Torcida do Manchester City está prestes a bater de frente com o Fair Play Financeiro

Advogado da lei Bosman convoca, e presidente de associação de torcedores do clube inglês acena positivamente com apoio para derrubar restrições da Uefa

O Fair Play Financeiro teve em Manchester City e Paris Saint-Germain seus primeiros alvos reais desde que a nova regulamentação para equilibrar as finanças dos clubes passaram a valer. A dupla foi multada em € 60 milhões em maio deste ano, e pelo menos o lado inglês da história não pretende ficar calado. Kevin Parker, presidente da associação de torcedores do City, respondeu positivamente ao chamado do advogado Jean-Louis Dupont para tentar derrubar o FPF, e a briga deve esquentar nos próximos meses.

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Dupont gravou seu nome na história recente do futebol ao representar Jean-Marc Bosman e derrubar a lei do passe, na década de 1990. Desde setembro do ano passado, o advogado belga tem trabalhado em outro projeto. A serviço do empresário italiano Daniel Strain, quer comprovar que o Fair Play Financeiro é injusto, ilegal e deveria ser revogado.

Munido de bons argumentos, Dupont “convocou” os torcedores do City a juntarem-se a causa, e em cerca de 24h o aceno positivo por parte dos Citizens veio. “Se alguns torcedores, consumidores do produto final do futebol, quiserem se juntar à ação, eles são livres para o fazerem. Isso sem dúvidas animaria os torcedores que já se juntaram pelo processo legal. A regra da Uefa é, em termos de leis competitivas europeias, um acordo anticompetitivo, já que proíbe que o dono de um clube invista seu dinheiro para reforçar sua força de trabalho, ou seja, os jogadores. É, portanto, uma restrição de investimentos, que é considerada um crime importante na lei de competitividade”, defendeu Dupont.

Kevin Parker usou o rival local Manchester United para demonstrar seu descontentamento com o FPF e também convocar seus colegas das arquibancadas do Etihad a darem suporte ao advogado. “Acho que os torcedores do City deveriam apoiar isso. O que o City fez não é diferente do que o United fez nas últimas duas janelas de transferências, mas a questão é que é o dinheiro deles, e eles deveriam poder fazer o que quiserem. A Uefa está inventando que esteja tentando ser igual para todos, mas estamos automaticamente começando com menos jogadores (na Liga dos Campeões). Como isso é justo?”, afirmou, em declarações publicadas pelo jornal Manchester Evening News.

Em outubro do ano passado, discutimos aqui na Trivela as ideias do advogado e ponderamos sua pertinência. Embora ainda seja cedo para falar no que acarretará de fato o FPF, os sinais demonstrados na janela de transferências recentemente fechada foram de que, de fato, a medida tende a diminuir as distâncias entre os times, pelo menos no curto prazo, como aconteceu com o PSG, que restringiu seus investimentos e deixou de contratar Di María, por exemplo, por já ter atingido seu valor máximo.