Torcedores sul-coreanos que compraram ingresso para um amistoso de pré-temporada entre Juventus e um time de estrelas da liga da Coreia do Sul, em Seul, sofreram “angústia mental” por não terem visto Cristiano Ronaldo jogar, pelo menos de acordo com um processo que busca compensações da organizadora do evento, a empresa The Fasta Inc, por propaganda enganosa.

Grandes clubes europeus adquiriram o hábito de rodar o mundo durante a pré-temporada para realizar amistosos organizados por quem está disposto a desembolsar uma boa grana, seja nos Estados Unidos, onde acontecem a maioria dos duelos da Copa Internacional dos Campeões, por exemplo, seja na Ásia. Muito promovidas, essas partidas costumam ser sucesso de público.

O problema é quando o interesse comercial entra em conflito com o esportivo, como parece ter sido o caso no amistoso da Juventus na Coreia do Sul. Após a partida, o treinador Maurizio Sarri, de acordo com a Gazzeta dello Sport, afirmou que estava programada a presença de Cristiano Ronaldo em campo, mas, em uma conversa anterior ao pontapé inicial, o português se mostrou muito cansado.

A Juventus, segundo Sarri, decidiu descansar sua principal estrela, o que seria absolutamente natural em uma pré-temporada, quando o objetivo principal deveria ser a preparação para os campeonatos oficiais. No entanto, a partida foi promovida com a imagem de Cristiano Ronaldo, segundo o advogado que comanda a ação legal, e estava previsto em contrato que ele participaria pelo menos 45 minutos, de acordo com a organizadora.

“Quando fui discutir com Nedved, o vice-presidente da Juventus, tudo que ele disse foi: ‘Eu queria que Ronaldo jogasse, mas ele não quer. Desculpa. Não há nada que posso fazer’. Eu fiquei tão frustrado”, disse o executivo da Fasta, Robin Chang, à emissora local SBS. Ele contou que ficou sabendo que o português não entraria em campo apenas aos 10 minutos do segundo tempo.

No sábado, a Fasta emitiu um comunicado afirmando que a Juventus não cumpriu com os termos do contrato, e a K-League enviou uma carta ao clube manifestando seu protesto e chamando-o de “arrogante” e “irresponsável”. A liga também emitiu um comunicado pedindo desculpas aos seus torcedores pelo problema, no qual afirma que Ronaldo havia sofrido um “problema muscular”, o que o liberaria contratualmente de entrar em campo. No entanto, segundo a K-League, a lesão deveria ter sido notificada pela Juventus. Além disso, problema muscular não é a mesma coisa de estar “muito cansado”, como afirmou Sarri.

Segundo a Reuters, dois torcedores, entre os aproximadamente 60 mil que estiveram no estádio, foram atrás do advogado Kim Min-ki em busca de compensação financeira. Além do reembolso dos ingressos, aproximadamente US$ 60 (R$ 225), exigem indenização de US$ 845 (R$ 3,1 mil) cada por “angústia mental”. Se a ação for vencedora, e todos os 60 mil pedirem o mesmo valor, o total pode chegar a US$ 54,3 milhões (R$ 200 milhões).

“Normalmente, nesses casos, os requerentes são reembolsados pelo preço dos ingressos, mas eu coloquei o processo sob um caso especial, porque esta empresa, por meio de propaganda enganosa, tirou vantagem dos torcedores da estrela do futebol”, afirmou Kim, à agência de notícias. “Por enquanto, temos dois requerentes que processaram a empresa, mas estou recebendo muitas ligações e presumo que teremos mais 60 mil”.

“Sobre a parte da angústia mental, eu gostaria de dizer que alguns são fãs realmente muito ávidos. Para eles, foi muito doloroso porque amam Ronaldo e queriam protegê-lo, mas não podem, devido à situação”, acrescentou.

A Juventus não se pronunciou oficialmente sobre o processo, nem respondeu ao pedido por um comentário da Reuters. Em seu site oficial, o clube comemorou o sucesso da turnê pela Ásia, com preenchimento de 97% dos estádios e um total de 165 mil torcedores. “Foi uma turnê excepcional. Visitamos quatro grandes cidades asiáticas: Cingapura, Nanjing, Xangai e Seul, em três países diferentes, onde jogamos ou criamos eventos empolgantes que nos permitiram chegar a muitos de nossos torcedores”, disse o diretor de receitas da Velha Senhora, Giorgio Ricci.