Diante da pausa na Ligue 1, o Paris Saint-Germain aproveitou para disputar um amistoso nesta quarta. Visitou a Tunísia, onde enfrentou o Club Africain, 13 vezes campeão nacional e um dos principais times do norte da África. Pelo lado parisiense, destaque para a vitória por 3 a 0, na qual estrearam Julian Draxler e Giovani Lo Celso, dois principais reforços do clube até o momento na atual janela de transferências. No entanto, o que chamou mesmo a atenção foi a forte mensagem bradada pela torcida local nas arquibancadas do Estádio Olímpico de Radès.

Os torcedores do Club Africain não pareceram tão contentes em enfrentar o PSG, apesar do tradicional fervor para apoiar a equipe. Ainda assim, aproveitaram a exposição proporcionada pelo jogo para criticar a mercantilização do futebol, justamente contra um adversário multimilionário. “Criado pelos pobres, roubado pelos ricos”, dizia a faixa, acima de uma pintura que contrastava crianças pobres jogando bola e grandes construções. A frase, em inglês ao invés do francês ou do árabe, enfatiza a intenção dos tunisianos fazerem a mensagem rodar o mundo de maneira mais ampla. Não poderia ser feito de maneira mais impactante.

Vale ressaltar que o Club Africain possui ligação histórica com as comunidades islâmicas e anticolonialistas da Tunísia, fundado quando o país ainda estava sob domínio francês. O clube costuma ser relacionado às elites intelectuais, embora tenha se enraizado nas camadas mais populares posteriormente, enquanto o rival Espérance, surgido em uma região popular de Tunes, seja atrelado ao poder, especialmente a partir da metade final dos anos 1980.

Atualizado às 23h: A crítica da torcida do Club Africain em relação à mercantilização teve como alvo principal Nasser Al-Khelaïfi, presidente do PSG. Além da direção do clube, o xeique possui predominância na transmissão de eventos esportivos nos países árabes, através da beIN Sports, braço da Al Jazeera. A crítica se concentrou também ao monopólio do mercado praticado pelo magnata e pelos preços abusivos.