A manifestação da torcida do Corinthians sofreu uma censura descabida nos últimos dias, e por duas vezes. As faixas da Gaviões da Fiel foram motivo de violência da polícia militar na quinta-feira da última semana, enquanto causaram a paralisação do clássico contra o São Paulo no domingo, a pedido da arbitragem. No entanto, dá para dizer que os alvinegros conquistaram uma importante vitória na luta pela liberdade de expressão nos estádios. Justo um dos alvos das críticas, a Federação Paulista emitiu uma nota nesta quinta garantindo o direito a manifestações pacíficas.

O texto não exime a FPF das acusações que sofreu. Ainda assim, a entidade dá um passo importantíssimo ao valorizar o diálogo e o respeito, declarando que não orienta os seus árbitros ou mesmo a polícia militar para oprimir estes movimentos. Considerando o ambiente que geralmente impera no futebol brasileiro, no qual as federações e a CBF costumam impor seu poder sobre clubes e torcidas, a defesa pela liberdade de expressão até surpreende. Bola dentro, ajudando na busca por um futebol melhor e mais democrático.

Abaixo, a nota publicada pela FPF, na íntegra:

A Federação Paulista de Futebol vem a público esclarecer que não se opõe a nenhum tipo de manifestação pacífica durante os jogos, e que seus regulamentos não vetam a exibição de faixas ou bandeiras de protesto.

Não há, tampouco, qualquer orientação por parte da FPF a árbitros, delegados de partida, profissionais envolvidos nos campeonatos paulistas, ou mesmo à Polícia Militar, para que oprimam estes movimentos.

A única regra que versa sobre manifestações em estádios é o Estatuto do Torcedor, legislação federal que veta faixas com mensagens ofensivas.

No entanto, na visão da FPF, as faixas expostas nos últimos jogos do Campeonato Paulista não feriram esta lei e, assim como qualquer manifestação pacífica, devem ser respeitadas, sem prejuízo ao andamento da partida.

No caso do clássico de domingo (14) entre Corinthians e São Paulo, por exemplo, o jogo não deveria ter sido paralisado. A FPF defende, sim, a liberdade de expressão, princípio básico da democracia.