Não há como ficar indiferente à torcida do Wydad Casablanca. O que os alvirrubros costumam fazer nas arquibancadas do Estádio Mohamed V é completamente fascinante. A força, a sincronia, o ardor. Sobretudo, a paixão que se renova a cada jogo. Mais do que acompanhar o time, o que vale é empurrá-lo com toda a alma e o coração, em um espetáculo que quase sempre acaba sendo maior do que o ocorrido em campo. E neste sábado, os marroquinos chegaram ao topo. Atingiram a glória que perseguiram por 25 anos, para encher a boca e dizer que são os melhores do continente. Diante de 50 mil nas arquibancadas, o WAC derrotou o todo-poderoso Al Ahly por 1 a 0 e conquistou seu segundo título na Liga dos Campeões da África. Estará no Mundial de Clubes de 2017.

Maior campeão nacional, o Wydad Casablanca se acostumou a viver na sombra do rival Raja Casablanca no cenário internacional. Os alviverdes foram os primeiros da cidade a conquistar a Champions, em 1989, igualados pelos alvirrubros em 1992. Contudo, a dominância do Raja valeu mais dois títulos na virada da década, assim como a participação no Mundial de Clubes de 2000. E quando o Marrocos assegurou a realização da competição da Fifa em 2013, as Águias Verdes faturaram o Campeonato Marroquino. Garantiram presença como representante do país-sede e alcançaram sua façanha diante do Atlético Mineiro, embalados pela torcida.

O Wydad tinha ficado no quase em 2011, perdendo a final continental para os tunisianos do Espérance. Mas recuperaram a força doméstica nos últimos meses, esperando dar um passo além também na Champions. Campeões marroquinos em 2017, encerrando um jejum de sete anos, os alvirrubros pegaram embalo na competição continental. Terminaram na primeira colocação na fase de grupos, superando o próprio Al Ahly. Na sequência, eliminaram o Mamelodi Sundowns, campeão africano de 2016, e o USM Alger, vice em 2015. Até o reencontro com os egípcios, octacampeões continentais.

O empate por 1 a 1 arrancado em Alexandria, diante da pulsante atmosfera no Estádio Borg El-Arab, revigorava a confiança do Wydad. Os marroquinos precisariam apenas fazer sua parte no Mohamed V, diante de sua ensandecida torcida. E apoio não faltou. Horas antes do apito inicial, o estádio já estava lotado. Mais do que isso, os fanáticos pulavam e cantavam intensamente. Aguentaram durante os 90 minutos em que a bola rolou. E o desfecho não poderia ser melhor. Aos 24 do segundo tempo, Walid El Karti aproveitou a jogadaça de Achraf Bencharki para anotar o gol da vitória. O gol que recolocava a faixa no peito do WAC depois de 25 anos e provocava a massa a gritar ainda mais. A conquista para exaltar a grandeza de um clube que merece o reconhecimento, por aquilo que representa à sua gente. A noite não terá fim em Casablanca.

O título do Wydad Casablanca pode repercutir além. Afinal, dois jogadores da equipe foram convocados à seleção marroquina, que enfrenta a Costa do Marfim no próximo sábado e pode retornar à Copa do Mundo após 20 anos. Achraf Bencharki é um deles. O empate será suficiente aos Leões do Atlas, embora a partida aconteça na casa dos Elefantes, em Abidjan. Por aquilo que costuma se ver no Mohamed V, pressão não deve ser problema para os visitantes em busca de seu objetivo.

E o pensamento dos torcedores do WAC também avança a dezembro. É a chance dos alvirrubros mostrarem sua força no Mundial de Clubes. Não terão uma situação favorável como a do Raja, que atuava em casa, mas certamente boas centenas de fanáticos partirão rumo aos Emirados Árabes. A equipe enfrenta os mexicanos do Pachuca nas quartas de final, e o vencedor se cruzará com o representante da Libertadores na semifinal. O Wydad busca escrever sua própria história – através do futebol e, sobretudo, do grito de seus apaixonados. Da multidão em transe que parece hipnotizada, mas, na verdade, hipnotiza quem a vê.

Abaixo, além do gol, uma coleção de vídeos: a lotação do estádio; a vibração durante a partida; a comemoração com os jogadores; e a festa que toma as ruas.