Os elencos de Barcelona, Bayern de Munique e Juventus estabeleceram um excelente precedente ao abrir mão de parte de seus salários em meio à crise da pandemia de coronavírus, ajudando seus clubes a honrar integralmente os vencimentos do restante de seus funcionários. No Tottenham, no entanto, nada do tipo aconteceu até agora, e Daniel Levy anunciou corte de 20% no salário de todos os funcionários não-jogadores, acrescentando um pedido para que os atletas aceitem diminuir seus próprios vencimentos.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (31), com Levy afirmando que 550 funcionários não-jogadores teriam a redução salarial de 20% para os próximos dois meses. Não pegou nada bem para ele, Levy, que esta informação tenha vindo no mesmo dia da publicação do balanço financeiro da temporada passada do clube, que revelou que o presidente levou para casa £ 7 milhões, £ 3 milhões sendo bônus pela conclusão do novo estádio do Tottenham.

De qualquer forma, em seu discurso, Daniel Levy indicou que espera que os jogadores aceitem reduções salariais para o período de paralisação, de forma a mitigar os prejuízos financeiros.

“Tendo já dado os passos para reduzir custos, nós tomamos por conta própria a difícil decisão, para poder proteger os empregos, de reduzir a remuneração de todos os 550 diretores e empregados não-jogadores para abril e maio em 20%. Esperamos que as atuais discussões entre Premier League, PFA (Associação de Jogadores Profissionais) e LMA (Associação de Treinadores da Liga) resultem em jogadores e técnicos fazendo sua parte pelo ecossistema do futebol”, disse Levy.

Para além dos assuntos internos do clube, Daniel Levy falou sobre a reação do mundo do futebol à pandemia do coronavírus. Para ele, é inacreditável que exista quem fale de mercado de transferências em um momento como esse.

“Leio ou ouço histórias sobre transferências de jogadores neste verão, como se nada tivesse acontecido. As pessoas precisam acordar para a enormidade do que está acontecendo à nossa volta. Nós somos talvez o oitavo maior clube no mundo em receitas, de acordo com o levantamento da Deloitte, mas todos esses dados históricos são totalmente irrelevantes, visto que este vírus não tem limites.”

De fato, sem sequer uma definição sobre como será finalizada a atual temporada ou sobre o que acontecerá de fato com os contratos de jogadores cujos vínculos se encerram nos próximos meses, parece forçado falar de transferências, sobretudo tendo em vista o impacto financeiro no próprio valor dos jogadores que a pandemia terá. Segundo o Observatório do Futebol da CIES, os atletas das cinco grandes ligas poderiam perder até 28% de seu valor caso a temporada não se conclua.