Borussia Dortmund e Tottenham reafirmaram o seu espaço no cenário continental ao longo desta década. São clubes que fazem trabalhos consistentes, que conseguem apresentar um bom número de talentos e que exibem normalmente um estilo de jogo atrativo, especialmente pela postura voraz de seu ataque. Além do mais, nos últimos três anos, alemães e ingleses são rivais costumeiros nas competições da Uefa. Em 2015/16, o BVB despachou os londrinos com duas vitórias nas oitavas de final da Liga Europa. A revanche dos Spurs aconteceu na temporada passada, com duas vitórias para eliminar os aurinegros na fase de grupos da Champions. O tira-teima começa nesta quarta-feira, novamente pela Liga dos Campeões. E além de providenciar a afirmação mais contundente no duelo, deverá se desenrolar sem os potenciais protagonistas: Marco Reus e Harry Kane – isso sem contar Dele Alli e Paco Alcácer, outros dois no departamento médico.

Pelas lacunas no elenco, o Tottenham sente mais falta de Harry Kane. Afinal, o artilheiro do clube nas últimas temporadas impulsiona a própria forma de jogar da equipe. O funcionamento do ataque depende bastante do camisa 10, principalmente por sua capacidade ao abrir espaços e se associar com os companheiros. O retorno de Heung-Min Son, após a sua participação na Copa da Ásia, atenua um pouco a questão. Ainda assim, não se nega que os Spurs contam com um time bem mais azeitado quando veem o seu craque comandando a linha de frente. A fluidez é natural e há sempre uma referência.

Pelo desempenho nas últimas rodadas, ao menos, o Tottenham se vira bem. Fernando Llorente, Lucas Moura e Son se tornam as principais alternativas na linha de frente. Combinações diferentes, que permitem a Mauricio Pochettino adaptar seu time conforme o adversário. De qualquer maneira, ninguém que una as características de Kane. E diante da necessidade que se impõe neste primeiro jogo, com a obrigação maior da vitória, a ausência do centroavante em Wembley pesa contra. Que o Dortmund não possua o sistema defensivo mais confiável, Lucien Favre deve aplicar uma proteção maior contra os Spurs.

O histórico de Kane contra o Dortmund, aliás, é favorável. Na fase de grupos da temporada passada, o centroavante simplesmente acabou com o jogo em Wembley. Anotou dois gols e deu uma assistência, além de também guardar o seu na vitória dentro do Signal Iduna Park. O camisa 10 soube explorar os espaços dos visitantes. Se há algo que anima, em compensação, Son possui um excelente retrospecto contra o BVB. São oito gols em nove encontros, três deles com a camisa dos Spurs. A responsabilidade recai sobre os seus ombros.

Do outro lado, mesmo que o Dortmund possua mais alternativas ofensivas, Reus faz bastante falta por sua liderança. É a referência técnica dos aurinegros há quase uma década, o cara mais capaz de chamar a responsabilidade em momentos difíceis e agora também o dono da braçadeira de capitão. O camisa 11 estava presente em alguns dos tropeços recentes e, a bem da verdade, vinha desperdiçando algumas boas chances. De qualquer maneira, não foram poucos os jogos que ele resolveu nesta temporada – e, não fosse assim, não teria sido eleito três vezes como o melhor jogador do mês na Bundesliga.

No último final de semana, Maximilian Philipp entrou na faixa central do Dortmund e o time fez um bom trabalho com ele em campo, abrindo vantagem de três gols contra o Hoffenheim. O problema foi segurar o placar, no empate fulminante dos alviazuis. No setor de Reus, também poderia ser utilizados Mario Götze ou mesmo haver uma mudança tática, que liberasse mais os volantes. Não é o ideal, quando poderiam se valer da movimentação constante do camisa 11 e de sua aproximação à área. Sem exibir a velocidade de outros tempos, o craque tem jogado muito bem na nova função, pela liberdade que ganha e pela participação maior nos lances. É o que vinha fazendo diferença recentemente.

E o detalhe é que, assim como Kane, Reus possui um histórico favorável no confronto. Ele se ausentou nos jogos da fase de grupos da Champions 2017/18. Por outro lado, foi o grande nome na classificação durante as oitavas da Liga Europa. Assinalou dois gols no Signal Iduna Park, em vitória que também contou com a participação de Pierre-Emerick Aubameyang. Passaria em branco apenas em White Hart Lane, quando Auba se encarregou de ambos os tentos. Os aurinegros, todavia, mudaram bastante desde então. Será a vez de Jadon Sancho e Raphaël Guerreiro deixarem suas marcas.

Por sorte, as lesões de Kane e Reus devem permitir que ambos retornem ao jogo de volta, no início de março. A recuperação do alemão é mais provável, prevista para o final de fevereiro. Kane, por sua vez, deve retomar os treinos em março, segundo a estimativa inicial. Chegará em cima da hora para o duelo decisivo. Quem sabe, para abrilhantar um pouco mais o equilibrado embate, um dos melhores desta primeira etapa dos mata-matas. A promessa é de bom jogo em Wembley.