A Superliga Feminina da Inglaterra trabalha para surfar no sucesso da Copa do Mundo Feminina, cuja semifinal entre Inglaterra e Estados Unidos foi assistida por 11,7 milhões de pessoas na BBC, audiência recorde no ano e, no geral, para a modalidade no país. E uma boa notícia saiu esta semana. Na verdade, três boas notícias: Chelsea, Manchester City e Tottenham confirmaram que usarão seus principais estádios para sediar clássicos.

A temporada passada assistiu a recordes de públicos em países como Espanha e Itália, onde Juventus e Atlético de Madrid mandaram jogos importantes dos seus campeonatos no Allianz Stadium e no Wanda Metropolitana. Enquanto isso, a Inglaterra continuou usando exclusivamente campos menores, adequados à média de público ainda baixa da Women Super League, na casa das 1.000 pessoas.

Em abril, o treinador da seleção inglesa Phil Neville havia pedido que os clubes abrissem seus principais estádios para partidas selecionadas da liga feminina, para “tirar o fôlego do resto da Europa”. E foi atendido. Os dois clássicos que abrem a próxima temporada, entre os times de Manchester e Chelea e Tottenham, serão realizados em grandes estádios.

A tabela foi pensada com cuidado para aproveitar o interesse construído pela Copa do Mundo Feminina. Além de dois jogos de alta rivalidade, a primeira rodada será realizada em um fim de semana de Data Fifa no futebol masculino. Em 7 de setembro, o Manchester City receberá o recém-promovido United no Etihad Stadium, com capacidade para 55.000 pessoas e ingressos grátis para menores de 16 anos.

Depois de assistir a jogadoras da seleção como a capitã Steph Houghton e a artilheira Ellen White, ambas do City, o público terá Stamford Bridge com portões abertos para o dérbi entre Chelsea e Tottenham, no domingo, 8 de setembro. Os Blues, que geralmente dividem o estádio de Kingsmeadow com o AFC Wimbledon para suas partidas femininas, não cobrarão ingresso para a sua estreia na Women Super League.

Os dois times femininos já atuaram nos estádios do masculino no passado, mas a expectativa é que o público, desta vez, seja muito maior do que em 2014 quando o City enfrentou o Everton pela Copa da Liga diante de 1.500 pessoas, ou dois anos depois, quando o Chelsea jogou contra o Wolfsburg, pela Champions League, à frente de 3.783 torcedores. O crescimento de interesse e públicos na casa das 40.000 nas finais da Copa da Inglaterra Feminina são indicativos de que isso deve acontecer.

O último clube a abrir seu principal estádio para as mulheres foi o Tottenham, recém-promovido à elite do futebol feminino inglês ao lado do Manchester United. Com o anúncio da tabela completa da temporada, os Spurs confirmaram que sua nova casa receberá o dérbi contra o Arsenal, em 17 de novembro. O Manchester United estuda fazer a mesma coisa com Old Trafford.

Além de partidas nos grandes estádios, a liga feminina planeja realizar rodadas duplas com jogos da Premier League masculina. “Nosso trabalho agora é capitalizar no momento da Copa do Mundo e constuir audiência e público”, disse a diretora da Federação Inglesa para o futebol profissional feminino à BBC, Kelly Simmons. “Acho que uma das coisas que a Copa do Mundo fez foi tornar nossas jogadoras conhecidas na casa das pessoas, e elas podem acompanhá-las agora nos clubes”.