A estratégia do Tottenham estava clara desde o início do jogo: entregar a bola para o Leicester, deixá-los errar e capitalizar em cima desses erros – e eles vieram. Letais no contragolpe, os Spurs construíram a vitória por 3 a 0 neste domingo (19) toda antes do intervalo, complicando o sonho das Raposas de ir à Champions League da próxima temporada.

O primeiro tempo, em especial, foi uma aula de contra-ataques da equipe de José Mourinho, em uma etapa com 67% de posse de bola aos visitantes. Sem ela, o time se defendia com aplicação. Com ela, o objetivo era cristalino: avançar o mais rápido possível ao ataque.

Aos seis minutos, Alderweireld afastou de cabeça, Kane foi buscar a bola quase na intermediária de seu próprio campo, avançou com ela e tocou de trivela para a corrida de Son pela esquerda. O sul-coreano levou para dentro da área, se livrou da marcação com uma pedalada e arriscou o chute. O desvio em James Justin foi providencial para bater Schmeichel e abrir o placar aos Spurs.

Já aos 37 minutos, a partir de um escanteio para o Leicester, o Tottenham puxou outro contra-ataque mortal. Lo Celso ganhou a disputa pela segunda bola no meio e abriu com Lucas Moura pela esquerda. O brasileiro observou a ultrapassagem de Kane para dentro da área e tocou por trás da marcação de Justin James. O atacante então apareceu para bater cruzado, de esquerda e ampliar.

Três minutos mais tarde, uma outra lição na aula de contragolpes. Lucas Moura roubou a bola no campo de defesa, avançou com ela e tocou para Kane. O inglês chegou próximo à linha de fundo para dominar, trouxe para dentro e bateu com curva, no canto direito, longe do alcance de Schmeichel: 3 a 0.

Em suas melhores chances, o Leicester esteve perto de marcar em duas oportunidades no primeiro tempo. Aos 20 minutos, em cobrança de escanteio, Wes Morgan cabeceou com força, e a bola sobrou para Vardy na pequena área. De costas para o gol, ele tentou o calcanhar, e Lloris espalmou para escanteio. Cinco minutos mais tarde, as Raposas subiram pela esquerda, com Luke Thomas, que acertou cruzamento forte para Ayoze Pérez. O espanhol dominou no peito e mandou uma bomba, para excelente defesa de Lloris, no canto esquerdo.

Se a vitória ou mesmo o empate já pareciam distantes, o Leicester jogava ao menos para fazer o máximo de gols possível, de forma a deixar seu saldo de gols positivo novamente. O resultado disso foi um segundo tempo completamente das Raposas, que finalizaram 12 vezes nesta etapa, mas só três delas foram ao alvo. Os Spurs, por sua vez, tiveram uma só finalização, fora do alvo.

As chances reais de gol do Leicester, no entanto, foram escassas. A mais perigosa delas veio aos 13 minutos, quando Gray cobrou falta com potência, a bola desviou na barreira e forçou Lloris a responder rapidamente. O francês fez bem o serviço e alcançou a bola para espalmar para escanteio.

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O resultado do encontro não poderia ser pior ao Leicester. Além de desperdiçar a chance de fazer sua parte para garantir que chegaria em pé de igualdade com o Manchester United para a “final” da última rodada, a derrota por 3 a 0 acabou com a vantagem do saldo de gols. Agora, com um jogo a mais, as Raposas, na quarta colocação, tem o mesmo saldo de gols de 28 dos Red Devils, no quinto lugar, embora ainda esteja à frente graças ao número de gols marcados (67 contra 63).

O United enfrenta o West Ham ainda nesta 37ª rodada, na quarta-feira (22), e, contanto que não perca, poderia ir para o confronto final com o Leicester precisando apenas de um empate para conseguir a vaga à Champions League. Uma vitória sobre os Hammers, por sua vez, coloca o time de Solskjaer três pontos à frente das Raposas, além da superioridade no saldo que dependeria do placar.

O Leicester viveu uma primeira metade de temporada tremenda. O período entre outubro e dezembro foi especialmente positivo, com uma sequência de nove vitórias entre Premier League e Copa da Liga Inglesa, incluindo a goleada por 9 a 0 sobre o Southampton. Desde a virada do ano, a instabilidade começou a se instalar e chegou a seu ponto máximo neste reinício do futebol inglês, em que conseguiu apenas duas vitórias em nove jogos.

Independentemente de qual competição europeia dispute em 2020/21, Brendan Rodgers terá como maior desafio dar um salto de patamar e entregar uma equipe mais regular.