Francesco Totti não precisava ter parado de jogar futebol quando deixou a Roma. Tinha propostas, na Itália e em outros países, mas, ao contrário de Daniele de Rossi, não quis aceitá-las. Porque, para ele, defender outro clube seria contrariar o que pensou durante 24 anos: que defender a camisa giallorossa era a única coisa que importava.

“Respeito o que fez Daniele, cada um é livre para tomar as próprias decisões. Eu honestamente tive oportunidades ao fim da carreira, especialmente de fora, mas também na Itália. Recebi ligações dos Emirados Árabes, por exemplo. E depois da Sampdoria, que me queria a qualquer custo. Você sabe a fraqueza que (Massimo) Ferrero (dono da Sampdoria) tem por mim. Ele é romano e romanista e teria feito qualquer coisa para me ter lá”, contou, em entrevista à Sky Sports da Itália.

“Mas eu estava em dúvida. Eu queria continuar porque ainda sentia que podia dar alguma coisa. Mas a minha ideia sempre foi a de vestir uma única camisa, então eu teria cancelado tudo que pensei durante 24 anos”, completou.

Totti despediu-se dos gramados em 2017, depois de uma temporada em que atuou muito pouco, sob o comando de Luciano Spalletti. O próprio treinador admitiu que não lidou bem com a situação. Os dois se conheciam da primeira passagem de Spalletti pela Roma, entre 2005 e 2009.

“Foram dois personagens diferentes. O primeiro era como um segundo pai. Não digo que esteve sempre próximo, mas quase. O segundo teve suas razões, mas alguma coisa não andou da melhor maneira. Mas eu busquei sempre ficar com a cabeça erguida, fazendo meu melhor, mesmo sabendo que estava com problemas”, disse.

Agora, a Roma é comandada por Paulo Fonseca e havia chegado à paralisação em quinto lugar, depois de duas vitórias seguidas na sequência de três jogos sem vencer. “A Roma atual é feita de altos e baixos e estamos acostumados a este problema. Fonseca, para mim, é um ótimo treinador, que está entendendo o futebol italiano e a cidade de Roma. Entende muitas coisas, todos falam bem dele para mim, especialmente os jogadores. Com união e com alguns reforços escolhidos por ele, podemos fazer uma grande próxima temporada. Porque sempre permanecerei em Roma. Embora tenha ido embora, meu coração está sempre lá”, afirmou.

Após se aposentar, Totti virou diretor da Roma, mas acabou saindo por não se sentir envolvido nas tomadas de decisão. Agora, abriu uma empresa própria de observação e agenciamento de jogadores. Os primeiros passos foram prejudicados pela pandemia de coronavírus, mas Totti tem um objetivo claro em mente: encontrar outro Totti.

“Minha vontade é encontrar um jogador dessa espessura. Vou procurar no mundo inteiro, espero encontrá-lo, tentarei fazê-lo crescer da melhor maneira. Peguei alguns jogadores jovens e o farei crescer como sempre quis fazer, como aconteceu comigo”, encerrou.