O Parma escreve uma história de superação. Depois de falir na última temporada e acabar rebaixado para a Serie D do Campeonato Italiano, os gialloblù iniciam o seu renascimento. O empresário Guido Barilla, dono da indústria alimentícia de mesmo nome, banca os primeiros passos na reconstrução, deixando a presidência nas mãos de Nevio Scala, técnico no período glorioso da equipe nos anos 1990. Já em campo, a liderança vem com Alessandro Lucarelli, o veterano que não abandonou a braçadeira de capitão, e servirá de referência no time de jovens dirigido pelo técnico Luigi Apolloni – um dos maiores ídolos da história do clube quando era defensor. No entanto, nada seria possível também sem a torcida. E a população da cidade segue fiel ao time, quebrando recordes na venda de carnês de temporada.

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Segundo o próprio Parma, em duas semanas já foram vendidos 8,1 mil carnês, que dão direito a todos os jogos da equipe no Estádio Ennio Tardini. Anteriormente, a maior marca na quarta divisão havia sido estabelecida pelo Siena, com 3,7 mil vendas – superada pelos gialloblù em apenas três dias de comercialização. O número atual já dobrou a meta inicialmente estabelecida pela diretoria, que era de quatro mil carnês. A capacidade do estádio é de 27,9 mil torcedores.

Os carnês de temporada possuem preços que variam entre € 25 e € 995. Além dos ingressos em casa, eles oferecem vários outros benefícios, conforme as categorias: desconto na loja oficial, edição especial de uma camisa, estacionamento grátis no estádio e até mesmo usufruto das estruturas do clube. No entanto, os gialloblù ressaltam principalmente a importância das vendas para ajudar neste momento de recuperação.

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Durante as últimas seis temporadas, a média de público do Parma caiu de 17 mil para 11 mil espectadores por jogo. No entanto, em 2014/15, a marca acabou sustentada justamente pela venda de carnês: foram 9,5 mil no total. A expectativa é de que os gialloblù consigam se aproximar ou mesmo bater esse número na Serie D. Algo que não parece difícil, diante do engajamento evidente na cidade.

Além disso, o clube tem contado com seus torcedores na própria reestruturação interna. O Parma criou ações de 40% de sua propriedade à venda, com preços a partir € 500. Atualmente, 150 pessoas já aderiram ao programa, mas 250 aguardam na fila também para firmar o negócio. A meta atual da diretoria é chegar a mil acionistas, que também passarão a fazer parte do livro de refundação dos gialloblù.

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Diante de todo o apoio nas arquibancadas, o trabalho do Parma agora se concentra em decolar dentro de campo e voltar à Serie A o mais rápido possível. A estreia do time sob novo nome aconteceu no início desta semana, vencendo amistoso por 1 a 0. Já o recomeço na Serie D acontece a partir de setembro. Quem sabe, para lotar o Ennio Tardini e contar com mais de 20 mil presentes – uma marca que o clube não supera desde 2010. Neste momento, nada mais parece impossível ao Parma.