As expectativas em White Hart Lane eram evidentes. O dérbi londrino entre Tottenham e Chelsea era apenas um dos muitos ingredientes no bom jogo que se prometia. O início promissor na temporada colocava os Spurs como favoritos, enquanto os Blues vinham para justificar sua força no retorno de José Mourinho. E a partida acabou servindo como um bom retrato do que será a Premier League 2013/14, de maneira geral: um torneio mais equilibrado e indefinido do que o costume nos últimos anos.

Cada equipe mandou em um tempo do clássico. Em uma primeira metade de poucos riscos, o Tottenham teve maior controle das ações. O domínio do meio de campo era dos anfitriões, que se apresentava de maneira compacta e conseguia explorar as brechas do Chelsea – abrindo o placar assim, com Gylfi Sigurdsson. Já o destaque mais uma vez era Paulinho, com suas famosas infiltrações na área, quase ampliando com uma bola na trave.

O começo apagado fez com que Mourinho mexesse no time para o segundo tempo. Esqueceu-se da cautela inicial ao recuar Ramires para a cabeça de área e tirar Obi Mikel. Juan Mata, relegado pelo treinador nas últimas semanas, finalmente teria a chance de mostrar seu talento. E o espanhol não decepcionou, em uma exibição bem mais solta dos Blues. Foi dos pés do camisa 10, aliás, que nasceu o gol de empate, anotado por John Terry.

Só mesmo quando Fernando Torres foi expulso, ao receber o segundo cartão amarelo, que o Tottenham acordou para a partida. E, como em uma gangorra, sem passar por ameaça alguma do Chelsea. A pressão dos Spurs nos 10 minutos finais, no entanto, pouco adiantou, já que a falta de pontaria foi preponderante diante da meta de Petr Cech. Prevaleceu o empate por 1 a 1, não o resultado ideal, mas satisfatório para ambos os lados.

E, por mais que possam sair do Top Four ao final da rodada, Tottenham e Chelsea continuam no amplo grupo de favoritos ao título do Campeonato Inglês. Os Spurs se credenciam pelo potencial de seu elenco, da mesma forma como os Blues demonstram uma excelente capacidade de reação diante da desconfiança inicial. Por enquanto, os esquadrões estão longe de pintar nos campos ingleses. Justamente o que reforça a impressão de que esta pode ser a temporada mais competitiva da Premier League em muito tempo.

Destaque do jogo

Juan Mata. Não dá para dizer que o gelo dado por José Mourinho fez efeito, porque o camisa 10 demonstrou o alto nível que tinha mantido nas duas últimas temporadas. Mata foi um diferencial para a melhora do time no segundo tempo, atuando mais centralizado e deslocando Oscar para os lados do campo. O espanhol criou duas ocasiões de gol, uma se transformando em assistência, e teve um tento bem anulado pela arbitragem.

Momento chave

A defesa de Lloris, aos 32 minutos do segundo tempo. O Chelsea dominava o jogo a partir da volta do intervalo e pressionava os Spurs. Depois do empate, André Schürrle teve a melhor chance para virar o placar, saindo na cara do gol. Porém, no mano a mano, Lloris fez uma defesa fundamental e assegurou a igualdade.

Os gols

19’/1T – GOL DO TOTTENHAM! Eriksen avança pela ponta esquerda e rola para Soldado. O centroavante ajeitou e deixou o caminho livre para Sigurdsson tocar na saída de Petr Cech.

20’/2T – GOL DO CHELSEA! Juan Mata cobra falta na intermediária e encontra John Terry livre de marcação. O capitão desvia de cabeça, sem chances para Lloris. A posição era legal.

Curiosidade

O Chelsea mantém um tabu contra seus ex-treinadores. São 13 jogos de invencibilidade contra os homens demitidos por Roman Abramovich, com nove vitórias e quatro empates. A vingança de André Villas-Boas ficará para depois.

Ficha técnica:

TOTTENHAM 1×1 CHELSEA

Tottenham_escudo Tottenham
Hugo Lloris, Kyle Walker, Michael Dawson, Jan Vertonghen e Kyle Naughton; Moussa Dembélé e Paulinho; Andros Townsend (Nacer Chadli, 17’/2T), Gylfi Sigurdsson e Christian Eriksen (Lewis Holtby, 25’/2T); Roberto Soldado (Jermain Defoe, 32’/2T). Técnico: André Villas-Boas.
Chelsea Chelsea
Petr Cech, Branislav Ivanovic, John Terry, David Luiz e Ashley Cole; Obi Mikel (Juan Mata, no intervalo) e Frank Lampard; Ramires, Oscar (César Azpilicueta, 37’/2T) e Eden Hazard (André Schürrle, 24’/2T); Fernando Torres. Técnico: José Mourinho.
Local: Estádio White Hart Lane, em Londres
Árbitro: Mike Dean
Gols: Gylfi Sigurdsson, 19’/1T; John Terry, 20’/2T
Cartões amarelos: Jan Vertonghen, Michael Dawson, Moussa Dembélé, Andros Townsend e Christian Eriksen (Tottenham); Fernando Torres e Branislav Ivanovic (Chelsea)
Cartões vermelhos: Fernando Torres