O Tottenham não demorou para se aclimatar em seu novo estádio. Após a estreia contra o Crystal Palace, a torcida produziu uma atmosfera fantástica no duelo contra o Manchester City pela Liga dos Campeões. E o apoio surtiu resultado, com uma vitória valiosíssima no jogo de ida das quartas de final. No entanto, também há o primeiro atrito em relação à moderna praça esportiva. Nesta sexta-feira, os Spurs anunciaram o banimento de “diversos” torcedores que estiveram presentes nestas primeiras partidas. O motivo: ficar persistentemente em pé.

“É importante que todos possam ver o jogo e aproveitá-lo. Apreciamos que os torcedores levantem em momentos decisivos da partida. Mas persistir em pé durante toda a partida ou por longos períodos, sem atender os pedidos dos stewards e dos torcedores ao redor, não é um comportamento aceitável, além de ser contra as regulamentações do estádio”, escreveu o clube, na nota oficial sobre o assunto, sem revelar a extensão dos banimentos.

Apesar do legalismo exacerbado, o Tottenham tem a sua parcela de razão no posicionamento – até porque as regras vêm de cima, da Football Association e da Uefa. No entanto, também é possível questionar os Spurs. O ato indica “quem quer mostrar serviço” e botar uma nova ordem no estádio. Além do mais, por mais que possa ser desagradável ter alguém em pé na sua frente, especialmente a torcedores com alguma dificuldade particular, banir não parece a melhor medida – especialmente porque o clube não trata necessariamente como um caso isolado, de alguém que agiu desmedidamente. E aí que está o problema.

A luta pelo simples fato de “torcer em pé” é ampla na Inglaterra. Há diferentes movimentos que defendem um modelo diferente de estádio, como o existente na Alemanha. O Tottenham, que poderia muito bem embarcar na discussão, preferiu transmitir uma imagem asséptica de seu novo estádio. Postura simplista e que, a princípio, até soa como se limitasse a emoção que se vive em um estádio de futebol. Há regras que existem para ser respeitadas, óbvio. Mas esta não parece a melhor maneira de educar, de discutir e mesmo de se fazer respeitar.