recebendo a Pinatar Cup, outra competição que está sendo inaugurada este ano. Embora ela esteja sendo realizada na cidadezinha de San Pedro del Pinatar, perto de Murcia, as espanholas não estão a competindo. Disputada também em formato quadrangular, Escócia, Ucrânia, Islândia e Irlanda do Norte medem forças entre si.

As quatro seleções não estarão nos Japão entre julho e agosto para a briga pelo ouro olímpico. Porém, se preparam para tentar estar na Eurocopa de 2021. Assim como no Tournoi de France, o encerramento também será nesta terça, com os jogos Islândia x Ucrânia e Irlanda do Norte x Escócia, todos na charmosa Pinatar Arena, conhecida por receber campeonatos e amistosos de base no futebol de seleções masculino.

Entre os times da Pinatar Cup, somente a Escócia está invicta, com uma boa vitória por 3 a 0 sobre as ucranianas, na estreia, e outra mais modesta, por 1 a 0, diante da Islândia. Já a Irlanda do Norte é, até então, a figurante na competição, com nenhum ponto conquistado e cinco gols sofridos em duas partidas.

SheBelieves Cup

Julie Ertz, dos Estados Unidos (Divulgação/U.S. Soccer WNT)

Se a Espanha não está na Pinatar Cup, onde ela estaria? Na SheBelieves Cup, nos Estados Unidos, com as poderosas anfitriãs, o Japão e a Inglaterra. No sábado, as espanholas enfrentaram as americanas diante de um público de mais de 26 mil pessoas, na Red Bull Arena, em Nova Jersey. O resultado de 1 a 0 conferiu aos Estados Unidos sua segunda vitória em dois jogos no torneio anual.

Na primeira partida, havia batido a Inglaterra por 2 a 0, em uma reedição da semifinal do Mundial da França. Porém, desta vez, sem uma de suas artilheiras na Copa, Alex Morgan, que está afastada dos gramados por estar grávida de sete meses, à espera da primeira filha. E sem Morgan, não há comemoração provocativa tomando um chá inglês.

Nesta quarta, Inglaterra x Espanha e Estados Unidos x Japão fecham a edição de 2020 da SheBelieves Cup, com os dois duelos sendo realizados no Toyota Stadium, em Frisco, no Texas, em sequência.

Algarve Cup

Seleção italiana na Algarve Cup (Divulgação/FIGC)

A tradicional Algarve Cup chega, este ano, à sua 27ª edição. Em 2019, as norueguesas saíram campeãs da competição que tem como palco a belíssima região ao sul de Portugal, pela quinta vez. Desta vez, contudo, elas nem sequer alcançaram a final. A tarimbada Alemanha e a promissora Itália decidem, nesta quarta, quem fica com o título entre as oito participantes, enquanto as norueguesas pegam a Nova Zelândia, que vai a Tóquio, na disputa de terceiro lugar.

Tricampeãs da Algarve Cup, as alemãs não vencem o torneio desde 2014. As italianas, por sua vez, viveram seu ápice na competição em 2004, quando jogaram a semifinal e ficaram, no fim, com o quarto posto. Agora, é possível dizer que está tudo em aberto. Comandada pela por Milena Bertolini, a Azzurra teve um regresso triunfal a Copas do Mundo no ano passado, quando caiu nas quartas de final para a Holanda, mas com uma campanha digna da fase de grupos ao mata-mata.

Avassaladora em seus últimos sete compromissos, a Alemanha está invicta desde que foi mandada para casa pela Suécia no Mundial. Nesta Algarve Cup, as suecas, em seu caminho para Tóquio, acabaram cruzando com as alemãs. O resultado foi uma vitória com gosto de revanche da Nationalelf. Desde a Copa do Mundo, são incríveis 38 gols pró e apenas um contra, anotado pela Inglaterra, em partida amistosa.

Participam da Algarve Cup de 2020, ainda, Portugal, Dinamarca e Bélgica.

Turkish Women’s Cup

Romênia, Hungria, Hong Kong, Bielorrúsia, Chile, Gana, Quênia, o sub-19 da Irlanda do Norte e o clube BIIK Kazygurt, do Casaquistão, disputam a Turkish Women’s Cup na Turquia, como o próprio nome do torneio sugere. As oito equipes foram separadas em dois grupos. A princípio, a Venezuela participaria da competição, mas cancelou sua ida, o que fez com que a organização do evento abrisse uma exceção e convidasse um time fora do futebol de seleções.

A Hungria lidera o Grupo A com seis pontos ganhos de seis que estavam em jogo. É o mesmo caso do Chile, que encabeça o Grupo B e encara a Turkish Women’s Cup como preparação para os playoffs dos Jogos Olímpicos. Vice-campeãs da Copa América, em 2018, as chilenas apenas aguardam a decisão entre Camarões e Zâmbia no Pré-Olímpico da Confederação Africana de Futebol, a CAF.

Pré-Olímpico

Torcida de Camarões (Joel Litse/Fecafoot)

E por falar no qualificatório para a Tóquio-2020, as camaronesas largaram na frente na batalha pela vaga concedida à África. No primeiro jogo, na semana passada, um movimentado e emocionante 3 a 2 deu a vitória a Camarões, que foi mandante. Nesta terça, na Zâmbia, uma das duas seleções irá faturar o passe direto para o Japão. A outra ainda terá uma segunda chance, na repescagem, de se classificar. Ainda que a posição de Camarões no ranking da Fifa em relação à da Zâmbia (49º lugar contra 106º) possa indicar um favoritismo das camaronesas, o confronto de ida mostrou que tudo é possível.

Voando da África para a Ásia, a Austrália, ligada à Confederação Asiática de Futebol, a AFC, pode carimbar seu passaporte para os Jogos Olímpicos nesta quarta, quando enfrenta o Vietnã fora de casa, após golear por 5 a 0 na Oceania. Até mesmo se perder por 4 a 0, as Matildas se juntam ao Japão, que tem vaga de sede, entre as seleções da AFC garantidas na Tóquio-2020. A terceira equipe, que pode ser tanto a China, quanto a Coreia do Sul, só será definida em junho, uma vez que o surto do coronavírus na Ásia, sobretudo nos dois países, mexeu com todo o calendário esportivo do continente, adiando partidas e campeonatos.